_
Portugal conquistou pela primeira vez três medalhas numa edição de Campeonatos do Mundo de atletismo em pista curta, em Torun, na Polónia, mas nem a melhor prestação de sempre - ouros de Agate de Sousa e Gerson Baldé e prata de Isaac Nader - ficou imune a comentários discriminatórios nas redes sociais, como denunciou o 'Grupo de Ação Conjunta - Contra o Racismo e a Xenofobia'.
Com a apresentação de diversos comentários racistas e xenófobos em publicações alusivas aos feitos dos atletas portuguesas nos Mundiais, a referida associação recorda que tais constituem crime ao abrigo do Código Penal, apelando à sensibilização da população sobre os conceitos de racismo, preconceito racial ou discriminação racial.
"Existe racismo contra pessoas portuguesas? Sim, claro! A existência de racismo contra pessoas portuguesas é uma realidade na nossa sociedade e temos que enfrentar a verdade. Pessoas negras, ciganas ou de outras origens étnicas, não são consideradas portuguesas em Portugal, porque o povo português, não as vê como portuguesas", defende o Grupo de Ação Conjunta: "Continuamos a expor algumas dessas situações, para que mais pessoas compreendam que a cor da pele, não identifica a nacionalidade de ninguém".
Manifestação de apoio
Apesar destes comentários negativos, a grande maioria aplaude os feitos dos medalhados portugueses dos Mundiais de pista curta em Torun, com algumas figuras do desporto nacional a sair em defesa do trio visado. A judoca olímpica Rochele Nunes, por exemplo, foi uma das porta-vozes, condenando os comentários negativos.
"Quando vi a notícia deles serem campeões do mundo e medalhados, senti orgulho. Muito orgulho mesmo. Mas, ao mesmo tempo, senti uma tristeza enorme… porque sabia exatamente o que vinha a seguir. E não falha. O que mais me incomoda não é só o racismo em si é o facto de, em 2026, ainda existirem pessoas que se sentem confortáveis, seguras e à vontade para fazer esse tipo de comentário", lamentou Rochele Nunes, em comentário nas redes sociais.
"Estamos a falar de atletas portugueses. Que representam um país. Que trabalham todos os dias para chegar ao mais alto nível. E mesmo assim, não é suficiente para alguns. Basta. Basta de tanto racismo, de tantos ataques gratuitos, de tanta falta de noção. A verdade é que muita gente não sabe lidar com o sucesso dos outros. Não celebra, não respeita… porque nunca esteve nem perto de ser melhor do mundo naquilo que faz", acrescenta a judoca.
Pode ler exemplos dos comentários na publicação divulgada pela associação.
'Grupo de Ação Conjunta - Contra o Racismo e a Xenofobia' denuncia várias mensagens discriminatórias nas redes sociais
Saltadora do Benfica está a apenas 20 centímetros do recorde nacional absoluto do salto em comprimento, da antiga atleta olímpica
Comitiva portuguesa foi homenageada no Palácio de Belém após participação histórica nos Mundiais
Domingos Castro, presidente da Federação de Atletismo, deixou apelo
Incidente deu-se no encontro com Quinta dos Lombos a que o ala assistiu. Jogava o seu filho
Hugo Mosshagen representava o BK Forward, clube da terceira divisão sueca
Bruno Andrade, extremo do AFC Rushden & Diamonds, é um jogador livre
Antigo vice-presidente da FPF tinha 79 anos
Emblema da MLS interessado no jogador do Man. City
Treinador comando o Henan desde abril de 2025