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MANUEL Matias, um dos melhores maratonistas portugueses de todos os tempos, olímpico em Atlanta 96, vai colocar um ponto final na carreira, ao fim de 22 anos. Formou uma empresa – a M. Matias PromoSports, ainda em fase de legalização – e reduziu o treino para 70 por cento da ”carga” habitual. “Começo a não ter tempo e a tendência é para reduzir. E só ainda não parei totalmente porque tenho um compromisso com o Núcleo Desportivo da Silva até final da época.”
Maratonas é que, em definitivo, nunca mais. Matias começou por ser empresário, ligado ao colombiano Luís Posso, um dos mais conhecidos “managers” de maratonistas. É seu representante para a Europa e trata dos assuntos de alguns dos melhores fundistas nacionais, como Luís Jesus, Alberto Chaíça, João Junqueira, Alcídio Costa, Marco Rebelo, Cláudia Pereira e Madalena Carriço. “Só pretendo trabalhar com atletas portugueses. Tive algumas propostas de estrangeiros para os representar, mas não aceitei.”
Sobre a “invasão” de estrangeiros, Matias lança um alerta: “Não sou contra a vinda de estrangeiros às nossas provas. Sou, sim, contra a discriminação de que os portugueses são alvo. As organizações dizem que não têm dinheiro para lhes pagar ’cachets’ mas depois fazem-no em relação aos es- trangeiros que, em muitos casos, até são inferiores aos nossos.”
Matias vai também dedicar-se à organização de eventos desportivos. Mas, curiosamente, o atletismo não será prioritário. “Já existem organizações suficientes para o atletismo, desde a Xistarca à Anipro, à Classisport, etc. E eu não quero tirar provas a ninguém. Prefiro fazer competições novas. Por isso, para além de colaborar numa meia-maratona em Poceirão, no dia 6, tenho pensada uma outra prova na minha terra, Alfundão (Ferreira do Alentejo), e uma terceira em Alcoitão, onde moro. Prioritárias serão, no entanto, outras modalidades, a começar pelo golfe e pelo karting“. Faceta desconhecida: Matias é um apreciador de golfe, que pratica com alguma regularidade, embora com pouca frequência. “Ainda sou um principiante, com um handicap de 24. Até aqui jogava duas/três vezes por ano. Agora já o estou a fazer semanalmente e, por isso, talvez daqui a uns tempos consiga atingir os lugares da frente em torneios de amadores.“
VITÓRIA EM PARIS
MANUEL Matias tem uma longa carreira de 22 anos, iniciada aos 15 anos no Sport Lisboa e Alcoitão, que formara uma secção de atletismo na localidade onde vivia desde que, aos sete anos, saiu da terra natal, Alfundão, concelho de Ferreira do Alentejo.
Como juvenil, começou a dar nas vistas e ingressou no Benfica, clube a que regressaria em 1987, depois de uma passagem pelo Belenenses. Iniciou em Maio de 1988 uma longa carreira de maratonista, terminada em Fevereiro em Tóquio, com a sua 27ª maratona (24 concluídas).
A estreia foi auspiciosa, com uma vitória em Paris. Ficou a 54 segundos do mínimo olímpico e a sua ausência nos Jogos de Seul constituiu uma injustiça. Um mês depois, fazia 2.10.19 em Chicago. Em 1989 foi quarto em Londres, pela primeira vez abaixo das 2h 10m (2.09.43), e ganhou em Fukuoka. Em 1990, já no Maratona, foi oitavo no Europeu. Em 1991, foi segundo na Taça do Mundo, em Londres (2.10.21) e, em finais de 1992, conseguia o seu melhor tempo de sempre, ao ser segundo em Berlim: 2.08.38 (melhor tempo europeu do ano). Seria finalmente olímpico em Atlanta 96. Mas não foi feliz: 46º lugar.
ARONS DE CARVALHO