Maratona do Rio cresce: 70 mil participantes em 2026 contra os 38 mil de 2023

É o maior festival de corrida de rua da América Latina

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Rio de Janeiro
Rio de Janeiro • Foto: PEDRO MACEDO THENGO
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A Maratona do Rio é o maior festival de corrida de rua da América Latina, combinando competição, turismo e cultura carioca. Em 2026, foi realizada a maior edição de sua história, com cerca de 70 mil participantes, perante os 38 mil em 2023. Foi um crescimento de aproximadamente 84%. Reuniu participantes de 59 países, com estimativa inicial de adesão estrangeira próxima de 8%.

 A edição de 2026 gerou um ganho de aproximadamente 100 milhões de euros de impacto económico, segundo a Funda Getúlio Vargas, cerca de 21% acima de 2025. 75% dos participantes vieram de fora do município do Rio de Janeiro, mostrando a dimensão da prova como motivo de viagem.

 Esta prova tem uma forte presença europeia e uma conexão grande com Portugal. A  Europa respondeu por 18,2% dos inscritos estrangeiros, reunindo corredores de 24 países. Cerca três dezenas de portugueses estiveram na edição de 2026, sendo o sexto país com mais representantes.

Portugal também se destacou no acompanhamento digital: foram 420 usuários únicos com acessos a partir do país na plataforma do atleta da Chronomax. Portugal ficou em segundo lugar entre os europeus, atrás da França (481) e à frente do Reino Unido (252), e em sexto no ranking geral.

A plataforma permite acompanhar a cobertura ao vivo, rastrear atletas durante as provas e consultar resultados. O relatório registrou acessos de 109 países, incluindo pessoas que acompanharam os corredores à distância.

A Maratona do Rio vai celebrar a sua 25ª edição entre os dias 27 e 30 de maio de 2027, durante o feriado de Corpus Christi: 5 km na quinta-feira, 10 km na sexta, 21 km no sábado e 42 km no domingo, além do Desafio de 21 km + 42 km. O evento projeta cerca de 74 mil participantes.

O calendário permite combinar a corrida com uma estadia de quatro ou cinco dias para conhecer as praias, a gastronomia e as atrações culturais do Rio. Uma das principais novidades é a inscrição direta para estrangeiros, sem contratação obrigatória de pacote turístico e sem sorteio, conforme as regras e o calendário de cada distância. Antes, a participação desse público acontecia predominantemente por agências de turismo desportivo.

Como parte da estratégia de internacionalização, a Maratona do Rio esteve presente na Expo da Maratona de Buenos Aires e seguirá para a Expo da Maratona de Nova Iorque, de 29 a 31 de outubro, e para a Expo da Maratona do Porto, nos dias 6 e 7 de novembro.

Em todas, a Maratona do Rio contará com um estande, distribuição de brindes e fará a apresentação da 25ª edição. Os visitantes poderão conhecer as modalidades disponíveis e receber orientação para realizar a inscrição direta pela plataforma.

A Maratona do Rio foi classificada como a 11ª marca de maratona mais forte do mundo, com 72,4 pontos no estudo Brand Finance Marathons 50 2025. Ficou à frente de Dublin, Madrid e Barcelona, além de Chicago, integrante das Abbott World Marathon Majors, que ocupou a 27ª posição.

O estudo avalia aspectos como reputação, familiaridade e percepção da experiência. No Rio, destacou localização, acessibilidade e impacto positivo percebido na comunidade. A classificação se refere à força da marca.

Em 2026, a Maratona do Rio conquistou o Elite Label da World Athletics, entidade internacional que rege o atletismo, e ofereceu 270 mil dólares (cerca de 242 mil euros) em prémios — o maior valor de uma prova de corrida de rua na América Latina. A expectativa da organização é manter essa liderança em 2027.

Os investimentos em percurso, organização e prémios prociram atrair grandes atletas de elite e elevar a competitividade da prova. A organização tem como obketivo o Gold Label e mantém o sonho de, no longo prazo, integrar as Abbott World Marathon Majors, sem candidatura formal anunciada. 

Muita adesão
Muita adesão

Record conseguiu encontrar alguns portugueses que participaram das provas de 2026. Ana Filipa Paulos Mota que tem nos 10 km uma experiência de viver o Rio de Janeiro. Ana veio ao Brasil para trabalhar durante cinco meses. Embora pratique desporto diariamente, não tem afinidade com a corrida. Escolheu os 10 km como uma oportunidade de se desafiar e aproveitar a experiência de morar sozinha do outro lado do Atlântico: “Que melhor experiência teria do que conseguir correr 10 km com a vista da Cidade Maravilhosa?”

Outro foi Fernando José Marques da Silva, que foi do futebol à corrida e após três cirurgias. 

Ex-jogador de futebol, Fernando encontrou a corrida após três lesões graves nos joelhos e três cirurgias entre 2021 e 2023. Disputou no Rio sua segunda maratona, depois de Barcelona, e descreveu a experiência como “a melhor prova que já fiz”. Já planeja regressar em 2028 com amigos.

Fernando José Marques da Silva de 24 anos, natural de Guimarães, fez para o nosso jornal um depoimento em primeira pessoa para falar da sua história com a Maratona do Rio de Janeiro. 

“Chamo-me Fernando, tenho 24 anos, e durante quase toda a minha vida fui atleta de futebol. Comecei aos 6 anos e joguei até aos 22, sempre com o sonho de evoluir e competir ao mais alto nível. Mas em 2021, tudo mudou. Sofri uma lesão grave no joelho — rutura do LCA e menisco — que me obrigou a parar e a questionar se conseguiria continuar.

Recuperei. Trabalhei. Voltei.

Um ano depois, consegui regressar ao futebol ao mais alto nível. Mas apenas dois meses depois, em 2022, voltei a sofrer exatamente a mesma lesão — desta vez no joelho contrário. Estava nos Estados Unidos, longe da família, sem grande suporte, mas com a mesma determinação de sempre. Mais uma cirurgia. Mais uma recuperação. Mais uma batalha.

E quando tudo parecia finalmente encaminhado, em 2023, a história repetiu-se novamente no mesmo joelho. Três lesões graves. Três cirurgias em três anos consecutivos. Foi aí que tive de aceitar que o futebol já não faria parte do meu futuro como antes. Disseram-me que voltar a jogar seria arriscado. Disseram-me até que correr poderia nunca voltar a ser uma realidade sem dor.

Mas eu nunca aceitei limites impostos por outros. Trabalhei mais do que nunca. Foquei-me na recuperação, na mobilidade, no fortalecimento muscular, na alimentação. Dei tudo para voltar a sentir-me capaz. Não como antes — mas de uma nova forma.

E foi aí que encontrei a corrida. Em abril de 2024, apenas 8 meses depois da última cirurgia, corri a minha primeira prova: a Meia Maratona de Madrid. Terminei exausto, mas com algo que não sentia há muito tempo — paixão. Aquela sensação de uma cidade inteira a vibrar, o frio na barriga antes da partida que me fazia lembrar os jogos, a energia do percurso, e, acima de tudo, a liberdade de correr sem limitações.

Desde então, a corrida passou a fazer parte da minha vida. Fiz várias provas, sempre com preparação e respeito pelo meu corpo. E este ano, completei a minha primeira maratona, em Barcelona. Uma experiência indescritível. Uma mistura de superação, alegria, força e emoção. A prova de que não existem limites quando existe dedicação, consistência e o acompanhamento certo.

Hoje, olho para trás e vejo que cada obstáculo me trouxe até aqui. E agora, escolho a Maratona do Rio como o próximo capítulo desta história. O Rio de Janeiro é, sem dúvida, o lugar mais especial que já visitei. A energia, as pessoas, a paisagem — é um lugar onde me sinto vivo. E por isso, não podia haver cenário melhor para correr a minha próxima maratona. Quero tornar-me maratonista na cidade maravilhosa. No lugar que me inspira, que me dá energia, e que visito sempre que posso.

Esta não é apenas uma corrida. É a celebração de tudo o que ultrapassei. Porque quando nos recusamos a desistir, não há sonhos demasiado grandes para se tornarem realidade.”

 Fernando também falou após participar da Maratona do Rio deste ano:

 R - Depois das lesões e cirurgias, o que significou para si completar os 42 km no Rio?

F - Depois de três cirurgias ao joelho e mais de quatro anos de tratamentos constantes, completar os 42 quilómetros no Rio foi muito mais do que correr uma maratona. Foi a prova viva de que nenhum objetivo é impossível quando existe comprometimento, disciplina e dedicação todos os dias. Houve momentos ao longo dos últimos anos em que a possibilidade de andar normalmente chegou a ser posta em causa. Por isso, completar uma maratona, e ainda por cima no Rio, foi uma sensação incrível. Foi sentir uma força interior enorme e sentir na pele que, quando nos comprometemos verdadeiramente com algo, somos capazes de ir muito mais longe do que alguma vez imaginámos.

R - Disse que foi a melhor prova que já fez. O que tornou essa experiência tão especial? Tem algum momento que resume isso?

F - O que tornou esta experiência tão especial foi a conjugação da beleza natural da cidade do Rio de Janeiro com a energia incrível das pessoas ao longo de todo o percurso. Lembro-me perfeitamente da partida, por volta das 5h45 da manhã. Ainda estava de noite, na Praia da Reserva. Mal começámos a correr, o sol começou a nascer no horizonte e estávamos a correr junto à praia, com uma paisagem absolutamente incrível à nossa volta. Lembro-me de pensar: ‘Aproveita o momento, és um privilegiado por estar aqui a viver isso’. E foi isso que fiz. Guardei o nascer do sol na minha memória, ao ponto de conseguir reproduzir mentalmente aquele momento com uma enorme precisão, como se estivesse lá novamente. Além disso, a energia dos brasileiros é algo indescritível. Desde a praia de São Conrado, Leblon, Ipanema, até Copacabana e Botafogo, pessoas que nunca tinha visto na vida gritavam por nós como se fôssemos da própria família. Foi verdadeiramente arrepiante e um dos fatores que tornou esta experiência ainda mais inesquecível.

 R - Por que decidiu voltar em 2028 com amigos? O que quer que eles vivam nessa experiência?

F - Quando regressei a Portugal e partilhei algumas histórias, fotografias e vídeos com amigos, todos ficaram absolutamente encantados com aquilo que foi a prova. A reação foi quase unânime: ‘Temos que ir, temos que viver esta experiência um dia’. E foi assim que surgiu a ideia de irmos todos em grupo em 2028. Uma das coisas que mais gosto é que a Maratona do Rio vai muito além dos 42 quilómetros. É um festival com quatro dias de corrida: 5 km, 10 km, meia maratona e maratona. É uma experiência para corredores de todos os níveis, não apenas para aqueles que querem fazer uma maratona. Acho que é uma prova que todos os apaixonados pela corrida deveriam ter na sua lista. Em 2028, quero voltar a viver essa experiência, desta vez partilhada com amigos, e mostrar-lhes também aquilo que me fez apaixonar por esta prova.

O nosso jornal falou também com Claudio Romano, vice-presidente de marketing e negócios da Dream Factory, uma das organizadoras do evento a par da Spiridon Eventos.

R . A dimensão da Maratona é o que a torna diferente?

CR -A Maratona do Rio cresceu de 38 mil para cerca de 70 mil participantes entre 2023 e 2026, mas o que nos interessa não é apenas o tamanho do evento. Construímos um festival que permite a pessoas com diferentes experiências na corrida participar e conhecer a cidade ao mesmo tempo. O Rio tem uma força de atração própria, e queremos que a Maratona esteja à altura dessa cidade: uma prova de alta qualidade, com a energia e a identidade carioca.”

R- O momento de internacionalização?

CR - Na edição deste ano, recebemos corredores de 59 países. Isso mostra que existe interesse pela Maratona do Rio fora do Brasil e nos dá uma base para crescer em novos mercados. Estamos trabalhando para que esse corredor encontre uma prova cada vez mais competitiva, uma experiência bem organizada e um caminho mais simples para participar. A inscrição direta para estrangeiros é um passo importante: o atleta pode escolher sua distância e planejar a viagem com mais autonomia.

R - Portugal, a Expo do Porto e a 25ª edição?

CR - Portugal tem uma tradição importante nas corridas de longa distância e uma comunidade de corredores que viaja para participar de provas pelo mundo. Queremos conversar com esse público de perto na Expo da Maratona do Porto e apresentar a nossa 25ª edição. O convite é para vir ao Rio em 2027 e viver uma experiência que vai além dos 42 km: são quatro dias de provas, em uma cidade que também oferece muito para conhecer antes e depois da corrida.

 

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