Jogadores de squash encetam boicote ao Nacional

O CAMPEONATO Nacional da 1ª categoria que se disputa, a partir de sexta-feira, no Algarve, não irá contar com a presença de alguns dos melhores atletas da actualidade que encetaram um boicote, em forma de protesto, pela súbita alteração do local da prova – inicialmente prevista para o Porto – , levada a cabo pela Federação Portuguesa de Squash (FPS).

Pelo menos cerca de vinte atletas decidiram não participar na principal prova do calendário nacional, entre os quais “estrelas” da modalidade como Paulo Martins, actual campeão nacional e líder do “ranking” português, Duarte Figueiredo (segundo do “ranking”), José Aguiar (vice-campeão de veteranos) e, no sector feminino, Kikas Barros (primeira do “ranking” feminino).

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A estes nomes juntam-se ainda os de Eduardo Pinheiro, Paulo Samagaio, João Caiano, Manuel da Costa e André Lima, entre outros.

Segundo José Aguiar, atleta e membro do Conselho de Arbitragem da FPS – mas que salienta o facto de “não participar numa reunião da federação há dois anos” –, a mudança do local da prova não tem justificação: “Não se pode mudar o Campeonato Nacional absoluto a quinze dias do seu início. Há jogadores que se treinam todo o ano, tendo em vista este torneio, e agora surge uma alteração de 700 km. Não há razão para esta mudança. Trata-se de uma escolha puramente discricionária”, acusa.

FALTA DE ACORDO

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De facto, tudo indicava que o Nacional se realizaria no Porto Aventino Squash Club (PASC), mas acabou por não haver acordo entre o clube e a Federação. Numa carta enviada pelo PASC ao líder federativo Filipe Rodrigues, e à qual Record teve acesso, o clube revela a sua surpresa pela mudança do local da competição.

”Surpreende-nos que tenha optado pela realização do Nacional no Algarve com um ’prize money’ de apenas 300 contos, quando tinha garantido pelo nosso clube um de 780 contos, saindo assim todos os participantes da prova bastante prejudicados. (...) Uma das razões do nosso desacordo estava no facto de o nosso clube pretender uma pequena comparticipação financeira para ajuda de custos na realização do Nacional, pretensão essa que foi negada por V. Exa. (...) O PASC não consegue entender esta vossa posição, pois ao lermos o projecto orçamental para o corrente ano da Federação verificamos que uma das variadíssimas despesas que lá se encontram estão destinadas aos Nacionais: 1800 contos. (...) O PASC realizou o Nacional de 3ªs categorias, com todas as despesas daí inerentes por sua conta e o de 2ªs categorias ainda não foi realizado.”

O referido documento é assinado por Eduardo Pinheiro, como representante do PASC.

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"ATLETAS LESADOS"

Duarte Figueiredo é outro dos jogadores que aderiu ao boicote “por solidariedade” e “por não concordar que se mudem o local dos torneios”.

”No final de cada época é acertado o Campeonato Nacional da temporada seguinte. Os jogadores escolhem o seu esquema de treinos, como forma de se prepararem adequadamente para a prova e estarem no pico da forma nessa altura. Já no ano passado os atletas saíram lesados pela alteração na data da competição. Agora, acontece o mesmo. Por outro lado, não é lógico que apareçam dois ou três torneios organizados pela Federação Portuguesa de Squash para justificar a falta de provas. O presidente inventa torneios à última hora para mostrar trabalho. Ora, isto não é lógico”, afirma o segundo classificado do “ranking” nacional.

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"ACTUAL DIRECÇÃO TERÁ DE SAIR"

A ausência dos melhores jogadores no Campeonato Nacional, que sexta-feira começa no Clube Amarilis, em Portimão, levantou outro tipo de questões, e José Aguiar, quando foi por nós contactado, vai mais longe e afirma estar “contra este tipo de gestão e métodos”, numa clara referência à gestão do actual presidente Filipe Rodrigues.

“Esta situação é grave. Os atletas têm de actuar contra isto e, de facto, o nosso movimento é irreversível. Nos últimos anos temos dado o benefício da dúvida à Direcção da Federação Portuguesa de Squash. Agora é para mudar e substituir o presidente. Mesmo as pessoas ligadas aos órgãos sociais da Federação estão divorciadas do organismo. A nossa posição é clara e com o boicote, mais ou menos eficaz, a Direcção vai ter de sair.”

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Record tentou contactar o presidente da FPS, Filipe Rodrigues, para que prestasse declarações sobre o assunto, mas, apesar da insistência, o líder federativo foi bastante lacónico nos seus comentários: ”O que tenho a dizer sobre o Campeonato Nacional foi dito na conferência de Imprensa realizada no início da semana no Clube Amarilis, onde vai decorrer a competição.

Vocês podem contactar as pessoas que estão ligadas à organização e obter todas as informações sobre o quadro de participantes. Sobre as ausências, não sei nem me compete a mim comentar. Vai ser um excelente campeonato”, disse Filipe Rodrigues.

ALEXANDRE CASTRO e NORBERTO SANTOS

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