«Temos 120 mil habitantes e 45 mil foram a San Siro»: capitão da Atalanta aponta causa de contágio

Alejandro ‘Papu’ Gómez acredita que jogo com Valencia pode ter grande culpa no surto de coronavírus

• Foto: Reuters

Bergamo é um dos maiores focos da Covid-19 em Itália. Alejandro ‘Papu’ Gómez, capitão da Atalanta, está isolado com a família na cidade italiana e, em entrevista ao diário argentino Olé, disse acreditar que o jogo com o Valencia, dos oitavos de final da Liga dos Campeões, e que levou boa parte da cidade a Milão, poderá ter tido um papel na situação dramática que se vive hoje na cidade.

"O que se passa hoje em Bergamo pode ser porque temos um dos melhores hospitais da Lombardia e muita gente vem cá ser atendida, mas também por causa do jogo que fizemos com o Valencia. Temos 120 mil habitantes e nesse dia 45 mil foram a San Siro. Foi um jogo histórico para a Atalanta, uma loucura. A minha mulher demorou três horas a chegar a Milão quando normalmente em 40 minutos chegamos lá", recordou o jogador. A partida em causa aconteceu dois dias antes de surgir o primeiro caso de Covid-19 em Itália, com transmissão local.

O avançado considera que a UEFA deveria ter adiado o jogo da segunda mão, que decorreu a 10 de março, em Valência, numa altura em que Itália já registava vários casos da doença.

"Fazer esses jogos foi terrível. Nessa altura ainda não havia muitos casos, ninguém sabia da gravidade e do contágio e não se percebeu a dimensão que podia tomar. Na 2.ª mão já estava o caos em Itália, mas Espanha ainda estava como nós no início. Fomos a Valência e não havia controlos, estavam todos relaxados. Agora é o segundo país da Europa com mais contágios", acrescentou.

O argentino explicou ainda como a pandemia está a ser vivida em Bergamo. "A situação é dramática porque há muitos contágios por dia. Respeita-se a quarentena, mas ainda há pessoas na rua. Houve aqui uma polémica com os ‘runners’, porque iam correr para as praças e não pode ser: se eu, que sou desportista, não vou correr…", atira.

Nesse sentido, o jogador admite que possam ser tomadas medidas mais duras. "Fala-se disso, querem colocar militares nas ruas porque ainda há pessoas que saem para correr, que vão para o parque fazer abdominais, que levam o cão à rua e depois passam ali uma hora às voltas porque estão aborrecidos em casa, os que dizem que vão ao supermercado mas depois é mentira".

Por Mariana Béu
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