Patrícia Silva e a conquista do bronze: «Tive de ter muita paciência, confiar um pouco na minha reta final»

Portuguesa subiu ao pódio nos 1500 metros do Europeu

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Patricia Silva à direita
Patricia Silva à direita • Foto: AP
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A portuguesa Patrícia Silva enfrentou hoje uma reta sem fim para chegar em terceiro à meta na final dos 1.500 metros dos Campeonatos da Europa de atletismo, em Birmingham.

A atleta do Sporting, de 26 anos, confirmou na final o terceiro melhor tempo entre as inscritas, mesmo que, para isso, tenha tido de acelerar nos últimos 200 metros, para terminar em 04.09,22 minutos, atrás da britânica Georgia Hunter Bell, vencedora em 04.07,78, e da polaca Klaudia Kazimierska, segunda, em 04.08,80.

"Foi uma prova em que eu tive de ter muita calma, estive sempre na cauda, fiz um movimento grande para chegar à frente, dei por mim e estava no fim, outra vez. Tive de ter muita paciência, confiar um pouco na minha reta final, que foi um bocadinho mais longa do que a da pista coberta de 2025", reconheceu Patrícia Silva, recordando a também medalha de bronze nos 800 metros dos Mundiais 'indoor' Nanjing2025.

Na parte final da prova, a atleta do Sporting, agora treinada pelo norueguês Gjert Ingebrigtsen, ainda foi ultrapassada por Agathe Guillemot, mas a sua resposta relegou a francesa para o quarto posto, com o tempo de 04.09,62.

"Tive de acreditar até ao fim e acho que isso foi o mais importante, foi acreditar, porque eu estava em quarto lugar, com o bronze ali nas minhas mãos e tive de ir até ao fim e já nem tive tempo de olhar para a prata", reconhecendo a distância para Hunter Bell e Kazimierska.

Aos 26 anos, Patrícia Silva confirmou a propensão familiar para o pódio em Europeus ao ar livre, prosseguindo o legado iniciado pelo pai Rui Silva, 'vice' em Budapeste1998 e bronze em Munique2002, além do bronze olímpico nos 1.500 em Atenas2004 e nos Mundiais Helsínquia2005.

"Este bronze representa muito, é a minha primeira medalha ao ar livre, na distância dos 1.500 metros, Representa muito, muito trabalho este ano, muito tempo fora de casa, muito tempo longe da minha família e compensou tudo", vincou a atleta natural do Cartaxo, que treina regularmente na Noruega, tendo ainda a orientação da mãe Susana Silva, quando permanece em "casa".

E foi a estas duas 'peças fulcrais' na carreira que Patrícia Silva, que este ano baixou dos quatro minutos -- para 03.58,74 - dedicou a medalha: "Quero dedicá-la à minha família e ao meu treinador, que acredita a 1.000% em mim e também isso permitiu que isto acontecesse".

"Claro que nós como atletas queremos chegar aos voos maiores, mas com calma. Esta foi a minha primeira época inteira, mas estou muito feliz. Saber que o consigo fazer e saber o que preciso fazer para que isso aconteça, acho que esta consistência pode-me levar a sítios ainda maiores e não vou parar de trabalhar para chegar lá", assegurou.

Na mesma corrida, Salomé Afonso liderou até aos 800 metros, entrou na última volta em quarto, mas acabou em 11.º, com o tempo de 04.14,35.

"Acho que, taticamente, não podia ter estado melhor, mas na última volta estava completamente vazia. A verdade é que, desde o início que tentei gastar menos energia possível, mas as sensações nunca a acompanharam. Tinha a clara noção de que não ia ser fácil quando o ritmo acelerasse, não ia fluida, não ia leve", admitiu a lisboeta, de 29 anos.

A meio-fundista do Benfica, de 29 anos, medalha de prata nos 1.500 e bronze nos 3.000 nos Europeus em pista curta Apeldoorn2025, lamentou o desfecho, prometendo lutar para melhorar.

"Foi um dia mau, se calhar, depois de uma época muito difícil, acreditei muito que hoje o desfecho ia ser bem diferente, mas não foi possível e só me resta avaliar e tentar perceber o que evitar no futuro e o que fazer melhor", rematou.

Portugal soma agora cinco medalhas nos 1.500 metros em Europeus, a terceira de bronze - depois das pratas em Budapeste1998 de Carla Sacramento e Rui Silva, que arrebatou ainda uma de bronze, em Munique2002, tal como Mário Silva, em Split1990.

A recordista nacional Carla Sacramento (03.57,71) continua a deter o melhor resultado português em Europeus, com o segundo lugar em Budapeste1998, quando Rui Silva também conquistou a prata.

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