Super-Andorinho é destaque na modalidade
Ricardo Andorinho, andebolista do Sporting, marcou recentemente 16 golos num jogo das competições internacionais. Algo invulgar que é relativizado pelo atleta, mas que confirma a sua espantosa evolução. Aos 24 anos, Andorinho é considerado um dos melhores andebolistas portugueses
A EVOLUÇÃO de Ricardo Andorinho é algo que merece atenção especial. Aos 24 anos, o ponta-esquerda do Sporting é um dos melhores andebolistas portugueses - alguns atrevem-se mesmo a dizer que é o melhor -, merece, invariavelmente, o destaque nos jogos da sua equipa e, na última partida internacional (Taça EHF), apontou 16 [10 em contra-ataque] dos 30 golos com que os leões bateram o CB Cantábria, um feito que não está ao alcance de qualquer um.
Sem se deixar impressionar pelo facto, Ricardo Andorinho, confirmando uma das características apontadas por treinadores e companheiros de equipa, a humildade, renega o protagonismo e aponta razões de âmbito mais vasto para explicar o sucesso pessoal.
"É uma questão de Sporting e do que tem sido o fio de jogo da equipa, da sua principal arma, que é o contra-ataque. Temos conseguido explorar muito o contra-ataque devido à grande capacidade defensiva. Os 16 golos vêm na sequência disso. São coisas anormais, só mesmo por haver essa eficácia defensiva é que se conseguem tantos contra-ataques e hipóteses de finalizar", refere o jogador.
Chegado ao Sporting na época 1994/95, oriundo do Évora AC, com apenas 18 anos, Ricardo Andorinho teve vários treinadores que o ajudaram a evoluir e, principalmente, nos primeiros tempos, a adaptar-se a uma realidade bem diferente da que vivia em Évora. "O choque foi grande, mas depois as coisas aconteceram naturalmente e não houve grandes problemas", diz o jogador. Daí ao título de melhor marcador do campeonato da I Divisão na temporada passada (188 golos, mais cinco que Carlos Resende) parece ter sido apenas um pequeno passo.
Mas não foi assim. As lesões - especialmente aquela que o impediu de actuar na fase final do Europeu deste ano - impediram-no de estar já uns passos mais à frente. "No desporto de alta competição é necessário ter acima de tudo uma grande força psicológica para se poder encarar estas situações com alguma normalidade. Por me ter acontecido algumas vezes, já tenho essa capacidade mais apurada, mas a verdade é que isto faz parte da nossa vida", explica.
Esforço, dedicação...
"Todos trabalhamos com o propósito de ajudar o Sporting a ganhar todos os jogos. Sempre me preocupei em melhorar, mas esse é o objectivo de qualquer atleta. É claro que exijo muito de mim próprio e ainda há outro tipo de problemas que são as lesões, a desmotivação que provocam e o trabalho de ginásio que está por trás e é necessário fazer para por um atleta em condições físicas para poder jogar. Só com um grande trabalho a nível físico e psicológico é que é possível estar na alta competição", sublinha Ricardo Andorinho.
Sobre os efeitos que uma transferência para um clube de um campeonato mais competitivo poderia ter na sua evolução, o jogador refere de forma sensata: "Há tantos condicionamentos. A minha evolução tem muito a ver com a capacidade que tenho para me concentrar em determinadas coisas que faço. É claro que ao pé dos melhores do mundo se calhar há maior facilidade para evoluir, mas outra coisa é a questão de jogar num campeonato diferente com outras características. É complicado dizer que atingi um nível em que o campeonato português já não tem espaço para mim."
QUEM É QUEM
NOME: Ricardo Andorinho
DATA DE NASCIMENTO: 14/11/1976
NATURALIDADE: Évora
CLUBES: Évora AC (de 1989 a 1994) e Sporting (desde 1994/95)
ALTURA: 1,83 m
PESO: 84 kg
POSIÇÃO: ponta-esquerda