Maratona explica proibição de cadeiras de rodas da Meia-Maratona de Lisboa após queixas da APCL
Organização é acusada de discriminar pessoas com deficiência
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O Maratona Clube de Portugal, organizador da Meia-Maratona de Lisboa, emitiu um comunicado a explicar a "não participação de concorrentes em cadeiras de rodas, cadeiras de bebés e outros equipamentos nas provas" de ontem, depois das queixas da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, que viu os seus associados serem impedidos de participar.
No Instagram a página 'Iron Brothers Triathlon' fala numa "violação gritante do princípio da igualdade". "É uma discriminação vergonhosa de pessoas com deficiência, quando andaram a publicitar a prova como inclusiva", pode ler-se. "Esperamos que os parceiros da prova não se revejam nesta atitude e que tomem as devidas medidas."
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Uma pessoa que estava com os participantes da Associação contou o que se passou. "Chegamos às 8h30 à ponte, onde parámos ao lado de um autocarro que estava a 'descarregar' malta que iria participar em todas as vertentes da prova... Não pudemos 'descarregar' e disseram-nos que deveríamos de o fazer depois das portagens. Estávamos a começar a tirar o Pedro quando chega o diretor da prova e diz 'não pode haver cadeiras de rosas'. Como assim?", questiona Elsa Farinha nas redes sociais.
"Encontrámos um agente da PSP e explicámos a situação. 'Mas se estão inscritos e têm dorsais podem participar'... Foi o que acabámos por fazer. Não houve passagem da ponte porque a organização acha que cadeiras de rodas são um acessório (só pode), mas fizemos os quilómetros seguintes. E se da organização só posso dizer que foram uma vergonha, só posso enaltecer os vários agentes da Polícia Segurança Pública que fomos encontrando pelo caminho. A todos eles um muito obrigada. E sim, com certeza que será feita a devida queixa", garantiu Elsa Farinha.
O Maratona Clube de Portugal, organizador da corrida, explicou em comunicado que a proibição esteve relacionada com problemas de segurança verificados em edições anteriores. "Enquanto responsável pela segurança de cada um dos milhares de participantes nas provas por si organizadas, o Maratona Clube de Portugal vem por este meio reforçar que a não participação de concorrentes em cadeiras de rodas, cadeiras de bebés e outros equipamentos nas provas deste domingo, se deve exclusivamente a questões de segurança e em consequência de incidentes graves ocorridos em edições anteriores. Estas regras foram comunicadas no regulamento das provas e na Sport Expo, que lamentamos se não estiveram claras o suficiente."
E prossegue: "Recordamos que enquanto organizadores de provas, fomos pioneiros na inclusão e, que entre 1998 e 2018, organizámos em Lisboa, em conjunto com a Meia Maratona, 20 edições da prova de deficientes motores em cadeiras de rodas com atletas semi-profissionais de todo o mundo. Não obstante, somos os primeiros a lamentar o transtorno causado aos participantes que hoje se viram privados de participar. Já entrámos em contacto com a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e mostrámos a nossa disponibilidade para procurar em conjunto uma forma em que possamos contar com a participação dos seus associados, salvaguardando a segurança de todos o participantes."
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