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Foi um dia histórico para Portugal este domingo em Torun, na Polónia, com a conquista de três medalhas na última jornada dos Mundiais de atletismo de pista curta: ouro para Agate de Sousa e Gerson Baldé no salto em comprimento, prata para Isaac Nader nos 1500 metros. Agora, são 20 os pódios nacionais nesta competição, e subiram de um para três em relação à edição de 2025, quando Patrícia Silva foi bronze nos 800 metros.
O domingo começou logo com boas notícias, com a atleta do Benfica a saltar para o título mundial com 6,92 metros na sua quinta tentativa e para se tornar na segunda portuguesa a chegar à medalha na disciplina, depois de Naide Gomes o ter feito por três vezes: ouro em 2008 e prata em 2006 e 2020. A antiga atleta detém ainda o recorde nacional absoluto, com 7,12 metros.
Agate de Sousa nasceu há 25 anos em São Tomé e Príncipe e tem como recorde pessoal 7,03 metros ainda como são-tomense, sendo que em 2024 foi bronze nos Europeus ao ar livre. Este ano, em estreia absoluta em Mundiais indoor, a saltadora subiu a fasquia para chegar ao ouro. Superou a campeã europeia de pista curta, a italiana Larissa Iapichino (6,87), e a colombiana Natalia Linares (6,80).
Baldé de ouro e recordista
Para a final da tarde estava reservada a conquista de mais uma medalha de ouro na Polónia e na mesma disciplina, o salto em comprimento.
Gerson Baldé começou logo a dar o mote, ao saltar para o 2º lugar (8.17 metros), mas foi depois descendo na tabela consoante os adversários iam fixando melhores marcas. Chegou a estar em quinto durante muito tempo, até que na última tentativa, o atleta do Sporting saltou 8.46 metros. Ainda faltavam alguns adversários cumprirem o último ensaio, nomeadamente Mattia Furlani, mas este não fez melhor, pelo que o ouro seria de novo para Portugal. O italiano terminou em segundo, com 8.39 metros, sendo que búlgaro Bozhidar Saroboyukov fechou o pódio com 8.31 metros.
Após ter sido 4º nos Europeus indoor em 2025, o algarvio, natural de Albufeira, de 26 anos, conquistou ontem a medalha de ouro com a melhor marca mundial do ano, sendo o primeiro título mundial para Portugal no salto em comprimento masculino, depois do bronze de Carlos Calado em Lisboa’2001.
Baldé fixou ainda um novo recorde nacional, mais 14 centímetros do que a sua anterior melhor marca, alcançada este ano e que ainda estava por homologar. Supera também, em 10 centímetros, o recorde nacional ao ar livre de Carlos Calado em 1997.
"Erros pagam-se caros", diz Nader
Isaac Nader podia ter feito história em Torun, ao tornar-se no primeiro atleta, após 1997, a conquistar, de forma seguida, os títulos mundiais ao ar livre e indoor nos 1500 metros. Mas “alguns erros” impediram o meio-fundista do Benfica de chegar à medalha de ouro este domingo.
“Acho que neste momento não é fácil ganhar-me, mas a minha estratégia não era, realmente, o que acabou por acontecer e, a este nível, há alguns erros, dois ou três, que se pagam caro no final”, admitiu o atleta natural de Faro, que foi vice-campeão com 3.40,06 minutos, cedendo para o espanhol Mariano Garcia, que venceu em 3.39,63 minutos. O neozelandês Adam Spencer fechou o pódio com 3.40,26. “Sabia que, se não entrasse à frente, provavelmente ia ter problemas”, explicou Nader, mas sem conseguir ultrapassar García na reta da meta, tal como fez em Tóquio em 2025, que lhe valeu o título. “Se calhar, não ganhava na mesma. Mas, em corridas muito lentas torna-se difícil chegar à frente”, referiu Nader, que não estava de todo satisfeito, ainda que tenha melhorado os dois quartos lugares nas duas edições anteriores de Mundiais de pista curta.
A prata de ontem é terceira medalha lusa na distância em Mundiais em pista curta, depois do ouro de Rui Silva (2001) e do bronze de Mário Silva (1991).