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Lamine Diack: «Estou maravilhado com a Meia de Lisboa»

RECORD - A IAAF decidiu criar em 2008 um nível para as provas de estrada integrando as categorias de ouro, prata e bronze. Está satisfeito com a resposta dos organizadores?

LAMINE DIACK - A resposta dos organizadores foi excelente, aliás, de acordo com as nossas expectativas. Queremos ter corridas de elevado nível que mostrem a elite dos corredores. Ao adotar a categoria de ouro estamos a encorajar os promotores a terem um melhor espetáculo.

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R - Que conhecimento tem da Meia-Maratona de Lisboa?

LD - A Meia-Maratona de Lisboa tem vindo a afirmar-se nos últimos 20 anos como uma das maiores provas do Mundo. Estou maravilhado com o seu potencial, porque alia quase 40 mil concorrentes a grandes marcas trazendo nomes famosos. E estou naturalmente muito contente por a prova ter a categoria de ouro.

R - A competição para a grande massa de corredores começa na Ponte 25 de Abril e termina em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, um edifício do século 16 e considerado Património Mundial da UNESCO. Aprecia a ideia de milhares de pessoas ficarem a ter uma perspetiva histórica?

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LD - Acredito que isso representa uma grande prenda dos organizadores aos atletas quando conseguem reunir essas espantosas condições. Para as audiências televisivas é excelente e para o turismo é uma imagem muito positiva que se dá do país com milhares de pessoas a correr ou a andar no meio de uma bonita atmosfera humana. Haverá lugares mais bonitos?

R - África tem dominado largamente durante os últimos anos o panorama do meio-fundo e longo a nível mundial e a Europa pouco tem feito para mudar o cenário. Considera que este facto tem levado a um menor desinteresse por parte dos atletas no Velho Continente?

LD - É verdade que os atletas africanos têm dominado e vincado a sua supremacia nas últimas duas a três décadas, mas isso não tem impedido de, no resto do Mundo, haver atletas com um tremendo sucesso no fundo. Portugal teve Carlos Lopes e Rosa Mota, que estão agora retirados da competição. Mas também a Espanha teve maratonistas como Abel Anton e Martin Fiz e os ingleses apresentaram Paula Radcliffe. Nos Estados Unidos há estrelas emergentes como Ryan Hall e Deena Kastor; o Japão e a China sempre tiveram grandes maratonistas femininos. Apesar de tudo e com a crise económica, as corridas de estradas não foram muito penalizadas.

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R - O jamaicano Usain Bolt espantou o Mundo ao bater o recorde mundial dos 100 e 200 metros. Acha que um dia também será possível correr a maratona em menos de duas horas?

LD - Quem é que pode dizer até onde os recordes poderão ir! Até há poucos anos a teoria que havia acerca de o recorde da maratona poder aproximar-se das duas horas era simplesmente impensável. Os progressos no treino, equipamento e nutrição têm sido fantásticos. Acredito, contudo, que ainda vai demorar muito tempo até que alguém consiga correr a maratona em menos de duas horas.

R - Já esteve antes em Portugal, conhece bem os nossos atletas e qual é a opinião que tem do atletismo português?

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LD - A Federação Portuguesa de Atletismo é uma das nossas filiadas que tem feito um trabalho exemplar, não só em termos de desenvolvimento dos atletas, especialmente no domínio do meio-fundo e fundo, mas também tem contribuído com as suas excelentes organizações de provas internacionais, seja a nível da Europa ou do Mundo. Tenho boas recordações do que vi e observei no Campeonato do Mundo de pista coberta, um excelente evento que deu muito crédito ao país. A outro nível devo dizer que há muitos dirigentes altamente respeitados nos seus cargos internacionais que têm dado o melhor do seu talento e experiência em benefício da família universal que é o atletismo. A IAAF está firmemente empenhada em apoiar novas iniciativas que vão de encontro ao interesse global do público e atravessem todos os níveis da sociedade. Os acordos com as escolas são fundamentais.

R - Sei que como antigo jogador e treinador também aprecia muito o futebol. No Senegal e desde há dois anos está a trabalhar Luís Norton de Matos que criou uma escola de formação chamada "Étoile Lusitânia". Como tem visto o seu trabalho?

LD - Estou a par das iniciativas que surgiram no meu país, especialmente no futebol, e sou muito entusiasta de todas elas que favoreçam a compreensão entre o ser humano e realcem as boas qualidades éticas e desportivas. Por outras palavras, não acredito em projetos que visam apenas criar bons futebolistas e que tem como destino o envio desses mesmos jogadores para clubes no estrangeiro. Admiro as escolas de futebol que trabalham no duro para promover um bom nível de educação aos seus atletas, tanto a nível desportivo como nos estudos, tal como a nível pessoal. Depois desta fantástica experiência estão aptos para se lançarem no mercado de trabalho com outras bases. Nem todos conseguem tornar-se jogadores de futebol a nível profissional. A primeira prioridade deve ser para os estudos.

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