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Paulo Guerra foi apenas 19º no Nacional de Corta-Mato, a sua pior classificação de sempre, bem longe dos lugares da frente. Foi mais uma desilusão, a juntar a muitas outras nos últimos meses. O atleta está ciente do facto, tem algumas explicações para a má prova de domingo, mas não percebe o que se passa de há dois anos para cá.
"Duas semanas antes do Nacional, tive uma gastrenterite grave e entretanto fiz exames, que fui ontem [anteontem] buscar e que revelam uma velocidade de sedimentação muito elevada e uma taxa de hemoglobina muito baixa. Assim, era impossível fazer melhor, não há milagres...", explica o atleta.
O problema é que Paulo Guerra está sem conseguir resultados há cerca de dois anos. "Isso é verdade e reconheço que há aqui qualquer coisa que não está bem. Mas, infelizmente, não sei o que é. Resta-me esperar que, como noutras coisas, o problema se resolva com o tempo..."
O atleta do Maratona esteve uma semana em estágio de altitude na Serra Nevada, antes do Nacional. "Se uma semana não é pouco? Para mim chega, pois não preciso de período de adaptação, faço logo séries. E, sozinho, não vou para a altitude mais do que uma semana..."
De qualquer forma, Paulo Guerra garante que, antes desta gastrenterite, estava a sentir-se muito melhor. "Já tinha começado os treinos para a Maratona de Lisboa, a 18 de Abril, e estava - e continuo a estar - esperançado em que isto melhore. Irei correr uma prova de 30 km, entre Olivença e Elvas, no dia 21, e a Meia-Maratona de Lisboa no dia 28, como testes para a Maratona, e quero ver se consigo os mínimos para os Jogos Olímpicos, ou seja, menos de 2h 11m. Penso ser possível, com "lebres" apropriadas, conforme creio que vai haver. Ainda espero melhorar muito. Não sei se algum dia voltarei a ser o que já fui. Mas, mesmo que não seja o primeiro, quero pelo menos voltar a ser dos primeiros..."
«Conheço mal a cidade de Lisboa»
Paulo Guerra ainda não sabe das dificuldades que encontrará no percurso da Maratona de Lisboa. "Disseram-me que era um percurso rápido, mas não conheço algumas partes da cidade por onde a prova passa. A subida da Avenida Almirante Reis? Não tenho ideia. Mas já combinei com o director da prova fazer uma volta de reconhecimento num dos próximos dias..."
Mais três épocas no horizonte
O corta-mato continuará a ser prioritário para Paulo Guerra, que, no entanto, pretende correr uma maratona todos os anos, para fazer mínimos para as grandes competições. "Estou com 33 anos e espero correr esta época e mais duas, fazendo corta-matos e maratonas. A preparação para uma das provas não é incompatível com a preparação para a outra."