Recorde do Mundo de Mamede completa hoje vinte anos

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Completam-se hoje 20 anos sobre o primeiro recorde mundial do atletismo português. Foi conseguido por Fernando Mamede, no DN Galan, o tradicional Meeting de Estocolmo, a 2 de Julho de 1984. O recorde pertencia desde 1978 ao queniano Henri Rono, com 27.22,5 (tempo manual), e foi batido por quase nove segundos! A sua queda não constituiu surpresa. A prova fora preparada para isso mesmo. E desde que, três anos antes, em Alvalade, Fernando Mamede bateu pela primeira vez o recorde da Europa, com 27.27,7, ficando então a pouco mais de cinco segundos, que essa proeza se aguardava. Quer Carlos Lopes, que ficou a menos de dois segundos do recorde em 1982 e a menos de um segundo em 1983, quer o próprio Fernando Mamede, que em 1982 se aproximou a 45 centésimos (!), estiveram antes quase a batê-lo.

Até que chegou o célebre dia 2 de Julho de 1984. Entre os mais de 20 concorrentes estavam seis portugueses. Do lado de fora, Moniz Pereira, Rosa Mota (que correra os 3.000 m), Humberto Sequeira (que fizera 1.500 m) e José Pedrosa. Até deu para montarem uma espécie de secretariado junto à meta. Enquanto o professor ia dando os tempos de passagem, os outros iam tomando notas e comparando tempos.

"Lebre" nacional

A "lebre" foi Guilherme Alves, especialista de 3.000 m obstáculos. José Sena (12º com 28.17,83), Luís Horta, o actual responsável pelos controlos "antidoping" (13º com 28.18,13), e Rafael Marques, treinador do Maratona (18º e último, com 29.30,96), tentavam mínimos olímpicos.

Depois de um começo algo lento, a prova entrou no ritmo desejado. Mas foi no oitavo quilómetro que o recorde começou a ser verdadeiramente construído. Carlos Lopes desferiu um ataque, com quilómetros em 2.41,66 (o 8º) e 2.42,83 (o 9º). À entrada para os derradeiros mil metros, Lopes tinha quatro segundos e meio de vantagem sobre a passagem de Rono seis anos antes. Mamede seguia uns 15/20 metros atrasado. Mas a recuperação deste foi sensacional. Fez os últimos 800 metros em dois minutos e a última volta em 57,45 s. Apanhou Lopes e deixou-o quatro segundos e meio para trás. Bem se pode dizer que Lopes construiu o recorde e Mamede lhe deu o toque de classe!

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