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Paulo Pereira já focado no futuro: «Sabemos que trabalhamos com sonhos sempre a prazo»

Na chegada da Hungria após a participação no Pré-Olímpico, onde Portugal não conseguiu o tão ambicionado apuramento para Paris'2024, o selecionador Paulo Pereira fez o balanço da participação lusa e já aponta para o futuro.

"Nós vamos aprendendo a viver com estes altos e baixos, mas não sei se isto foi um baixo. Nós irmos à Hungria competir da maneira que competimos contra a equipa da casa, era uma circunstância que podia acontecer", começou por dizer o treinador, no aeroporto do Porto. "No caso de nós não vencermos o primeiro jogo contra a Noruega que foi o que se viu, a Noruega é uma das melhores equipas do mundo, mas estivemos até ao final a combater", lembrou.

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"Depois esta circunstância que podia acontecer que era ter que ganhar à equipa da casa no último jogo, à diferença do que aconteceu em Montpellier em 2021, nós ganhámos à equipa da casa no último jogo mas eles não precisavam de ganhar, enquanto que a Hungria tinha mesmo que ganhar, nós se empatássemos também nos servia", disse sobre o encontro decisivo diante dos magiares, na terceira e última ronda.

"Nós sabemos que trabalhamos com sonhos sempre a prazo, acabam logo aí, vamos já pensar noutro e aquilo que nós pedimos a todos antes de entrar naquele pavilhão cheio de húngaros foi que precisávamos de ter presença, que é autoconfiança sem arrogância. Foi isso que mostrámos e tivemos", comentou.

"No jogo houve uma série de circunstâncias que aconteceram na segunda parte quase ao mesmo tempo, uma série de lesões pontuais que são fáceis de recuperar mas limitaram o plano de jogo estabelecido, tivemos de fazer trocas que não estavam previstas, depois foi um amontoar de situações. Os árbitros estiveram excelentes na primeira parte e permitiram contactos normais quando falamos de jogar na Hungria. Foram os mesmos árbitros com quem nós nos apuramos para os Jogos Olímpicos anteriores. Eles apitam o que vêem", descreveu.

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"Sinto-me muito orgulhoso deste grupo, mais uma vez agora podemos falar do quadro que está mal mas olhamos e culpamos a moldura. Há orgulho mas também estamos tristes porque somos ambiciosos e corremos esse risco no final. Uma coisa que nunca vamos fazer é dizer 'vamos fazer o melhor possível', isso acabou. Queres ir jogar vamos jogar, mas é para combater e nós fomos para combater", atirou Paulo Pereira, comentando depois o facto de Portugal ter o jogo com a Hungria aparentemente  controlado até aos últimos 8/10 minutos.

"Foi um jogo de circunstância, depois fomos menos eficazes e tudo junto dá um resultado negativo. Jogamos contra o 5.º classificado do último europeu (Hungria) em casa deles. Nos últimos 4 anos jogamos 4 vezes contra a Hungria, ganhámos 2 e perdemos 2 só que as que perdemos foram em casa deles. Uma com 22.000 espectadores e ontem com 7 mil. Tenho que agradecer aos 30 portugueses que estiveram lá e se ouviam no meio da multidão. Para nós é um orgulho enorme ter gente ainda que pouca por não haver dinheiro suficiente, nem disponibilidade nesta altura do ano", aplaudiu.

A Seleção continua com dificuldades em fazer o fácil, como já referiu no passado?

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"Sim, por vezes, aconteceu isso no domingo. Houve ali algumas coisas aparentemente fáceis de fazer que nós não fizemos, alguns detalhes. Houve coisas que podíamos ter feito um bocadinho melhor. Faz parte do dia a dia do jogo de alto rendimento. Estou bastante triste mas bastante orgulhoso ao mesmo tempo, é este sentimento. Há coisas que acontecem durante o jogo que fazem com que no final possamos vencer, não foi o caso desta vez", sublinhou, antes de apontar para o futuro.

"Já estamos a pensar na 7.ª qualificação consecutiva. Somos favoritos. Temos a desvantagem de ser o 2.º jogo lá, novo treinador, não sei muito bem como é que eles vão abordar o jogo por não conhecermos o treinador e a forma de pensar vamos focar nos na observação dos jogadores mais do que na equipa. Apontar tudo para que no jogo em casa seja um jogo em que aí sim, façamos bem o fácil e sermos mais eficazes em tudo", sublinhou: "Temos muito respeito pela Bósnia, mas vamos atacar essa 7.ª qualificação".

 

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Na viagem para a Hungria, disse sonhar com uma receção caótica no aeroporto. Acredita que é um sonho adiado? "Acredito. Algum dia poderá vir a acontecer, ter uma modalidade que não seja o futebol onde isso possa acontecer. Seria extraordinário, não só para o andebol mas para outras modalidades. É sempre muito bonito chamamos à atenção e as pessoas dizerem 'vou lá receber aquela malta porque eles merecem'", afirmou.

SÉRIE DE NETFLIX A CAMINHO?

A Seleção merecia uma receção mais calorosa? "Nós tivemos uma abordagem da Netflix para fazer um documentário, não sei se posso dizer mas está dito. O documentário seria feito por irmos duas vezes aos Jogos Olímpicos. O que lhes disse foi que duas vezes num torneio pré olímpico já dava para fazer uma série da Netflix. Porque duas vezes num torneio pré olímpico implica ficar no top 8 de um Europeu ou Mundial no ano olímpico, se isto é pouco num país como Portugal que só tem um pavilhão que cumpre os pré requisitos para organizar um Campeonato da Europa eu nao sei em que mundo é que vivemos..."

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Mas vai ser feita na mesma a série? "Não sei, mas disse-lhes que haviam mais que ingredientes para fazermos algo porque acho que é interessante o que temos feito. Não só nós, temos feito bastante com pouco, mas há mais casos em Portugal em que isto acontece", finalizou.

Por José Santos
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