Der Spiegel: documentos provam que Manchester City foi financiado por agência governamental de Abu Dhabi
Documentos divulgados pelo 'Football Leaks' mostram que o clube inglês recebeu dinheiro fornecido por empresa liderada pelo chairman do City, Khaldoon Al Mubarak
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Depois das sanções aplicadas pelo governo britânico ao Chelsea, devido às ligações do oligarca luso-russo Roman Abramovich, dono dos blues, a Vladimir Putin, presidente da Rússia, que no mês passado invadiu a Ucrânia, o foco vira agora para outro clube inglês. Desta vez, todas as atenções estão centradas no Manchester City e tudo se deve a nova divulgação de documentos por parte do 'Football Leaks'.
De acordo com os documentos da plataforma criada pelo português Rui Pinto, que foram esta quinta-feira partilhados pela revista alemã 'Der Spiegel' ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (European Investigative Collaborations, EIC), o Manchester City terá sido financiado diretamente por uma empresa ligada ao governo dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que tem como uma das mais altas figuras (vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros) o xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, dono dos citizens desde 2008. A documentação fala em milhões de euros pagos em comissões a agentes de jogadores, 'esquemas' que terão sido utilizados para chegar à contratação de Brahim Díaz, ao Málaga, em 2013, altura em que o médio espanhol, que hoje é representado por Pere Guardiola (irmão de Pep Guardiola, treinador do Manchester City) ainda era menor de idade.
Pelo meio, a investigação depara-se ainda com o envolvimento da Autoridade de Assuntos Executivos (EAA, em inglês), uma agência governamental de Abu Dhabi que faz a assessoria da política de estratégia do xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, que surge associada aos valores pagos pelo dono do Manchester City ao grupo Mediapro, que em 2013 pagou ao Málaga, em nome do Manchester City, pela transferência de Brahim Díaz.
Segundo os documentos divulgados pelo 'Football Leaks', os pagamentos feitos pelo Abu Dhabi United Group Investment & Development (ADUG), propriedade do xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, e que entre 2008 a 2021 foi o principal acionista do Manchester City, eram autorizados pela EAA, com Khaldoon Al Mubarak, acionista da ADUG e chairman (presidente não-executivo) do Manchester City, a ser o responsável que aprova os fluxos de dinheiro canalizados pelo governo dos EAU. Como forma de contexto, importa referir que o Abu Dhabi United Group detém 78% do City Football Group, que por sua vez tem na sua 'carteira' o Manchester City, entre outros clubes.
De acordo com a informação obtida pelo 'Der Spiegel', a investigação ao Manchester City baseia-se em três acusações centrais: a primeira, prende-se com o facto de o clube ter pressionado jogadores menores de idade para assinarem um contrato mediante pagamentos em dinheiro, algo que contraria as normas internacionais; a segunda, está relacionada com o facto de as empresas patrocinadoras do clube com sede em Abu Dhabi terem pago apenas uma parte dos gastos do clube, com Mansur a pagar grande parte dos custos do próprio bolso; a terceira, abre a possibilidade de Roberto Mancini, antigo treinador dos citizens entre 2009 e 2013, ter recebido uma grande parte do seu salário às margens da lei, através de, ao que tudo indica, um contrato fictício de assessoria.