Gabriel Dollé justifica "arranjinhos" às regras do doping na IAAF para "evitar escândalos"

Ex-diretor do gabinete antidopagem da federação internacional falou em tribunal

• Foto: Reuters

O ex-diretor do gabinete antidopagem da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), o francês Gabriel Dollé, justificou esta segunda-feira em tribunal os "arranjinhos" às regras de doping com a necessidade de "evitar escândalos" para salvar patrocínios.

Gabriel Dollé, de 78 anos, falava durante o primeiro dia do julgamento de um processo de corrupção, abuso de poder, lavagem de dinheiro e associação criminosa, em Paris, no qual o ex-presidente da IAAF (atual World Athletics) , o senegalês Lamine Diack (entre 1999 e 2015), é o principal acusado.

Lamine Diack, de 87 anos, está a responder no Tribunal Penal de Paris por um alegado envolvimento num sistema de corrupção destinado a proteger atletas russos que recorreram a doping.

Enviado a tribunal por suborno passivo, no montante de 190 mil euros entre 2013 e 2014, o médico Gabriel Dollé procurou minimizar a sua responsabilidade, alegando ter procurado um compromisso entre "o melhor interesse" da IAAF e a marginalização dos atletas russos dopados.

No final de 2011 e início de 2012, quando o passaporte biológico, uma nova ferramenta no arsenal das armas antidoping, começou a surtir efeito, aumentaram as suspeitas sobre a Rússia e foi elaborada uma lista de 23 atletas suspeitos.

Dollé disse que o ex-presidente da IAAF, Lamine Diack, pediu para considerar a "situação financeira muito crítica" (da IAAF) e que, naquele momento, a lista causaria um "escândalo", que influenciaria o curso das negociações com os patrocinadores e causaria o colapso do organismo.

Para "evitar o escândalo", a Dollé terá sido pedido uma "gestão fundamentada", que implicava não sancionar oficialmente e publicamente os atletas, mas sim com uma "suspensão não oficial" e "discreta", que, no fundo, era contrária à regulamentação.

Gabriel Dollé considera ter sido "traído", mas não conseguiu justificar porque é que não agiu com mais firmeza, já que permitiu a alguns atletas russos dopados participar e ganhar medalhas nos Jogos Olímpicos de Londres2012.

A audição de Lamine Diack está prevista para quarta-feira.

Por Lusa
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