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Lançadora do peso diz ser “difícil” conciliar o papel de progenitora e o de atleta em Portugal
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Este domingo assinala-se o Dia da Mãe, mas para Auriol Dongmo, lançadora do peso do Sporting e atleta olímpica, esta celebração não se resume a uma data específica. "Para mim, o Dia da Mãe é todos os dias, é algo que nós vivenciamos todos os dias", vinca.
Nascida nos Camarões, a atleta recorda uma realidade diferente daquela que encontrou em Portugal no que diz respeito à valorização da data. "Nos Camarões não é tão comum assinalar o Dia da Mãe, damos mais importância ao Dia da Mulher, que em África é uma grande festa", conta a Record. Ainda assim, a ausência dessa tradição nunca diminuiu o significado pessoal que hoje atribui à maternidade.
Com um currículo recheado de títulos, incluindo um de campeã do Mundo e campeã da Europa em pista coberta, Auriol Dongmo é mãe de dois filhos - Rafael, de sete anos, e Daniel, de um ano e meio - e assume que esse é o papel que representa o ponto mais alto da sua existência. "Ser mãe é a maior bênção da minha vida. Mudou completamente a minha maneira de pensar, a minha maneira de ser. Hoje em dia não penso só para mim, penso para mim e para os meus filhos", explica.
A exigência do desporto de alto rendimento acrescenta um grau de dificuldade à equação. Entre treinos, competições e estágios, o tempo é gerido ao detalhe, mas nem sempre é suficiente. "Ser atleta e mãe em Portugal não é fácil", admite. É por isso que destaca a importância de quem está ao seu lado. "Depende sempre das pessoas que temos à volta. Eu tive sorte de ter pessoas muito boas comigo, que me ajudam muito no dia a dia", sustenta.
Nesse suporte, Auriol Dongmo destaca o marido, que assume um papel central. "O meu marido está sempre lá para os nossos filhos quando vou para estágio, ou quando estou lesionada. Se não fosse ele, não sei como seria", sublinha.
Sobre o futuro dos seus petizes, prefere deixá-los seguir o seu próprio caminho. No entanto, se algum deles optar pelo atletismo, preferia que não lhe seguissem as pisadas. "Eles podem ser atletas, mas lançadores não queria. Se eles quiserem, não os vou impedir, mas vou tentar dissuadi-los, porque os lançamentos não são muito valorizados dentro do atletismo", aponta. Mesmo assim, "a escolha vai ser deles", garante.
Eles podem ser atletas, mas lançadores não queria. Se eles quiserem, não os vou impedir, mas vou tentar dissuadi-los, porque os lançamentos não são muito valorizados dentro do atletismo
Atleta olímpica e do Sporting
Com 35 anos, ser novamente mãe e tentar juntar uma menina aos dois rapazes não está nos planos imediatos: "É um bocado complicado, não sei. Vamos ver o que é que a vida nos leva!"
“Eu era a filha mais teimosa”
De origens humildes em Ngaoundéré, nos Camarões, onde desde cedo se habituou a trabalhar para ajudar a compor o orçamento familiar, Auriol Dogmo tem na mãe o seu grande exemplo de força. Como atleta, é determinada e resiliente. Como mãe, é protetora. Mas, como se descreve como filha? A resposta sai-lhe na ponta da língua, com a mesma rapidez com que atira o engenho. "Se perguntasse à minha mãe, de todos os filhos, quem é a mais teimosa, ela diria que sou eu", conta, entre risos.
Apesar da teimosia, reconhece também um lado mais tranquilo. "Sou teimosa, mas também sou a mais calma, a mais tranquila dos quatro", descreve.
A vivência enquanto filha acaba por refletir-se na forma como encara a maternidade. "Para os meus filhos eu quero tudo, mesmo tudo", atira com determinação.
Se perguntasse à minha mãe, de todos os filhos, quem é a mais teimosa, ela diria que sou eu
Atleta olímpica e do Sporting
Auriol Dongmo teve uma época de inverno com altos e baixos. Se as competições nacionais e os meetings internacionais foram marcados pela obtenção de boas marcas, a atleta não esconde, contudo, alguma insatisfação com o rendimento alcançado no principal palco competitivo disputado até agora.
"A época de inverno não correu como eu esperava. Era a época em que me sentia mais em forma, mas não consegui realizar o que queria no momento certo, que era o Campeonato do Mundo [pista curta]", diz, explicando que o oitavo lugar (18.82 metros) obtido ficou abaixo das expectativas.
"Embora para outras pessoas possa parecer um bom resultado, para mim foi mau", refere.
A análise não apaga, ainda assim, os sinais positivos ao longo da preparação. "No início, nos meetings, fiz quatro vezes acima de 19 metros, o que é bom", sublinha, apontando a consistência como base de trabalho para o que aí vem, com o foco agora na preparação para o ar livre, tendo o Campeonato da Europa, em agosto, como principal objetivo a curto prazo. "Agora é continuar a trabalhar, afinar as técnicas e chegar em forma ao Europeu", afirma.
Auriol Dongmo não quer apontar, para já, a uma meta específica, mas não esconde ambição. "Ainda não defini nenhuma classificação como um bom resultado, mas trabalho sempre com o objetivo de chegar o mais alto possível", afirma.
Com os Jogos Olímpicos de Los Angeles'2028 a surgir no horizonte competitivo, a lançadora do Sporting prefere concentrar-se por agora nos objetivos mais próximos. "É um bocado cedo para pensar nos Jogos Olímpicos. Ainda há muita coisa pela frente, por isso tem que ser passo a passo", explica.
É um bocado cedo para pensar nos Jogos Olímpicos. Ainda há muita coisa pela frente, por isso tem que ser passo a passo
Atleta olímpica e do Sporting
Com várias competições ainda pela frente na presente temporada, Auriol Dongmo mantém a linha de exigência. "Vamos tentar chegar a essas provas no máximo nível possível", garante.
Auriol Dongmo está também concentrada em ajudar o Sporting a conseguir o melhor resultado possível na Taça dos Clubes Campeões Europeus de pista, competição que a equipa feminina do clube conquistou em em 2016 e 2018, sendo a lançadora um dos mais importantes trunfos das leoas.
"O meu objetivo é ganhar a minha prova, para dar o máximo de pontos ao clube", afirma, colocando o foco no desempenho global da equipa. Múltiplas vezes campeã nacional de clubes com o Sporting, a atleta não esconde a ambição de chegar agora a uma grande conquista internacional. "Queremos ganhar este troféu para o clube", reforça.
A tempestade que se verificou no final de janeiro e que causou estragos avultados no distrito de Leiria também afetou Auriol Dongmo, que reside na Marinha Grande e treina no Centro de Alto Rendimento (CAR) de lançamentos, em Leiria.
"Felizmente, em minha casa não tive danos, No entanto, os meus vizinhos sofreram alguns estragos, o que é triste. Aqui no Centro não consegui treinar durante cerca de dois meses", explica. A solução obrigou a encontrar alternativas. O treino físico foi feito com o apoio de um ginásio local. Já o treino técnico obrigou a deslocações de cerca de 100 quilómetros, até Alpiarça.
Ultrapassado o período mais difícil, o regresso trouxe uma surpresa positiva, dado que as intervenções no CAR resultaram numa melhoria de condições. "Acabou por ficar ainda melhor", reconhece, elogiando nesse particular o empenho do presidente da Juventude Vidigalense, Nuno Cordeiro.
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