Helsínquia - Apesar de já ter 23 anos e de estar nos Europeus com reais possibilidades de conseguir o mínimo para os Jogos Olímpicos de Sydney (com um recorde nacional de 23.18 aos 50 m livres, está apenas a 18 centésimos do objectivo, que tentará concretizar no sábado), Pedro Silva é, paradoxalmente, um "rookie" ao mais alto nível. Tudo porque, em 1991, com 14 anos, decidiu que a natação (uma actividade saturante e desgastante) o impedia de ser um "teenager" normal, de "fazer as coisas que os meus amigos na altura faziam".
Durante o período de abstinência das piscinas, Pedro Silva seguiu um trajecto normal como estudante que o conduziu ao curso de Gestão de Empresas do ISCTE, onde frequenta o quarto ano. Mas a trajectória desportiva, essa, mais tarde ou mais cedo seria reatada, nem que fosse nas provas do INATEL, onde coleccionou vitórias que o reconduziram, no final da época transacta, à competição de "top" a nível nacional. Em Julho do ano passado, já integrado na equipa da Associação dos Bombeiros Voluntários dos Estoris e treinado por Mário Madeira, Pedro Silva fez os mínimos para os Nacionais de Verão e já em Dezembro estabeleceu o "crono" de 24,23. Em Maio, deu, então, o salto definitivo, ao bater o recorde nacional mais antigo (à altura) da natação nacional, que pertencia a Paulo Trindade, desde 1991, com 23,42. Silva chegou aos 23,18, mínimo para os Europeus e catalisador do sonho olímpico, afinal, o motivo de um regresso para continuar, mesmo que a presença em Sydney não seja assegurada. "Os Jogos Olímpicos é que me têm motivado para abdicar de muita coisa e treinar duas vezes por dia, mas, de qualquer forma, os objectivos para a próxima época já estão traçados e passam pelo Mundial do Japão".
Terça-feira, Pedro Silva teve uma passagem ultradiscreta pelos 100 m livres (46º, entre 55 participantes, mas com um bom tempo de passagem aos 50 m, afinal o objectivo prioritário na competição finlandesa), a prova de "aquecimento" para o verdadeiro desafio de sábado: anular os 18 centésimos que ainda impedem de concretizar uma reentrada em cena em "tempo recorde".
SIMÃO «LIDERA» SELECÇÃO DE SURF
Para além das reconhecidas qualidades como nadador (designadamente como mariposista), Simão Morgado desenvolveu outra actividade desportiva paralela que encara com evidente entusiasmo, o surf. Há dois anos que o atleta do Clube de Natação da Amadora se dedica à modalidade para, reconhece, "desenjoar" das piscinas e "fugir ao stress" em geral. Quase na mesma altura, Nuno Laurentino começou, igualmente, a "rasgar" as ondas e, entretanto, a dupla iniciática já conseguiu recrutar, entre a equipa presente na Finlândia, mais um elemento: o costista Mário Carvalho, que se iniciou no contacto com a prancha precisamente numa das "pátrias" do surf, a Austrália, durante o estágio recentemente efectuado em Sydney pelos atletas já apurados para os Jogos Olímpicos.
Uma verdadeira selecção paralela que, sem sair do meio natural (a água), desenvolve outras capacidades, sempre a vertente desportiva.
JOANA LOPES «SUSPENSA»
Joana Lopes, a multifacetada nadadora-praticante de pólo aquático-professora de educação física, pode ter de abdicar, no próximo ano lectivo, da prática de uma ou mesmo das duas modalidades desportivas. É que a atleta do FC Porto (natação) e Estrela e Vigorosa Sport (pólo) ainda não sabe onde será colocada (este ano, esteve na Escola Secundária Inês de Castro, em Gaia) e dessa indicação "superior" estão dependentes as opções que vier a tomar. Entretanto, segunda-feira, Joana Lopes não foi além do 35º registo nas eliminatórias dos 100 m bruços, embora tenha melhorado a sua marca pessoal para 1.15,03. Esta prova veio, no entanto, por arrastamento, já que Joana conseguiu mínimo para os Europeus nos 50 m, uma prova que disputará quarta-feira e onde tentará melhorar o seu recorde nacional. Mesmo assim, a (falta de) de política desportiva no que diz respeito aos atletas de alto rendimento continua a gerar casos assim, em que o desporto pode ter de ser descartado em detrimento de uma carreira profissional noutra área. Não seria possível, com um mínimo de organização, conciliar as duas coisas... no interesse nacional?
RAQUEL FELGUEIRAS RECUPERADA
Raquel Felgueiras já retomou os treinos a cem por cento, depois dos problemas (vómitos e diarreias) que a afectaram durante a viagem e que impediram de dormir na primeira noite em Helsínquia. Domingo, a atleta foi observada pelo médico da competição e, até agora, a medicação revelou-se eficaz. A atleta do Sp. Braga afirma que ainda se sente "bastante cansada", mas já deixa escapar um sorriso próprio de quem sabe que o pior já passou, manifestando, ainda, a convicção de que os problemas referidos não afectarão a "performance" de amanhã (nos 100 m mariposa) e, essencialmente, de sábado quando perseguirá, juntamente com a sportinguista Ana Marta Rezendes, o mínimo para Sydney nos 200 m mariposa.