PEDRO Gama foi um dos jogadores-referência na melhoria qualitativa do andebol português. Durante grande parte da última década, o exuberante central liderou uma equipa do Benfica que dava espectáculo e, rapidamente, conquistou um lugar na selecção, somando dezenas de internacionalizações e marcando presença nas fases finais do Europeu 94 e Mundial 97. Curiosamente, foi ao serviço da turma das quinas – num encontro ante a Roménia – que o atleta contraiu uma segunda lesão num ombro (voltou a ser operado), uma situação que, associada à suspensão da secção do Benfica, em 1997, o levou a colocar um ponto final na carreira.
Não jogou na época seguinte, mas, depois, não resistiu à paixão pela modalidade e ao apelo do “seu” treinador de sempre, Ângelo Pintado, e regressou pelo Olivais e Moscavide. No último fim-de-semana, cumpriu o primeiro encontro na I Divisão (de elite) desde o “fúnebre” ABC-Benfica de 1997 e, apesar das longas ausência dos grandes palcos, quer, aos 29 anos, retomar o nível atingido antes das lesões.
“Esta época estou a dedicar-me a 100 por cento ao andebol. “Meti’ uma licença sem vencimento no emprego e treino duas vezes por dia. Tenho uma imagem a defender e não quero fazer má figura. Por isso, uma das premissas que coloquei ao Olivais e Moscavide foi a possibilidade de me serem dadas condições para trabalhar em ‘full-time’”, explica Gama.
“Como o Vinho do Porto”
“Jogar na I Divisão está longe de ser uma novidade para mim, mas, neste momento, ainda estou a saborear a alegria do regresso após uma ausência tão longa. Tenho 29 anos, mas, em termos psicológicos, sinto-me como se tivesse 18... Sei que não poderei ter a mesma exuberância física de há alguns anos, mas posso compensar com a experiência, tanto da vida em geral, como do andebol em particular, para voltar a jogar ao melhor nível. Há casos em que se aplica a ‘teoria do Vindo do Porto’ – quanto mais velho melhor. Gostaria que fosse esse o meu caso”, explica, com a boa disposição que sempre o caracterizou.
Para além dos objectivos competitivos que pretende atingir com a retoma do “profissionalismo”, Pedro Gama pretende, ainda, apurar se os problemas no ombro estão totalmente ultrapassados. Se assim for, “podem contar com o ‘velho’ Pedro Gama”, garante.
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