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Sabaté, treinador do Wisla Plock, acusado de racismo por Talant Dujshebaev

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Insultos entre técnicos após o clássico entre os maiores rivais na Polónia

O andebol polaco está a viver momento complicado por causa da rivalidade entre o Kielce e o Wisla Plock, duas das melhores equipas europeias, representadas na Liga dos Campeões.

O Kielce, campeão europeu de 2016 e 12 vezes consecutivas vencedor da liga do país até 2023, voltou a perder (25-29), pela quinta vez seguida, com o campeão em título, atual adversário do Sporting no Grupo A da Champions, e o jogo não acabou nada bem.

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Foi um escândalo, após 21 exclusões de dois minutos e duas advertências, um cartão vermelho e um azul; este último para Jorge Maqueda, do Kielce, por supostamente morder um rival.

Os espanhóis Talant Dujshebaev, treinador do Kielce, e Xavier Sabaté, técnico do Wisla Plock, também travaram-se de razões, com palavras insultuosas no final da partida e a caminho dos balneários, tendo desabafado com os jornalistas da Marca.com.

Dujshebaev diz que se sentiu incomodado, por causa de alegado discurso racista de Sabaté: "Antes do intervalo, uma parte dos adeptos do Wisla começaram a cantar m... negra para Dylan Nahi [andebolista francês]. Ele [Sabaté] aproximou-se e não me deixou falar com o delegado. Perguntei, 'o que é que se passa?' Então ele insultou-me, chamando-me 'chinês de m...'" 

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O treinador do Kielce nega as acusações de Sabaté, sobre uma alegada cuspidela: "Deveria provar se cuspi nele, fiz o gesto de desprezo porque ele é um coitado pelos comentários que me fez. Em termos gerais, insultaram-me onde dói. Chamar-me de 'chinês de m...' é racismo."

 

Sabaté defendeu-se, revelando que vai apresentar queixa nos tribunais: "É a sétima época que estou no Wisla Plock e já vi desde a primeira que o treinador do Kielce é uma pessoa que nunca consegue controlar as emoções. Tudo tem um limite. Cada um defende o seu clube, os seus jogadores, tenta vencer, mas o que acontece no jogo é uma coisa e quando acaba, o que aconteceu, é inaceitável. No final ele me disse: 'Filho da p..., vou te matar.' Agarrou-me pelo pescoço com a mão e cuspiu na minha cara. Terá que justificar isso em tribunal. Não posso aceitar isso. Nunca aconteceu nada parecido comigo."

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O técnico do Wisla Plock, equipa que perdeu (24-29) recentemente com os leões no João Rocha, afirmou que não ouviu insultos racistas contra Nahi por parte dos adeptos do Wisla: "Não ouvi nenhum insulto. Estou muito surpreso porque aqui na Polónia não vi nenhum racismo, também é verdade que não há muitos estrangeiros, mas não posso dizer sim ou não, porque eu não ouvi nada. Para mim é uma 'propaganda falsa'. A questão do racismo está na moda. Contratámos o Richardson para o próximo ano, com isso conto tudo para vocês, jogadores negros já passaram por aqui, meus melhores amigos são estrangeiros", concluiu Sabaté.

O Wisla Plock emitiu um comunicado a dizer que vai avançar para os tribunais por causa dos insultos de Djushebaev a Sabaté, enquanto o Kielce também emitiu uma missiva, revelando que vai pedir explicações à liga, patrocinada pela Orlen, maior empresa da Polónia e proprietária do Wisla Plock: "Este tipo de comportamento e ataques racistas ou étnicos são inaceitáveis no desporto profissional ao mais alto nível. Pedimos às autoridades competentes da liga uma explicação detalhada da situação que nunca deveria ter acontecido."

Por Alexandre Reis
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