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O SPORT Algés e Dafundo (SAD) apresentou na passada semana uma "superequipa" de natação que tudo indica irá dominar por completo a modalidade no nosso país.
Um clube cujo futuro em Agosto era incerto, tantos os problemas financeiros com que se debatia, consegue no espaço de mês e meio criar condições para manter os atletas que poderiam sair e atrair outros de grande nível.
O segredo foi uma união com uma empresa, da área da informática/desporto, a Infordesporto, algo ímpar no nosso país. Os benefícios são evidentes para a secção de natação do SAD (IDSAD).
A ligação, a ser bem sucedida, pode ainda atrair investimentos privados para outros clubes com modalidades amadoras, tornando-se na salvação para muitos.
No final de Agosto, o SAD era um clube sem dinheiro, em risco de ver partir os seus melhores nadadores. Em Outubro, depois de passar todo o mês de Setembro a estudar a proposta apresentada pela Infordesporto, os horizontes eram outros: dominar a natação nacional.
"Mais uma vez, uma iniciativa desta natureza chega a Portugal com 30 ou 40 anos de atraso. Seria bom que mais empresas tivessem sensibilidade para abraçar projectos desta natureza chamando a si clubes que sempre trabalharam na alta competição. É talvez um bom exemplo para outras empresas e ficaria muito contente que fosse a 'pedrada no charco' que falta", diz Antas de Barros, presidente do SAD.
Para Antas de Barros este projecto é o que faltava para "o SAD fazer mais e melhor na natação. Era bom que iniciativas semelhantes se estendessem a outros clubes e a outras modalidades. A verdade é que se nunca se fizer uma experiência desta natureza leva a que as pessoas, quando se inicia a primeira, tenham algum medo. Julgo que esta empresa vai chegar a algumas conclusões e uma delas é que, efectivamente, vale a pena financiar projectos desta natureza".
Sem revelar números das verbas envolvidas, "posso só assegurar que estão em causa alguns milhares de contos", o presidente do SAD adianta que "o clube passa a ter verbas que lhe permitem programar a natação num horizonte de quatro anos e equacionar que alguns dos atletas estejam presentes nos próximos Jogos Olímpicos".
ESTRUTURA MANTÉM-SE
O projecto não vai provocar alterações de monta na estrutura da natação do SAD. O clube reforçou-se com atletas e com o técnico Mário Madeira (antigo atleta do SAD), que veio da Associação dos Bombeiros Voluntários dos Estoris, mas a secção funcionará da mesma forma.
Alterações só no futuro: "A futura direcção terá um representante de cada uma das grandes modalidades do clube", explica o presidente.
No entanto, no organograma apresentado há um cargo que ainda não está atribuído, o de coordenador técnico-manager da equipa de natação: "Penso que a empresa que financia o projecto gostaria de contar com a colaboração do professor Paulo Frischknecht. Não sei se já acordaram alguma colaboração, mas penso que ambas as partes estão interessadíssimas em colaborar com o Algés neste projecto", refere Antas de Barros.
VALORIZAR O PRESENTE APOSTANDO NO FUTURO
Ao longo dos últimos anos a solução tem passado, na maior parte das vezes, pela “contratação” de atletas já formados a outros clubes, com o mérito, reconhecido, de conseguir que eles atinjam toda a sua potencialidade no novo clube.
O mais histórico e mítico clube português de natação tem tido na passagem de testemunho das diferentes gerações um dos seus maiores problemas, pela cada vez mais modesta escola de natação, que não tem conseguido formar jovens capazes de dar continuidade aos sucessos dos históricos do clube.
Ao longo dos últimos anos, a solução tem passado, na maior parte das vezes, pela “contratação” de atletas já formados a outros clubes, com o mérito, reconhecido, de conseguir que eles atinjam toda a sua potencialidade no novo clube.
Assim aconteceu, e só para referir olímpicos, com Miguel Cabrita (esteve em Barcelona'92 e Atlanta'96) e Miguel Arrobas (Barcelona'92), ou com o mais destacado nadador do clube nos últimos 10 anos, Nuno Laurentino (olímpico em Atlanta'96 e Sydney’2000), formado no Clube TAP e promovido ao estatuto de internacional no Benfica, de onde saiu no final de 1994.
Esta deficiência ao nível da formação reflecte-se, por exemplo, no número de nadadores apurados para o Europeu Júnior. Nos últimos anos, têm sido raros os jovens do clube a conseguir estar nesta importante competição (em 2000 não esteve nenhum no Europeu de Dunquerque), onde o Algés também tem tradições, pois foi um atleta do clube, Paulo Frischknecht, o primeiro a alcançar uma medalha na competição (prata em 1976), e Petra Chaves a primeira mulher a chegar ao pódio (bronze em 1993).
O Algés sabia, pois, que para um projecto tão ambicioso como este, ter “pernas para nadar”, era necessário dar mais consistência à desfalcada equipa, onde, por exemplo, além dos inevitáveis Nuno Laurentino (multicampeão) e Ricardo Pedroso, só mais quatro nadadores chegaram ao pódio nos últimos Campeonatos Absolutos de Portugal (Julho), num total acumulado de 11 atletas a atingir as finais.
Assim, a transferência em massa da importante equipa dos Bombeiros dos Estoris, que acompanharam o treinador Mário Madeira, veio permitir dar corpo ao projecto de liderar ao nível colectivo a natação portuguesa nos próximos anos.
Com o “torpedo” português Pedro Silva (além de recordista nos 50 m livres é, ainda, bom nos 50 e 100 m bruços e 50 m mariposa), e Rita Catarino (especialistas nos 50 e 100 m bruços), o Algés e Dafundo ganha novo fôlego, continuando em aberto a aquisição do ex-sportinguista José Couto, que viria colmatar um dos pontos fracos da equipa masculina, o estilo bruços.
AS ESTRELAS DA EQUIPA
NUNO LAURENTINO, o capitão
O objectivo de alcançar uma meia-final nos Jogos Olímpicos, traçado a um mês da competição, não passou de um sonho que se viria a tornar num pesadelo em Sydney, onde ficou em 28º lugar nos 50 m costas (56,95), muito aquém do seu recorde nacional absoluto, alcançado em 1995.
Nome: Nuno Laurentino
Data de nascimento: 03/08/1975
Treinador: Paulo Frischknecht
Palmarés: É um dos portugueses mais eclécticos de sempre (com o olímpico Rui Borges), assinando 13 dos 33 recordes nacionais individuais em ambas as piscinas: em 25 metros possui nove máximos (100 m livres, 50, 100 e 200 m costas; 50 e 100 m mariposa; 100, 200 e 400 m livres) e em 50 metros possui quatro (100 m livres; 50, 100 e 200 m costas; e 200 m estilos).
Melhores classificações na época passada: na principal competição antes dos Jogos Olímpicos, o Campeonato da Europa de Helsínquia (Julho), foi quinto classificado nos 50 m costas, com 26,13, a segunda melhor posição de sempre, depois do segundo lugar de Alexandre Yokochi (1985) e a par do quinto lugar de José Couto, há três anos. Tanto nos 100 como nos 200 m costas foi 21º, com 57,33 e 2,05.51, respectivamente. No Open de Espanha (Abril) foi segundo nos 50 m (26,19) e terceiro nos 100 m (56,75). No Campeonato da Europa de piscina curta, em Lisboa, em Dezembro de 1999, foi quinto, novamente nos 50 m costas.
Nos Jogos Olímpicos: 28º (56,95) nos 100 m costas.
PEDRO SILVA, o «Torpedo» luso
É, até ao momento, o principal reforço da equipa para esta época, vindo dos Bombeiros dos Estoris. Olímpico em Sydney, saiu do fundo das classificações nacionais para a notoriedade no espaço recorde de uma época. Possui o recorde nacional absoluto dos 50 m livres em piscina olímpica, sendo o primeiro português a nadar em menos de 23 segundos (22,92). É, igualmente, bom nas provas curtas de bruços e mariposa.
Nome: Pedro Silva
Data de nascimento: 21/01/1977
Treinador: Mário Madeira
Palmarés: Alcançou o seu primeiro recorde nacional nos 50 m livres apenas em Maio, no dia 20, e logo com uma marca (23,18) que apagou da tabela um dos mais antigos máximos que pertencia a Paulo Trindade, com 23,42 desde 1991. O segundo recorde foi obtido com 23,06, em 27 de Julho, nos Campeonatos de Portugal, no Restelo, enquanto o actual recorde e mínimo de 22,92 foi alcançado no dia seguinte (28 de Julho) nas eliminatórias dos nacionais.
Melhores classificações na época passada: na sua primeira chamada à selecção nacional, em Maio (Sheffield), foi sexto na final com 23,21, Na estreia numa grande competição internacional, o Campeonato da Europa de Helsínquia, foi apenas 27º com 23,31.
Nos Jogos Olímpicos: 36º (23,27) nos 50 m livres.
RICARDO PEDROSO, simples e eficaz
Especialista nos 200 m livres, é também bom nos 400 m livres e nas provas de costas. Com Laurentino foi o representante do clube em Sydney nos 200 m livres, onde é o dominador a nível nacional desde há dois anos.
Nome: Ricardo Pedroso
Data de nascimento: 23/03/1973
Treinador: Paulo Frischknecht
Palmarés: Já possuía o máximo dos 200 m livres (1,52.69) quando colocou a marca em 1,52.29 nos Campeonato da Europa de Helsínquia, no início de Julho. Nos Campeonatos de Portugal surpreendeu pela boa forma, ao baixar o recorde absoluto para 1,52.15. Detém ainda o máximo dos 200 m livres em piscina de 25 metros. Foi sétimo no Open de Espanha (Abril), com 1,54.69 (1,53.78 na eliminatória), e 20º no Campeonato da Europa de Helsínquia com 1,52.29.
Nos Jogos Olímpicos: 25º (1,52,60) nos 200 m livres.
OS RESTANTES ATLETAS
Duarte Mendonça, Petra Chaves, Rita Catarino, Inês Águas, Ana Cabral, Susana Castro, Ricardo Macedo, Diana Chaves, Rodolfo Pinto, Pedro Costa, Marco Novo, Marlene Santos, Joana Marques, Ricardo Nascimento, Nuno Ruas, Tiago Fernandes, João Matias, Filipe Santos, Inês Rocha, Inês Barão,
Luísa Neves, Tiago Laranjo, Tiago Barroso, Ana Magalhães, José Morgado, Bruno Miranda, João Matos, Joana Reis, Marta Caetano, Joana Marques, Ana Colaço, Sofia Brites, Charly Blanchard, Gustavo Neves, Duarte Ferreira, Catarina Brandão,
Patrícia Matos e Ana Santos