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Rui Silva: «Não me arrependo. Gosto de riscos»

RUI Silva não ficou muito satisfeito com o que leu e ouviu a propósito da sua primeira experiência em 5000 metros, em Nuremberga, numa prova na qual foi 10º com 13.36,56, corrida marcada por alguma polémica, já que foram várias as pessoas (como o seu próprio treinador, Bernardo Manuel) que se mostraram contrárias a essa estreia, nesta altura da época.

Inicialmente, Rui Silva nem pretendia falar sobre a deslocação a Nuremberga. No entanto, acabou por aceder a responder a algumas perguntas e... abordou o tema de forma aberta.

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– Ficou “cliente” da distância?

– Ninguém me ouviu dizer que eu iria deixar os 1500 metros agora. O que eu sempre disse foi que gostava de me dedicar aos 5000 m e continuo com essa ideia. Mas esta foi apenas uma experiência e, lá porque não correu muito bem, não deixou de ser útil.

Opiniões contrárias

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– Concorda que teria sido preferível fazer esta experiência mais cedo na época...

– Sim, mas não se proporcionou.

– O seu treinador, Bernardo Manuel, manifestou-se contra esta experiência numa altura destas...

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– É verdade, mas eu queria muito experimentar...

– Correr 5000 m a uma semana da Taça da Europa, em que fará duas provas, não terá sido também prejudicial?

– Iremos ver. Posso-me ressentir como posso não me ressentir. Para já, sinto-me melhor que antes. Sinto-me satisfeito por ter feito a experiência.

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Prova “acabou” aos 3500 m

– Sofreu muito?

– Também se sofre nos 1500 m. Mas aqui é um sofrimento mais longo. Fui bem até aos 3500 metros mas, a partir daí, acabou-se a prova para mim. Limitei-me a chegar ao fim.

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– Esperava um tempo melhor?

– Não fazia ideia do tempo que iria fazer. Arrisquei. Corri para tentar ir com os da frente o máximo de tempo possível. Não corri para esta ou aquela marca. Tentei o melhor. Deu 13.36...

– Quando será a próxima experiência?

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– Só na próxima época. Então é possível que corra a distância duas ou três vezes. Já com alguma preparação e planeado de outra maneira.

– Um estágio de altitude (na Serra Nevada) agora, a um mês do Mundial de Edmonton, não será também um risco grande? É essa pelo menos a opinião do seu treinador...

– A vida é feita de riscos. E eu quero corrê-lo... Tal como os 5000 m, esse estágio já era para ter sido feito há muito. A data já esteve marcada e não foi cumprida. Mais cedo ou mais tarde teria que sê-lo.

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– Não seria possível adiar este estágio para o ano, não correndo esse risco?

– Eu sou uma pessoa que gosta do risco. Só a partir do dia 9 de Agosto, data dos 1500 metros no Mundial, se verá se foi ou não um risco.

– No dia em que se dedicar a cem por cento aos 5000 m terá de prescindir dos 1500 metros?

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– Não totalmente, mas quando pensar em mudar para os 5000 m, os 1500 m passarão para segundo plano.

Pressão para o Mundial

O Mundiall de Edmonton aproxima-se e Rui Silva, como campeão mundial de pista coberta, deverá sentir uma pressão especial. “Já me mentalizei para passar ao lado daquilo que as pessoas dizem”, afirma o atleta, quando colocado perante a questão.

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“Se ligar a tudo o que ouço ou leio, será muito mau. Parece que há pessoas que só querem deitar abaixo os atletas portugueses. Ainda agora, a propósito destes 5000 m, li coisas desagradáveis. Nunca disse a ninguém que tinha esta ou aquela marca para fazer... E todos aqueles que conhecem um pouco o atletismo sabem que de 3000 para 5000 metros vai uma boa diferença, é quase o dobro da distância. Não poderiam querer que eu fizesse logo 13 minutos ou 13.10.”

"Aprendi que é preciso estar muito bem preparado"

Apesar de tudo, Rui Silva não está arrependido de ter corrido os 5000 metros. “Gostei. Aliás, sempre disse que gostaria de a fazer e não me arrependi. Sei que sou corredor de distâncias mais longas. E a prova só não correu bem porque eu não estava preparado para a distância. Mas não fiquei com medo, antes pelo contrário. Fiquei a saber que para se correr 5000 m tem de se estar preparado. Não é com a preparação para os 1500 m que se faz uma boa marca aos 5000 m. Nunca tinha corrido 5000 m em pista, só na estrada, e é totalmente diferente. É um ritmo certo e rápido e tem de se estar preparado.”

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5000 m a sério só daqui a três ou quatro anos

Rui Silva remete para daqui a três ou quatro anos a passagem “a sério” para os 5000 m. “Só quando me achar capaz e perceber que nos 1500 m já não poderei ir mais além. Mas quero começar com os 5000 m a sério com uma noção da distância. E, por isso, fiz esta experiência este ano, farei outras no próximo e, possivelmente, só daqui a três ou quatro anos me dedicarei a sério aos 5000 m. Afinal, na idade que as pessoas dizem que é a ideal, embora eu pense que esse ideal depende das características de cada um. Mas enquanto puder fazer 1500 m ao mais alto nível, não mudarei.”

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