«Conspurcação de forma ignóbil do nosso trabalho»: arquiteto reage à construção de 'marquise' no apartamento de Ronaldo

José Mateus critica mudança da arquitetura do espaço

Ronaldo ocupa o 13º andar deste luxuoso prédio na rua Castilho, em Lisboa, e tem ainda a cobertura, onde fez a ‘marquise’
Ronaldo ocupa o 13º andar deste luxuoso prédio na rua Castilho, em Lisboa, e tem ainda a cobertura, onde fez a ‘marquise’

O arquiteto do prédio, em Lisboa, no qual Cristiano Ronaldo adquiriu um apartamento acusa o jogador de desrespeitar o projeto arquitetónico original. "Assistir ao desrespeito e à conspurcação de forma ignóbil do nosso trabalho, da nossa arquitectura, sem ter cumulativamente a anuência dos arquitectos, dos vizinhos e sem projecto aprovado pela CML, construindo à bela 'maneira antiga' uma marquise no coroamento do edifício, é algo a que não vou assistir parado", ameaçou José Mateus nas redes sociais. 

A reação do arquiteto surge na sequência da manchete do CM desta quinta-feira que revela que Cristiano Ronaldo mandou construir uma 'marquise' no topo do edifício, situado junto ao parque Eduardo VII. 

O treino de Cristiano Ronaldo no novo apartamento de luxo com vista de tirar o fôlego
Segundo o arquiteto, o apartamento no edifício Castilho 203 foi desenhado pela empresa fundada pelo mesmo e pelo irmão (ARX) em 1991. 

José Mateus refere que toda admiração e respeito que tinha por Cristiano Ronaldo se "desmoronou num ápice" e que, "há autorias, há regras" e "príncipios" que não vai deixar passar em branco. "Seja por quem for", refere.

"Hoje marcou um autogolo, aquele que me ficará gravado para sempre, na minha arquitectura, e sob a forma de um profundo desprezo", termina o arquiteto.

Leia a publicação na íntegra:

"O AUTOGOLO DE CR7

A admiração e respeito que tinha por Cristiano Ronaldo, um atleta exímio e inspirador, um exemplo para todos que muitas vezes referi perante os meus filhos e alunos, desmoronou-se num ápice.

Comprou um apartamento no edifício Castilho 203, cuja arquitectura foi desenhada pela ARX, atelier que fundei com o meu irmão Nuno em 1991 e que baseia o seu trabalho, tal como CR7, numa dedicação extrema, níveis de exigência altíssimos, trabalho diário duríssimo. Assistir ao desrespeito e à conspurcação de forma ignóbil do nosso trabalho, da nossa arquitectura, sem ter cumulativamente a anuência dos arquitectos, dos vizinhos e sem projecto aprovado pela CML, construindo à bela "maneira antiga" uma marquise no coroamento do edifício, é algo a que não vou assistir parado. Há cultura, há autorias, há regras, há respeito pelos outros e pelo trabalho dos outros, há civismo, há princípios que não admito que sejam atropelados. Seja por quem for.

Inúmeras vezes vibrei com a arte de CR7, emocionei-me com os seus golos extraordinários. Hoje marcou um autogolo, aquele que me ficará gravado para sempre, na minha arquitectura, e sob a forma de um profundo desprezo."

Por Correio da Manhã
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