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Nápoles brilha no meio do fumo

• Foto: Reuters

Nápoles, cidade que tornou Maradona num D10s, rende-se, por estes tempos, ao culto de Sarri, um ‘filho da terra’ que trabalhou na banca até aos 40 anos. "Não o trocava por Guardiola, nem que ganhassem o mesmo salário", disse, recentemente, De Laurentis, o polémico presidente do clube italiano, sobre o técnico que foi buscar ao Empoli em 2015 e que, dois anos depois, alimenta os sonhos napolitanos de uma glória perdida na década de 80, quando o astro argentino liderou os azzurri à conquista da Serie A e da Taça UEFA. "Sarri é o Maradona deste Nápoles", elogiou Corrado Ferlaino, o presidente dos anos dourados.

A liderança da Serie A só com vitórias e o melhor ataque (26 golos) ajudam a alimentar as expectativas, em véspera do confronto com o Inter de Spalletti, 2.º classificado e também invicto. "Se antes houve o Sacchismo, agora há o Sarrismo. É uma referência: a procura insistente pela posse de bola, a vontade de dominar o adversário com o pressing. O modelo de Sarri está a influenciar uma nova geração de treinadores." Quem o diz é Fabrizio Corsi, dono do Empoli, clube que chegou à Serie A em 2013 pela mão do agora técnico do Nápoles e que também trabalhou com Spalletti.

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Pep é referência

Aos 58 anos, ainda é um fumador compulsivo – "Com os jogos a decorrer, ia junto dos adeptos e pedia para dar uma passa num cigarro", confessou, numa entrevista – e irrita-se com os ‘rótulos’, desde o ‘Sarri Potter’, pela magia do futebol napolitano, ao ‘Mister 33’, pela diversidade de lances de bola parada ensaiados. "Também me chamam o ‘ex-empregado da banca’, como se fosse algo de mau ter feito outro trabalho ou saber mais na vida do que apenas de futebol. Ensinou-me a importância da organização e de saber tomar decisões importantes sob pressão." Bem-vindos são os elogios de Pep Guardiola, uma das suas referências e que defrontou na Champions. "Nunca vi uma equipa tão boa como este Nápoles", disse o espanhol. Este sábado é Spalletti a testar o poder de fogo de Sarri.

Spalletti e o "ministro da Economia"

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Com menos dois pontos do que o Nápoles, mas também sem derrotas, o Inter encara a partida no San Paolo como um desafio à sua capacidade de lutar pelo título esta temporada. "O Nápoles é uma equipa fabulosa. Tentaremos ser melhores do que eles quando tivermos a posse de bola. Eles têm essa qualidade, é difícil contrariá-los, e em alguns momentos são mesmo perfeitos", declarou Spalletti, destacando que o adversário pratica "um futebol bonito, mas também pragmático". E brincou com o passado de Sarri. "Se tivesse continuado a trabalhar no banco, agora era ministro da Economia." Uma declaração a que até o Nápoles achou piada. Mais a sério, Spalletti confirmou o regresso de João Mário aos convocados, mas não ao onze. "Borja esteve super no dérbi", lembrou.

Por Aurélio de Macedo
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