Sandra Fernandes: «Primeira dificuldade é entrar no balneário»

É a primeira mulher a comandar projeto de equipa masculina na 1.ª Divisão...

Sandra Fernandes: «Primeira dificuldade é entrar no balneário»
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Sandra Fernandes tornou-se a primeira mulher a ser escolhida para treinadora de uma equipa da 1.ª Divisão – há cinco épocas, Ana Sobral, responsável dos minis do Benfica, chegou a orientar os encarnados, mas apenas momentaneamente, devido a impedimento da equipa técnica principal. Ontem, na sua apresentação oficial, Nina, como é conhecida na “família” do andebol português, disfarçou mal alguma emoção nas suas primeiras palavras enquanto treinadora do Madeira SAD.

“Nos últimos meses, vivi uma quantidade de emoções muito grandes. Não foi um ano fácil, mas trouxe-me uma das maiores alegrias e a concretização de um sonho. Ponderei muito sobre este desafio, falei com as pessoas que me dizem algo – a família –, mas não podia recusar, porque o Madeira SAD merece todo o respeito e, neste momento de dificuldade, não poderia deixar de abraçar um projeto que tem a ver com a ilha que me acolheu. Dentro das minhas capacidades e sabendo das dificuldades, darei sempre o meu melhor”, prometeu a sucessora de Aleksander Donner, recentemente falecido, sublinhando que acumulará este cargo com o de treinadora da Seleção Nacional feminina de Sub-17, que disputará o Mundial em 2014. “Só aceitei este desafio mantendo o compromisso que tenho com a Federação”.

Preparada

Sandra Fernandes sente-se preparada para entrar num universo masculino. “A primeira dificuldade será entrar no balneário, mas para isso terei a ajuda do Duarte Filipe [adjunto]”, riu-se. “Não é normal uma mulher aceitar um desafio num mundo 100 por cento de homens mas… por que não? Se não aceitasse nunca poderia saber o que daqui poderá advir”, contrapôs, sem colocar qualquer fasquia: “O objetivo será sempre estar, neste clube e no andebol, de forma muito digna. De falta de trabalho nunca irão acusar-me. Espero corresponder às expectativas de quem confiou em mim”.

Quanto às possibilidades da sua nova equipa, a treinadora foi concreta: “O que está estabelecido é a permanência. Não tenho dúvidas da capacidade dos jogadores, que são lutadores e ambiciosos”.

A assunção do cargo no Madeira SAD obrigou à celebração de um protocolo com a Associação de Andebol da Madeira, onde Sandra Fernandes desempenhava funções de diretora técnica. O acordo recorda o “trágico falecimento de Aleksander Donner”, que desencadeou este processo, e alude à “impossibilidade em tempo útil de providenciar uma equipa técnica”.

Plantel encara opção do clube com entusiasmo

Gonçalo Vieira, um dos jogadores mais antigos do Madeira SAD, acolheu a opção com naturalidade. “É uma situação inédita, mas para os jogadores mais novos não é novidade. Aliás, alguns já foram treinados pela Nina. Para os mais velhos, é uma questão profissional. É um treinador, não interessa se é homem ou mulher. Para já, o primeiro treino correu muito bem e estamos entusiasmados”, relevou o “capitão”, de 32 anos. “Ela está consciente das dificuldades e das nossas limitações, mas conhece bem o andebol e saberá potenciar as nossas capacidades”.

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