O VOLEIBOL português está de luto. Ilídio Ramos, o homem que ofereceu grande parte da sua vida a esta modalidade, morreu segunda-feira, aos 48 anos, vítima de doença prolongada. O corpo encontra-se em câmara ardente na capela de Matosinhos, e o funeral realiza-se teça-feira, às 15.30, para o cemitério local.
Ilídio Ramos era um lutador. Como jogador, carreira que abraçou em 1966, dedicou 17 anos ao Leixões – tendo, ainda, passado pelo Benfica –, e serviu a selecção nacional por 53 vezes. Mais tarde, seguiu o natural trajecto dos bons atletas, ou seja, passou a ensinar aquilo que melhor sabia. Foi treinador nos clubes por onde passou enquanto jogador, tendo ainda liderado equipas no Rainha D. Amélia (em femininos) e CDUP.
Depois de ter trabalhado com as selecções de cadetes, sub-20 e esperanças, foi no Sp. Espinho que Ilídio Ramos atingiu o apogeu da sua carreira enquanto técnico. Entre as temporadas de 1996/97 e 1999/2000 ganhou quatro títulos nacionais consecutivos e conquistou outras tantas Taças, um feito inédito em Portugal.
Em consequência do trabalho desenvolvido ao serviço dos tigres, onde se destacou pela mística que conseguia incutir nos seus jogadores, Ilídio Ramos foi convidado a assumir as rédeas da selecção principal, convite que coincidiu com o período de maior luta contra a doença que o apoquentava. Começou a desenvolver um trabalho de fundo, mas, já este ano, foi obrigado a abandonar...
No início desta época entregou o comando técnico do Sp. Espinho ao seu antigo treinador no Benfica, Fernando Luís, o técnico que, depois de vencer a ”final-four” da Top Teams Cup, dedicou o troféu àquele que considerou ser o principal obreiro e mentor do título conquistado. Ilídio Ramos era um guerreiro e neste último ano disputou o mais longo e difícil jogo da sua vida. Infelizmente, perdeu no último ”set”.
Humildade e coragem
Fernando Luís soube do falecimento de Ilídio Ramos através do nosso jornal e confessou-se chocado. ”Tinha uma enorme relação de amizade com o Ilídio e custava-me muito vê-lo na situação em que estava. Foi um grande exemplo de humildade ao longo de toda a sua carreira”.
Wagner Silva, que foi treinado por Ilídio Ramos no Sp. Espinho também estava transtornado com a notícia. ”Se hoje estou na Faculdade devo-o a ele, que me incentivou a voltar a estudar. Perdi um amigo. Não consigo dizer mais nada...”
Reacções
FILIPE VITÓ, treinador adjunto no Sp. Espinho: ”É um momento de grande tristeza. Pouco mais tenho a dizer... Foi um homem que muito fez pelo voleibol em Portugal, com quem tive o privilégio de trabalhar nos últimos dez anos, na selecção e no Sp. Espinho. Era um grande amigo”
VICENTE ARAÚJO, presidente da FPV: ”Foi com grande tristeza que recebi a notícia da morte do Ilídio Ramos. É uma enorme perda para o voleibol nacional, pois foi um jogador excepcional, e um treinador cujos resultados falam por si. É um momento de grande tristeza.”
SANDRO CORREIA, jogador do Sp. Espinho: ”Para mim era uma referência como treinador e como pessoa. Em momentos difíceis da minha vida aconselhei-me por inúmeras vezes com ele porque era meu confidente. Perde o voleibol, mas, principalmente todas as pessoas que estavam à sua volta.”
MIGUEL MAIA, jogador do Sp. Espinho: ”O desporto nacional ficou mais pobre... sobretudo o voleibol. Perdemos um treinador e, acima de tudo, um grande amigo, que ajudou toda a gente nos momentos mais difíceis. Era um grande mestre e será, sem dúvida, um exemplo a seguir.”
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