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Paulo Guerra: «Tive medo de morrer»

Paulo Guerra: «Tive medo de morrer»
• Foto: vitor chi

No dia em que foi receber os exames médicos, Paulo Guerra já era um homem diferente. Tinha 39 anos, ainda praticava atletismo a um nível razoável e estava de bem com a vida. Mas nessa tarde em que foi acompanhado pela irmã, Dalila Guerra, faltaram-lhe as forças para abrir o envelope e ler o diagnóstico da bateria de testes a que fora sujeito. “Pela primeira vez na vida não tive coragem. Estava sentado no carro, no lugar do condutor, e tive de pedir à minha irmã que abrisse o envelope e me lesse o relatório”, confessou a Record o antigo tetracampeão europeu de corta-mato, que agora integra um projeto da Federação [ver peça ao lado].

O homem que tantas alegrias deu aos portugueses tinha um ar cabisbaixo quando entrou no consultório e a médica dermatologista que o estava a seguir disse-lhe olhos nos olhos a doença de que padecia: “Você tem um melanoma, cancro da pele.”

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Assim, sem mais nem menos, nem houve tempo para explicações. “Passados dois dias já estava na mesa de operações para me extraírem o sinal que evidenciou esses sintomas. A minha irmã já me tinha avisado que não estava a gostar nada desse sinal, e perante tanta insistência fui ao médico e fiz os tais exames. Tudo tinha de ser urgente. Pressenti algo, mas não queria acreditar. Esta é a verdade dos factos”, explicou o fundista alentejano nascido em Barrancos, há 44 anos.

A primeira operação foi simples, mas a reabilitação não ficou por aí. “A médica explicou-me que teria de ser feita uma segunda operação para alargar as margens de segurança. Felizmente tudo correu bem.”

Receios

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Guerra tem hoje a perfeita noção que esteve perto da morte. “A médica avisou-me que fui operado no limite dos limites. Se tivessem passado mais alguns meses, já não teria qualquer possibilidade. Foi-me diagnosticado um melanoma de grau 3, quando o máximo é de grau 4. Quando me disseram o que tinha, confesso que tive medo de morrer. Acabara de comprar uma casa e cheguei a dizer para comigo ‘querem ver que não vou ter tempo para desfrutar?’ A minha vida mudou muito desde então”, admitiu o antigo atleta, que chegou a derrotar alguns dos melhores africanos e a conquistar uma medalha de bronze no Mundial de crosse, em Belfast (1999).

Correr sempre com camisola de manga comprida

• Paulo Guerra passou a encarar uma nova realidade para continuar a sua prática desportiva. “Quando corro, utilizo sempre uma camisola de manga comprida e ando sempre de chapéu, além de me proteger com um protetor solar de fator 50. Não pode ser inferior. Tenho de ter muito cuidado com a pele. Quando vou à praia, não há qualquer exposição solar entre as 11 e as 17 horas! E tomo banho com um fato de surf”, explicou Guerra, reconhecendo que na juventude fez muitos erros: “Corria em tronco nu à hora da maior exposição solar. Foram anos a fio. Agora, quando vejo alguém treinar-se em tronco nu, vou ter com essa pessoa e aconselho-a a não cometer os erros que cometi.”

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