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Manuel Brito reflete sobre o desporto em "livro de culto"

Rosa Mota com Manuel Brito
• Foto: DR

O antigo presidente da Autoridade Antidopagem de Portugal Manuel Brito defendeu hoje que não existem instituições verdadeiramente fortes "sem competência, transparência e ética", na apresentação do seu livro, em Lisboa.

"Na educação, no desporto, na administração pública ou na vida cívica, não existem instituições verdadeiramente fortes sem competência, transparência e ética. Não há liderança verdadeira quando se esquece o essencial: assumir responsabilidades é, acima de tudo, servir a comunidade", salientou.

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Manuel Brito discursava durante a apresentação de "Uma Vida entre Educação, Desporto, Cidadania --- Crónicas de uma vida pública", numa repleta (e até demasiado pequena) sala da Biblioteca dos Olivais, freguesia lisboeta onde vive, e que hoje foi ponto de encontro de dirigentes do passado e do presente do desporto nacional.

Definindo a apresentação do seu livro, uma intenção "adiada" pela intensa vida profissional, como "um momento marcante", recordou a sua trajetória profissional e associativa intrinsecamente ligada à Educação Física e ao desporto, em que desempenhou cargos como o de presidente do Instituto Nacional do Desporto ou de vice-presidente do Comité Olímpico de Portugal.

Membro fundador e antigo vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Educação Física, o também ex-vereador da autarquia da capital explicou que sentiu a responsabilidade de deixar registadas "experiências, reflexões e inquietações construídas ao longo de décadas na educação, no desporto, na administração pública e na vida cívica".

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"Este não é, por isso, um livro autobiográfico no sentido tradicional. Não procurei fazer um inventário de cargos, funções ou responsabilidades. Não pretendi construir uma narrativa de feitos pessoais. Procurei, antes, reunir ideias, memórias e reflexões sobre temas que sempre me acompanharam", elucidou.

"Uma Vida entre Educação, Desporto, Cidadania" cruza textos recentes com "um trabalho de revisão de arquivos pessoais acumulados ao longo de mais de cinquenta anos", com Brito, de 77 anos, a revisitar o passado "sem o transformar numa lenda" e olhar para o presente "sem perder a consciência do caminho percorrido".

"Sempre vi o desporto como muito mais do que espetáculo, competição ou resultado. Vejo-o como um espaço de educação, inclusão e cidadania. O desporto ensina-nos a respeitar regras, a trabalhar em equipa, a lidar com o esforço e com a disciplina. Ensina-nos a ganhar sem arrogância e a perder sem desistir", destacou.

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Presidente da ADoP até 01 de março de 2025, altura em que se reformou, Brito reconheceu também as 'sombras' existentes no desporto, como a violência, a discriminação, o abuso de poder ou o doping, exemplificados com casos concretos no seu livro, como o do 'terramoto' que levou à extinção da equipa de ciclismo W52-FC Porto, um caso em que esteve particularmente envolvido.

"Ao longo de mais de 50 anos de vida profissional, fui aprendendo que a qualidade das instituições depende, em grande medida, da qualidade humana de quem nelas exerce responsabilidades. A competência é indispensável, mas não basta", argumentou.

Para Manuel Brito, é necessária "honestidade para inspirar confiança, coragem para decidir quando seria mais cómodo adiar, bom senso para distinguir o essencial do acessório e ética para colocar os princípios acima das circunstâncias".

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"Aprendi igualmente que liderar não é exercer um privilégio, mas assumir uma responsabilidade perante os cidadãos", declarou, defendendo que é preciso "exigir instituições mais responsáveis, mais transparentes, mais competentes, mais éticas e mais próximas das pessoas".

Responsável por apresentar a obra, o jornalista Vítor Serpa definiu-a como "um livro de culto" e "um legado precioso de um dos mais legítimos representantes de uma geração de ouro de professores de educação física", que incluía, entre outros, José Manuel Constantino, o antigo presidente do Comité Olímpico de Portugal que morreu em agosto de 2024.

Serpa elogiou ainda "um homem de causas" e uma "obra organizada e pensada por um perfeccionista".

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No seu discurso deixou ainda "uma palavra de reconhecimento também ao jornal Record, pela autorização para integrar nesta obra textos publicados em 2002 e 2003. A inclusão desses textos permitiu-me recuperar reflexões de outro tempo e colocá-las em diálogo com o presente".

Por Record com Lusa
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