Sydney - Ao segundo dia de provas no atletismo, Portugal averbou também a segunda medalha de prata nos Jogos Paralímpicos de Sydney. O jovem Firmino Baptista foi o autor da proeza, para espanto até dele próprio, nos 200 metros da classe T11 (cegos totais).
Depois de, durante a manhã (madrugada em Lisboa), ter sido o único dos três lusos que marcaram presença nas meias-finais a conseguir o apuramento para a final, o atleta lisboeta confirmou as excelentes indicações dadas com o triunfo na sua série, apenas perdendo para o espanhol Enrique Sanchez-Guijo, recordista mundial da distância.
Firmino Baptista, que fez 23 anos há uma semana (dia 13), concluíu a prova com o tempo de 24.31 segundos, a sua melhor marca do ano, ficando a 17 centésimos do novo campeão paralímpico. O também espanhol Julio Requena, vencedor em Atlanta, teve que se contentar com a medalha de bronze.
Após a volta de consagração à pista, durante a qual contactou com os muitos portugueses que assistiram à prova, o atleta português não resistiu à emoção e chegou mesmo a chorar, tal a felicidade do momento. Com apenas dois anos de atletismo, Firmino Baptista entra assim da melhor forma na alta roda internacional, preparando, concerteza, mais dias de glória.
Emocionado, o vice-campeão paralímpico, nem teve palavras para demonstrar a satisfação que lhe ia na alma, revelando que "o objectivo era apenas chegar à final". O guia Bruno Girão é que não escondeu ter pensado, à meio da prova, ser possível chegar à frente, o que não aconteceu por muito pouco.
Com participação marcada para os 100 metros, cujas eliminatórias são disputadas este domingo, Firmino Baptista admite a possibilidade de continuar a surpreender. "Se for à final, depois respondo", referiu quando questionado acerca do que poderá fazer na distância mais curta do atletismo - Bruno Girão admitiu, por outro lado, que o hectómetro se adequa melhor às características do atleta. E há igualmente a estafeta 4x400 metros, na qual Portugal tem enormes aspirações, pois conta nem mais nem menos do que com a equipa recordista mundial.
José Santos, responsável técnico pelos atletas invisuais, ficou também extremamente satisfeito com a "performance" de Firmino Baptista, que estabeleceu a sua melhor marca do ano, melhorando o tempo de inscrição (24.33 segundos). Aliás, o treinador fez mesmo questão de salientar que "esta medalha era muito menos previsível" que a conseguida sexta-feira por Carlos Amaral Ferreira nos 10.000 metros.
GAMEIRO E LOPES SEM HIPÓTESES
Relativamente a José Gameiro e Carlos Lopes, que ficaram pelas meias-finais, José Santos explicou que se tratam de corredores para distâncias mais longas e prepararam sobretudo as participações nos 400 metros.
Do experiente Carlos Lopes esperar-se-ia um pouco mais (ficou em terceiro lugar na primeira série, com 24.76 segundos), até porque, segundo o técnico, tem estado muito bem nos treinos. Quanto a José Gameiro, terminou em último a segunda série, com 25.22, mas face a alguns problemas físicos e também devido ao facto de ser acima de tudo um corredor para a volta completa à pista, era difícil fazer melhor (ainda assim estabeleceu a sua melhor marca do ano nas eliminatórias de sexta-feira).