Salomé Rocha e os Mundiais de atletismo: «É uma questão de me proteger da ansiedade»

Maratona feminina tem início às 23h59 de sexta-feira

• Foto: LUSA

Salomé Rocha é a única representante portuguesa nos Mundiais de atletismo de Doha no meio-fundo, que já foi a 'coroa de glória' da seleção lusa, mas agora está praticamente desaparecido.

Aos 29 anos, e já com boa experiência internacional, mas em 10.000 metros, estreia-se em maratonas de Mundiais e logo com a 11.ª marca de inscrição entre as inscritas, o que a confirma como uma 'outsider' para uma boa classificação, sobretudo por causa das condições extremas da prova.

"É a primeira vez que corro uma maratona num campeonato do mundo, antes corria os 10.000 metros, e vão ser condições completamente distintas das que estamos habituados na Europa, temperaturas muito altas e humidade muito alta também", explicou a atleta, que se qualificou na primavera com um recorde pessoal de 2:24.47 horas na maratona de Londres.

Salomé Rocha ainda não tem a noção de que corrida pode fazer, por estratégia assumida do treinador, Rui Ferreira.

"Em termos de ambição, não posso falar muito sobre isso porque a nossa forma de trabalhar passa por saber só no dia da prova os tempos para que poderei ir. É uma questão de me proteger da ansiedade. Não posso dizer o que estou à espera porque ainda não tenho essa noção", explicou.

Ainda assim, a atleta lusa espera "um campeonato diferente" e "gostava de fazer um bom resultado", como em Londres, "uma ótima recordação", onde conseguiu a sua "melhor marca".

"Londres foi o mais agreste até agora, mas por causa do vento em si, porque a nível de temperatura e humidade foi bastante tranquilo. Nunca corri assim, tenho feito as maratonas às nove da manhã, não à meia noite", ironizou.

Para o futuro, e já com a qualificação olímpica assegurada, aquela que já é a terceira do 'ranking' português de sempre fala em melhorar o recorde pessoal, mas, por enquanto, foca-se na corrida na Corniche de Doha.

"Eu treino para conseguir melhorar essa marca, mas tudo pode acontecer, é das provas onde menos favoritismos há, mas em 42 quilómetros muita coisa pode acontecer. Não estou com pressa de querer melhorar, tenho noção de que precisarei de mais maratonas para me tornar numa boa e experiente maratonista", adiantou.

O treinador, Rui Ferreira, é especialmente 'reservado' em traçar metas para a prova e garante que um lugar nas 25 primeiras é o que se pretende, e que tudo o que for abaixo disso será ótimo. "O problema muitas vezes tem sido elevar-se demasiado as fasquias e isso não vamos fazer".

"As condições não são as melhores, já se sabe, e terá sucesso quem for mais inteligente, melhor gerir o esforço, melhor leitura da prova fizer. E a Salomé tem essa capacidade", garante.

Segundo ele, a atleta "corre sempre com ritmos que lhe permitam estar confortável", o que só será equacionado mesmo 'em cima da hora'. "Só falamos em estratégia e em ritmos de prova no próprio dia, agora... nem ela sabe".

Rui Ferreira assegura que o "trabalho de casa" está feito, com o estágio de duas semanas em Coimbra, onde se simulou as condições do momento da prova.

"Um trabalho muito interessante, com um impacto bastante forte. Difícil nos primeiros três dias, mas depois foi muito satisfatória a adaptação que a Salomé conseguiu", explicou.

A maratona feminina tem início às 23h59 de sexta-feira (menos duas horas em Lisboa), com um percurso todo ele desenhado na Corniche, a mais emblemática avenida costeira de Doha.

Por Lusa
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