Nelson Évora operado com sucesso

Recorde-se que o campeão olímpico em Pequim'2008 lesionou-se na passada quarta-feira, no Complexo Desportivo do Jamor...

Nelson Évora operado com sucesso
Nelson Évora operado com sucesso • Foto: EPA
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Nelson Évora foi esta terça-feira operado com sucesso à perna direita, de forma a debelar a fratura na tíbia.

Segundo os responsáveis médicos, o tempo de paragem rondará as 9/12 semanas, dependente sempre de como o atleta recuperar.

A cirurgia, feita no Hospital Garcia da Orta (Almada), durou cerca de duas horas e um quarto e "correu bem", segundo Nuno Craveiro Lopes, diretor do serviço de Ortopedia e Traumatologia e responsável principal da Unidade de Reconstrução Óssea, que espera que o atleta possa ficar em condições excelentes para regressar à competição.

"A nossa intenção é que esta perna fique mais resistente do que a perna boa dele", disse o cirurgião, em conferência de imprensa, admitindo também que no prazo de quatro meses o triplo saltador já se possa "preparar para futuras provas", ou seja, teoricamente a tempo dos Jogos Olímpicos, a que o atleta já decidiu que não vai.

A confirmação de que Nelson Évora não vai mesmo defender o título em Londres'2012 é feita por João Ganço, treinador do campeão, que acrescenta que agora a aposta tem de ser os Mundiais de 2013, em Moscovo, "para regressar muito bem e conquistar uma medalha".

Nelson Évora lesionou-se na quarta-feira, num aquecimento para uma prova, no Estádio Nacional, e após as primeiras observações, no hospital São Francisco Xavier, acabou por ser encaminhado para o hospital Garcia da Orta, que tem uma unidade de referência mundial em reconstrução óssea - Nuno Craveiro Lopes é mesmo o atual presidente da confederação mundial dessa especialidade.

O médico explicou que o processo "foi um pouco mais complicado do que o habitual", já que o saltador se apresentou com "três problemas" na mesma perna: uma lesão de stress anterior, não totalmente recuperada, uma fratura aguda, "na zona pior que existe da tíbia", e ainda dores na zona externa do joelho, por "excesso de carga" nos treinos e competição.

"Tratámos de várias coisas, nesta cirurgia", refere o médico, que espera que a recuperação seja "total" daqui a três a seis meses e que não haja sequer recidivas da lesão de stress.

Concretamente, foi cortado parte do perónio, para "melhor comprimir a tíbia", o que deverá fazer com que as dores no joelho desapareçam, e foi trocada a cavilha que Nelson já tinha na perna por uma nova, "bloqueada por parafusos em cima e em baixo, para recuperar mais rapidamente".

Nelson Évora vai ficar internado mais um ou dois dias, devendo ter alta até quinta-feira, e depois fica imobilizado até segunda-feira. O processo segue com estimulação com ultrassons de baixa frequência, vitaminas para reabilitação óssea e marcha com carga progressiva e ginástica de fortalecimento.

"Em nove semanas pode voltar a treinar, em quatro meses, pode preparar-se para futuras provas", vaticinou Nuno Craveiro Lopes, ressalvando sempre que isso ia depender da recuperação de Nelson, em concreto. "É possível que todas as lesões estejam recuperadas entre três a seis meses", adiantou.

De qualquer forma, a ida aos Jogos Olímpicos já estava fora da mente do atleta, mesmo antes de entrar para o bloco operatório: pretende regressar apenas a um nível que o coloque a lutar pelo pódio de uma grande competição.

João Ganço, treinador do atleta, está otimista, depois de saber que a cirurgia foi bem sucedida e a recuperação pode ser total e relativamente rápida: "É uma ótima notícia, já falámos sobre os procedimentos a fazer e o quadro é muito animador, muito otimista".

"Acredito que o Nelson volte a ser o que era e possa ir ainda mais além", disse ainda. "O nosso objetivo era ir aos Jogos Olímpicos e conseguir uma medalha, agora encaramos a lesão como 'uma bênção', a fratura vai ficar totalmente recuperada e apostamos no Mundial de ar livre de 2013, para conquistar uma medalha".

Campeão olímpico em Pequim'2008, Nelson Évora esteve mais de um ano sem competir, depois da operação a que foi sujeito em fevereiro de 2010, regressando a bom plano no final da época passada (julho), a tempo de se sagrar campeão mundial universitário e quinto classificado no Mundial de Daegu, Coreia do Sul.

Este ano, apostava numa boa presença no Mundial de pista coberta de Istambul, no início de março, e sobretudo nos Jogos Olímpicos, onde já decidiu que não vai estar a competir, devendo apenas integrar a missão olímpica portuguesa, como convidado.

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