Eliud Kipchoge em lágrimas ao recordar ameaças de morte: «Disseram que queimavam a minha família»
Atleta queniano diz ter sido alvo de abusos após a morte de Kelvin Kiptum
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Em entrevista à BBC Sport Africa, Eliud Kipchoge falou pela primeira vez de forma aberta da morte de Kelvin Kiptum e relatou os variados episódios de abuso nas redes sociais de que foi alvo.
"Fiquei chocado ao ver pessoas nas redes sociais a dizer 'o Eliud está envolvido na morte deste rapaz'. Foi a pior notícia da minha vida. Recebi imensas coisas más: que me iam queimar o centro de treinos, que iam queimar os meus investimentos, pegar fogo à minha casa, à minha família...", recordou o queniano, segundo mais rápido da história na maratona, precisamente atrás do malogrado Kelvin Kiptum.
Kipchoge, de 39 anos, assume ter temido pela sua vida, mas nunca considerou pedir proteção, já que o seu único pensamento era proteger os seus. "Não tinha o poder de ir à polícia e dizer que estava em perigo. Por isso a minha preocupação foi dizer à minha família para ter cuidado extra. Comecei a ligar a muitas pessoas. Fiquei com muito medo pelas minhas crianças terem de ir para a escola e voltar. Normalmente vão de bicicleta e tive de dizer-lhes para não o fazerem, pois não sabíamos o que podia acontecer. Passámos a levá-los e ir buscá-los à noite. A minha filha está num internato, o que foi bom, porque não tinha acesso às redes sociais. Mas foi duro para os rapazes, pois tinham de ouvir coisas como 'o teu pai matou alguém'."
Kipchoge lembrou ainda a Maratona de Tóquio, onde registou a sua pior posição de sempre numa maratona (10.º), uma prova que foi disputada três semanas depois da morte de Kiptum. "Em Tóquio estive três noites sem dormir. Dia e noite... Não sei o que se passou, mas não dormi."