EDP Maratona de Lisboa destacada em Espanha: «Uma joia escondida»
Prova realiza-se a 8 de outubro e Carlos Móia pretende aumentar o número de atletas estrangeiros
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A EDP Maratona de Lisboa está em grande destaque na edição desta quinta-feira do jornal 'Marca', que dedica duas páginas à corrida marcada para 8 de outubro. Apresentando a prova como "uma das mais bonitas e surpreendentes das grandes maratonas do mundo", a jornalista espanhola fez o trajeto de carro pela marginal e mostrou-se maravilhada. Desde o "ambiente cosmopolita e uma atmosfera permanente de férias" de Cascais, à "Silicon Valley portuguesa" que é Oeiras, passando pela "imponente ponte batizada com o nome da revolução dos cravos" a meio do percurso, a reportagem da 'Marca' salienta que a corrida portuguesa é "uma joia por descobrir".
Organizada pelo Maratona Clube de Portugal, a prova reúne cerca de 6 mil atletas, a grande maioria deles portugueses. "Há mais de 370 maratonas em todo o mundo, mas as estatísticas dizem-nos que apenas 1% da população mundial já completou uma maratona. Não tenho qualquer dúvida que temos uma das melhores maratonas do mundo, mas, apesar de ser um país de maratonistas, Portugal tem só 10 milhões de habitantes que, mesmo com os nossos esforços, continuam com hábitos físicos longe da média europeia. E não há maratonistas portugueses para aumentar o número de participantes", explica Carlos Móia, acrescentando: "Se queremos crescer, e agora queremos, temos que convidar atletas de todo o mundo para virem a Lisboa correr a maratona."
O presidente do Maratona, de 77 anos, é apresentado como o pai do running português, sendo recordado que em 1991 organizou a primeira meia maratona, com apenas 3 mil atletas a cruzarem a Ponte 25 de Abril. Um número que agora tem de ser limitado a 30 mil, um crescimento que Carlos Móia acredita ser possível replicar nos 42,195 quilómetros. "Era impensável que 17 anos depois da revolução que trouxe a democracia a Portugal não existisse uma única corrida de estrada no país. Por isso, a nossa primeira preocupação foi trazer as pessoas para as ruas e pô-las a correr. Depois começámos a pensar na projeção de Portugal através destes eventos e hoje somos uma referência, uma bandeira do país, o que me enche de orgulho", afirma o dirigente. A tónica no discurso de Carlos Móia é mesmo a singularidade do percurso da EDP Maratona de Lisboa. "Mais de 80% do trajeto é junto ao mar ou rio, o que o torna atrativo para os corredores que gostam de colecionar maratonas ao currículo. Devem experimentar fazer esta prova", frisa.
Em termos competitivos, Carlos Móia considera ser possível bater um dia o recorde mundial da distância em Lisboa. "Não será fácil, sobretudo pela parte final do percurso, em empedrado, dificultar sempre o ritmo e o tempo final dos atletas. Mas, não descarto a possibilidade de algum dia Lisboa poder juntar o recorde mundial da maratona ao da meia, que já é nosso", destaca, lembrando que começou a correr aos 40 anos e mesmo assim já fez 14 maratonas. "As minhas primeiras corridas devem ter sido de apenas 5 minutos, mas aos poucos fui aumentando o tempo e os quilómetros. A beleza deste desporto é que não tem idade para o praticar. Ainda recentemente, em Boston, uma senhora com mais de 70 anos não só participou como terminou a maratona", referiu.
O desafio para 2023 é claro: aumentar o número de estrangeiros que viajem até à capital portuguesa para correr a EDP Maratona de Lisboa. "Para aqueles que decidam vir em outubro, um conselho: parem o cronómetro e desfrutem da paisagem", escreve a jornalista da 'Marca', encantada com a beleza do percurso que serpenteia o Atlântico até desaguar no Tejo.