Javier Sotomayor colocou ponto final na carreira
Tem 2,45 no salto em altura e foi campeão olímpico, sete vezes campeão mundial, quatro vezes recordista mundial, oito vezes líder anual. O seu recorde do Mundo está para durar...
MICHAEL Johnson anunciou com um ano de antecedência a sua retirada e, depois de várias presenças mais ou menos simbólicas em "meetings" um pouco por todo o Mundo, fez a sua última corrida no Japão, no Meeting de Yokohama, a 15 de Setembro último. Por coincidência, foi também aí que Javier Sotomayor, recordista mundial do salto em altura, fez a derradeira prova da sua carreira, ganhando com 2,31. Foi a sua 235ª marca acima de 2,30.
Por alturas do seu 34º aniversário, declarou que abandonara as pistas. Para trás haviam ficado 23 anos de grandes sucessos, com um título olímpico, sete mundiais (um dos quais de juniores), quatro recordes mundiais e uma larga superioridade sobre os restantes melhores saltadores de sempre. Ele continua a ser o único homem a saltar mais que a altura de uma baliza de futebol (2,43 m) e tem três centímetros de vantagem sobre o antigo recordista, o sueco Patrick Sjoberg, que continua a ser o segundo de sempre, com 2,42.
Nascido a 23 de Outubro de 1967 em Limonar, 150 quilómetros a oeste de Havana, Javier Sotomayor iniciou-se no atletismo em 1978 e, com 13 anos, já passava 1,84. Atingiu os 2 metros com 14 anos e, dos 15 aos 19 anos, detém as melhores marcas mundiais da sua idade: 2,17 com 15 anos; 2,33 com 16; 2,34 com 17; 2,36 com 18; 2,37 com 19. Foi recordista mundial de juniores com 2,36, em 1986, ano em que conquistou o seu primeiro título mundial, como júnior.
Em 1988 bateu pela primeira vez o recorde mundial, ao saltar 2,43 em Salamanca. Mas o boicote cubano aos Jogos de Seul impediram-no, muito provavelmente, de conquistar o seu primeiro título olímpico. No ano seguinte, bateu também o recorde mundial de pista coberta (com os ainda actuais 2,43) e melhorou o de ar livre, com 2,44, passando pela primeira vez uma altura superior à de uma baliza de futebol.
Depois, foi o título olímpico em Barcelona"92 (o único da sua carreira), o primeiro título mundial de ar livre, em Estugarda"93, e a grande marca da sua carreira (2,45), novamente em Salamanca, na sua pista-talismã, à qual, aliás, foi mais tarde dado o seu nome. Atingira o ponto alto da sua carreira.
Depois, uma série de lesões fizeram com que alternasse os títulos com as derrotas. Foi apenas 11º nos Jogos de Atlanta"96, mas ganhou novo título mundial em Atenas"97.
Maldita cocaína
Em 1999, na sequência da sua vitória nos Jogos Pan-Americanos, uma análise "antidoping" acusou cocaína e foi suspenso por dois anos. A Federação Cubana inocentou-o, a Federação Internacional acabou por reduzir-lhe a pena de dois para um ano e ele pôde voltar a competir nos Jogos de Sydney, sendo segundo.
Este ano, foi quarto no Mundial de Edmonton, a sua última grande competição. Os problemas físicos (nomeadamente a nível de tendões) continuaram a apoquentá-lo e, há dias, aproveitando a celebração do seu 34º aniversário, anunciou a retirada. Estava a ser-lhe cada vez mais doloroso treinar ao mais alto nível.
Javier Sotomayor, casado com uma antiga saltadora em altura e pai de dois filhos, quer agora trabalhar para a Federação Cubana de Atletismo, seguindo as pisadas de outro grande campeão do seu país, Alberto Juanturena.
Os melhores momentos
1988/1989 – OS PRIMEIROS RECORDES
Javier Sotomayor não pôde estar presente nos Jogos Olímpicos de Seul, pois Cuba boicotou-os. Mas, mesmo assim, o ano de 1988 foi o da sua primeira grande época, ao conseguir o recorde mundial, melhorando em um centímetro o anterior recorde (2,42) do sueco Patrick Sjoberg. Meses depois, em Budapeste, voltou a passar 2,43, batendo o recorde mundial de pista coberta, que ainda vigora, e, nesse mesmo ano de 1989, em San Juan, melhorou mais um centímetro (2,44) ao ar livre. Se em vez de postes e uma fasquia de salto em altura ali estivesse uma baliza de futebol, ele teria (pelo menos teoricamente...) passado sobre ela!
1993/1994 – QUASE IMBATÍVEL
1993 e 1994 foram os melhores anos da carreira de Sotomayor. Em 1993, estabeleceu aquele que continua a ser o recorde mundial (2,45) e, nesse ano e no seguinte, ganhou 30 das 31 competições em que participou. Depois de ser campeão olímpico em Barcelona'92, o cubano sagrou-se em 1993 campeão mundial de pista coberta e ar livre e terminou o ano de 1994 ganhando a Taça do Mundo, em Londres.
Os piores momentos
11º NOS JOGOS DE ATLANTA'96
As lesões começaram a afectar Javier Sotomayor e ele não se apresentou em boas condições nos Jogos Olímpicos de Atlanta'96. No ano anterior, perdera o Mundial de Gotemburgo – a sua primeira derrota em grandes competições desde o Mundial de Tóquio'91 – frente a Tropy Kemp (Bahamas), pois passou 2,37 apenas à terceira tentativa, falhando depois a 2,39. Em Atlanta, passou 2,25 à primeira tentativa, prescindiu a 2,29 e falhou a 2,31. Foi parar a... 11º!
COCAÍNA NOS PAN-AMERICANOS’1999
Mas o pior momento da carreira de Sotomayor deu-se há dois anos, quando uma análise “antidoping” na sequência da sua vitória nos Campeonatos Pan-Americanos, realizados em Vinnipeg, revelou a existência de cocaína. A Federação Cubana ilibou-o, mas a Federação Internacional manteve os dois anos de suspensão, depois reduzidos a um, por "circunstâncias excepcionais". E, assim, Sotomayor participou nos Jogos de Sydney, sendo segundo, com 2,32, apenas derrotado pelo russo Sergey Klyugin (2,35).