Edivaldo Monteiro: Toca bem viola e passa barreiras
Edivaldo Monteiro nasceu em Bissau, onde viveu até aos dez anos, e só aos 23 (há cinco anos) conseguiu a nacionalidade portuguesa. Os pais não tinham automóvel e, na Guiné, teve que percorrer grandes distâncias a pé, embora não soubesse o que era atletismo. Como continuou a não saber nos primeiros anos em Portugal, em Vale da Amoreira (Barreiro), onde passou a viver.
No Barreiro jogou futebol, como defesa, até que o treinador de atletismo do Centro de Atletismo da Baixa da Banheira, que o conhecia, o convidou a completar uma equipa de 4x100 metros que iria ao Nacional de Juvenis. Gostou e ficou. No ano seguinte, venceu os 300 m barreiras da mesma competição mas, por ser estrangeiro, não pôde ir ao pódio. E como júnior, em 1995, fez mínimos para o Mundial nos 400 m barreiras (52,75), mas também não pode participar.
A naturalização deu-se finalmente em 1999 e, em 2000, ficou perto dos mínimos para os Jogos de Sydney (50,26). Um ano depois, ao fazer 49,65, estreava-se em grandes competições, no Campeonato do Mundo de Edmonton, onde foi quarto na eliminatória. Em 2002, chegou às meias-finais do Europeu de Munique (49,64 e 49,75) e, em 2003, voltou ao Mundial, em Paris, embora não tenha sido feliz (7º na eliminatória, com 50,31).
Com um curso de animador sócio-cultural, trabalha há quatro anos na Câmara da Moita, zona onde vive (Alhos Vedros). Treina na pista de Almada com João Ribeiro, técnico que o orienta desde que, em 1995, ingressou na Quimigal, dois anos antes de se transferir para o Sporting, onde está na sua oitava época.
Nos tempos livres, que não são muitos, Edivaldo Monteiro toca bem viola e comprou no ano passado um piano. Nas deslocações, rivaliza com o prof. Moniz Pereira. "Mas ele toca mais música portuguesa, enquanto eu prefiro a música moderna...", diz.
Apuramento
Há quatro anos, Edivaldo Monteiro ficara muito perto do mínimo olímpico (49,90), ao fazer 50,26. Prometeu a si mesmo que seria olímpico quatro anos depois. Para estes Jogos de Atenas, os mínimos passaram para mais exigentes 49,20 (A) e 49,50 (B).
Ao longo da sua carreira, Edivaldo Monteiro havia conseguido uma só vez melhor do que o mínimo B, quando obteve 49,36 na época passada, em Vitória (Espanha). Depois de abrir esta época com alguns problemas físicos e quatro corridas na casa dos 50 segundos, aproximou-se do mínimo em Junho, com 49,97 e 49,83.
Mas foi num pequeno e modesto "meeting", em Berna (Suíça), onde triunfou, que Edivaldo acabou por surpreender com o mínimo... A e recorde pessoal: 49,10 segundos. Estava "vingada" a ausência de Sydney.
Objectivos
Edivaldo Monteiro conseguiu este ano uma dispensa da Câmara da Moita, de duas horas da parte da manhã (das 9 às 11 horas), para poder treinar-se duas vezes por dia. "Tenho que lhes agradecer publicamente não só isso mas também as várias dispensas para os estágios que tenho feito. Foi um factor fundamental para os progressos que registei, não só em relação ao seu recorde pessoal mas também a nível da consistência das marcas", refere, acrescentando:
"Ainda na última prova que fiz, em Madrid (49,39), esperava bater novamente o recorde pessoal (49,10), tanto mais que as condições estavam óptimas, mas bati na segunda barreira e ainda fiz uma ferida no joelho."
Edivaldo fará os seus últimos testes antes de Atenas no Campeonato de Portugal e no Campeonato Ibero-Americano ("onde se realizam meias-finais e finais em dias seguidos, como em Atenas", realça). "Não gosto muito de falar em objectivos, mas aquilo que tenho dito é que espero conseguir bater o recorde pessoal nos Jogos e, com isso, atingir as meias-finais..."