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Massimo Cellino, presidente do Brescia, deu uma entrevista muito dura ao jornal 'Corriere dello Sport'. Dura do ponto de vista humano e desportivo. Massimo Cellino está em quarentena, com febre, sozinho em casa e fala de uma cidade devastada. Por isso não entende por que há presidentes de clubes, como o da Lazio e do Nápoles, que falam em voltar aos treinos. "Primeiro a vida, f...-se!"
"O campeonato acabou. O Lotito [presidente da Lazio] quer o campeonato? que fique com ele. Isto é a peste, a temporada acaba aqui. Vamos pensar na próxima", refere o líder do Brescia. "A taça o scudetto... O Lotito que fique com tudo. Se ele está convencido que possui uma equipa imbatível, que fique com essa ideia."
Cellino constata tristemente que parece haver pessoas que não fazem ideia do que está a acontecer. "Oiça-me bem, estou em casa com febre há três dias e em quarentena há onze. Fechado em casa, estou sozinho. A minha mulher, Francesca, está presa em Cagliari, tenho um filho em Milão, os outros lá fora. Eu já vi e ouvi coisas que você nem imagina. Recebo continuamente notícias de Brescia e todas são de loucos, a cidade está a enfrentar uma tragédia com uma dignidade embaraçosa. Estas pessoas comovem-me... Têm pais, parentes, amigos, conhecidos que morrem todos os dias e sofrem terrivelmente, mas em silêncio..."
"Uma coisa são os números oficiais, outra é a real dimensão do problema. Se isto tivesse acontecido noutro lugar, teria eclodido uma revolução. As pessoas têm apenas um desejo, que é voltar ao trabalho, começar a viver novamente. E você quer falar sobre o campeonato, o campeonato? Eu não dou a mínima... tenho medo de sair de casa, estou com uma depressão", confessa.
Massimo Cellino diz que a realidade não passa na televisão. "Há muito, muito mais. Não se pensa em quando começar de novo, mas sim em sobreviver. E se falamos de futebol, tudo precisa ser mudado para a próxima temporada. Realismo, senhores. Isto é a peste. A vida primeiro. A vida, foda-se! Há ultras que levam oxigénio aos hospitais, outros que choram seus mortos, outros que estão entubados... Não se pode jogar mais esta época. Pense-se na próxima."
"A temporada acabou, se alguém quiser este maldito scudetto, que fique com ele. Fechado. Terminou. E não digo isto porque o Brescia é o último na classificação. Somos os últimos porque merecemos. Penso naqueles que perderão o emprego, naqueles que estão a morrer...", finalizou.
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A entrevista foi moderada por Record mas conduzida pelo médio formado no Sporting