Ana Cabecinha: «Desta vez vou mesmo arriscar»

Vai fazer tudo para melhorar o 4.º lugar do último Mundial

• Foto: Lusa

Ana Cabecinha tem um dos melhores palmarés mundiais nos 20 km marcha e considera que é chegado o momento da decisão: "Desta vez, vou mesmo arriscar", disse a marchadora portuguesa a Record, antes de iniciar mais um treino em Mira, onde se encontra a cumprir um estágio.

O Campeonato do Mundo em Londres (4 a 13 de agosto) é considerado o ideal para Ana Cabecinha poder fazer uma prova mais audaz. "Tenho 33 anos, sou uma atleta mais experiente, madura, e acho que está na hora de ver até onde poderei ir. Quero acabar a prova com a sensação de ter tentado tudo. Se der para fazer um bom resultado tanto melhor. Não quero é ficar triste de não ter arriscado o que devia", disse a atleta ao nosso jornal acerca da competição que irá ter lugar no último dia dos campeonatos.

"Acredito que se a temperatura for inferior a 21 graus, a prova terá um ritmo mais vivo. Estamos num ano pós-olímpico e por essa razão a componente tática será diferente. Se fosse nos Jogos, então teria de ter muito mais cautela", comentou a recordista nacional da distância com a marca de 1:27,46 horas, obtida em 2008.

O palmarés de Ana Cabecinha é de fazer inveja a muitas marchadoras com lugares no top 10 em todas as grandes competições (8ª nos Jogos de Pequim e Londres e 6ª no Rio; e nos Mundiais foi 6ª em 2011, 8ª em 2013 e 4ª em 2015). "Essa regularidade deve-se ao facto de a Ana fazer poucas provas todos os anos. Ela adora competir, mas no máximo fazemos 6 competições por época. Não tenho dúvidas que só assim ela consegue estar a este excelente nível nos últimos anos", assinala o seu treinador Paulo Murta.

Se Ana Cabecinha é da opinião que vale a pena arriscar, Paulo Murta é um pouco mais prudente: "As condições atmosféricas no dia da prova é que darão para avaliar qual será a tática. Mas pode sempre arriscar um pouco..."

«Não me vejo a fazer os 50 km»

Quatro anos mais nova que Inês Henriques, a recordista mundial (4:08,26 horas) dos 50 km marcha, Ana Cabecinha não pretende subir na distância, tal como o fez a sua colega de Seleção.

"Muito sinceramente, não me vejo a fazer os 50 km marcha. Não é a distância que me mete medo, mas é o treino e o processo todo para lá chegar. Conheço-me bastante bem para dizer que me sinto melhor nos 20 km marcha", disse sem qualquer hesitação Ana Cabecinha. "É quase a mesma coisa que passar dos 10 mil metros para a maratona", frisou a atleta.

Cabecinha considera ser justo a integração da prova dos 50 km marcha para mulheres no Mundial. "É perfeitamente justo e só tenho pena de a decisão ser conhecida tão tardiamente, quase em cima dos Mundiais. Acredito que a seguir a Londres a prova vai passar a ter uma maior adesão das marchadoras. Já ouvi dizer que não vai fazer parte do programa para os Jogos Olímpicos de Tóquio (2020), mas se o nível melhorar imenso talvez mudem de opinião", acentuou.

Acerca das possibilidades de Inês Henriques, Cabecinha adiantou: "Ela está cheia de motivação e espero que tudo lhe corra bem."

Por Norberto Santos
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