Surpreendente Jake

Vencedor nasceu na Nova Zelândia, mas vive no Quénia há 10 anos. Triunfo dá-lhe confiança para experimentar a maratona este ano

• Foto: Pedro Ferreira

Há um nome a ter em conta para os próximos meses: Jake Robertson, nascido na Nova Zelândia há 27 anos, e que fez ontem a sua estreia com sucesso na meia-maratona de Lisboa, arrancando uma surpreendente vitória com o bom registo de 1:00.01 horas. Os melhores portugueses tiveram uma digna presença: Samuel Barata foi 6º com máximo pessoal (1:03.52 h) e Jéssica Augusto 7ª (1:10.38 h).

Foi bastante agradável de seguir o comportamento do fundista neozelandês: desinibido, arrancou quando sentia que era a altura certa e fê-lo cheio de convicção nos últimos 5 quilómetros. Os africanos nem responderam ao ataque e Robertson despertou para outra realidade: a confirmação de que poderá fazer uma estreia auspiciosa na maratona. Talvez isso possa acontecer no final deste ano, no Japão.

Carlos Móia, presidente do Maratona Clube de Portugal, que estava um pouco triste com a aposta feita na corrida feminina, viu recompensado o seu esforço ao acreditar no manager italiano, Gianni Demadonna, um antigo atleta da geração dos gémeos Castro. Jake Robertson tinha garantido ao seu irmão gémeo, Zane, que estava em grande forma. "Despediu-se de mim dizendo que quando eu regressasse a casa o recorde da meia-maratona da Nova Zelândia já não era dele. A minha confiança para esta prova era muita, embora estivesse um pouco nervoso de início, pois ouvi falar na possibilidade de se bater aqui o recorde do Mundo da meia-maratona", confessou a Record o vencedor, que marcou sempre o seu andamento.

Quando chegou o momento da decisão, Robertson mudou o objetivo: ganhar era o mais importante. Mas o tempo final (1:00.01 h) é excelente para quem fez a sua estreia na distância. E este ano certamente fará melhor.

A viver no Quénia

Um dos aspetos mais interessantes foi a maneira como Jake Robertson olhava para os adversários. É que para o neozelandês é normal treinar-se com quenianos, pois desde há 10 anos que vive no Quénia, na cidade de Iten. "Ele quis apostar tudo no atletismo e seguir uma carreira profissional. Infelizmente tem estado muito tempo lesionado, mas este triunfo vai dar-lhe muita confiança", garantiu ao nosso jornal Gianni Demadonna.

O último atleta que não nasceu no continente africano a ganhar a prova foi o português António Pinto, vencedor em 1998, com 59,43 minutos.

Jéssica confirma

Na prova feminina, nada de novo na frente do pelotão, com a campeã mundial, a etíope Mare Dibaba, a ser a melhor, embora com um registo algo discreto para a sua valia (1:09.43 h).

Jéssica Augusto é que continua em alta. Depois de ser campeã nacional de estrada e de corta-mato, a fundista do Sporting foi a melhor portuguesa no bom tempo de 1:10.38 horas, a deixar antever uma marca interessante para a maratona de Hamburgo, a 23 de abril. "Pretendia correr mais lento, mas na fase inicial entusiasmei-me. Fiquei chocada com o ritmo delas e por isso fui para a frente. Para elas a corrida começou aos 16 quilómetros", comentou Jéssica.

Sara Moreira, por sua vez, já se apresentou a um nível bastante aceitável, depois de ter desistido no campeonato nacional de corta-mato longo. Com a preparação atrasada e acusando ainda alguma falta de competição, a sportinguista foi a segunda portuguesa na meta, com 1:12.07 horas.

"Felizmente para mim, a corrida foi num ritmo mais lento. Superei todas as minhas expectativas. Estava com ansiedade de competir", referiu Sara.

Por Norberto Santos e António Manuel Fernandes
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