Armando Aldegalega recorda o amigo Fernando Mamede que foi "traído pelos nervos"

Companheiro de treino afirma que o antigo atleta podia ter sido campeão olímpico

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Armando Aldegalega ao lado de Fernando Mamede
Armando Aldegalega ao lado de Fernando Mamede • Foto: Fernando Ferreira

O antigo atleta Armando Aldegalega lamentou esta 4.ª feira a , que classificou com "um grande amigo e companheiro de treino", a quem os nervos podem ter impedido de chegar a um título olímpico.

"Estou triste, partiu um grande amigo, um companheiro de 40 anos", disse Aldegalega à agência Lusa, lembrando que Fernando Mamede, que morreu na terça-feira, "chegou muito novo ao Sporting, com 19 ou 20 anos".

Armando Aldegalega, que aos 88 anos continua ligado ao atletismo do Sporting, considera que o recorde mundial dos 10.000 metros (27.13,81 minutos), que deteve entre 1984 e 1989 "foi o ponto mais alto" da carreira de Mamede, mas considerou que o antigo atleta, tinha potencial para conseguir ainda mais.

"Acho que ele podia ter conseguido chegar a um título olímpico, mas foi traído pelos nervos, era demasiado nervoso", disse, acrescentado: "preocupava-se demais com a competição, era muito metido com ele".

O antigo atleta ilustra essa vontade de "estar sozinho" com o comportamento de Fernando Mamede nos Jogos Olímpicos Munique1972, quando "a sua descontração era ir ao cinema sozinho".

Armando Aldegalega lembrou que quando chegou ao Sporting, Mamede "sempre mostrou ter potencial, mas começou a correr provas de 400 e 800 metros, e só depois foi evoluindo para distâncias maiores".

Fernando Mamede, que morreu aos 74 anos, marcou presença em três edições de Jogos Olímpicos (Munique1972, Montreal1976 e Los Angeles1984), competição na qual nunca conseguiu demonstrar o seu potencial.

Nascido em Beja, em Beja 01 de novembro de 1951, terá falecido devido a complicações cardíacas, de acordo com a comunicação social portuguesa, que cita fontes da Federação Portuguesa de Atletismo.

Mamede, que além do máximo mundial bateu ainda 27 recordes nacionais e três europeus, fez toda a carreira ao serviço do Sporting, clube em que ingressou em 1968 através do também lendário professor Mário Moniz Pereira

Mesmo assim, passados mais de 40 anos, Mamede continua a ser o último atleta europeu detentor do recorde mundial dos 10.000 metros.

Especialista em provas de fundo, Mamede conquistou ainda uma medalha de bronze no Campeonato do Mundo de corta-mato de 1981, em Madrid.

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