Luís Carvalho: «É um campo minado»

“A Telma ainda não recebeu as verbas da bolsa olímpica dos primeiros 5 meses de 2016”, afiança Luís Carvalho.

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• Foto: Vítor Rocha
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Luís Carvalho, treinador de Telma Santos, apoia a lista de Jorge Azevedo às eleições para os órgãos sociais da Federação (FPB), agendadas para domingo e referentes ao ciclo olímpico 2016/2020, reconhecendo contudo as dificuldades que terá pela frente. "Sabemos à partida que é um campo minado, mas estamos conscientes do que vamos encontrar", disse-nos Luís Carvalho, que denuncia uma série de dívidas da atual direção, incluindo à sua jogadora.

Um dos pontos principais em que irá incidir a atenção dos integrantes da lista alternativa à atual direção será as contas. "Queremos saber qual é a situação financeira real da federação. O último Relatório e Contas deu como resultado um lucro final de 19 mil euros. No entanto, reencaminhei para a federação um email da clínica a que pertence o médico que operou a Telma Santos ao joelho, o dr. Pereira de Castro, em fevereiro de 2014, a solicitar que a cirurgia fosse paga. Há um lucro de 19 mil euros, mas aparece uma conta de pouco mais de 2 mil euros em dívida há dois anos e sei que a Telma já reencaminhou repetidamente esses emails para a federação. Fico sem perceber", referiu.

Mas esta dívida não é única existente, conforme nos adianta. "Das verbas da bolsa olímpica para a Telma poder participar em torneios no estrangeiro, os primeiros cinco meses de 2016 ainda não foram pagos e os Jogos já acabaram. As verbas de 2015 só foram recebidas em março de 2016...", denuncia o técnico da olímpica portuguesa, que nos confirmou a situação. "Sim, ainda estou à espera desse dinheiro", reconheceu a Record Telma Santos.

Nas assembleias "não há discussões"

"Quando foram escolhidos os delegados dos jogadores, treinadores e árbitros em assembleias gerais marcadas para o final do dia e a meio da semana, em dias em que as pessoas não podiam estar presentes, dá logo para entender que não houve imparcialidade. No final da época passada houve clubes a inscreverem muitos atletas para surgirem no topo dos 20 maiores, de modo a terem direito a voto. Sabemos bem o que nos espera", denuncia o técnico, que prossegue: "Nas assembleias não há discussões. Servem apenas para apurar as contas, que acabam sempre por ser aprovadas. Na última assembleia estavam presentes quatro delegados, num universo de 40! Todas as alterações, sejam de competições, regras, formas de organização, tudo é decidido no interior da federação", acrescenta o treinador do Clube Stella Maris, equipa de formação de Telma Santos.

Dirigente 'longe’ dos atletas

O treinador acusa a atual direção federativa de se ter afastado dos atletas. E relata um episódio passado no Rio de Janeiro. "Para além dos atletas, técnicos e todos os amantes da modalidade que torceram pelos portugueses no Rio, não houve interesse de mais ninguém. Durante quase um mês que estivemos a preparar os Jogos, não recebemos um telefonema da federação a saber como estávamos. Nem um telefonema, nem um email. Sabíamos que um diretor convidado pelo Comité Olímpico esteve uma semana no Rio de Janeiro, mas não contactou uma única vez com os atletas. Não viu um treino. Às vezes só a presença ajuda. É notório que a federação é cada vez menos uma federação de, e para, os atletas. Sem estes não há federações, nem dirigentes, nem técnicos e árbitros", remata Luís Carvalho.

Federação aguarda por verbas do COP

A Federação Portuguesa de Badminton ainda não recebeu as verbas do Comité Olímpico referentes às bolsas olímpicas dos cinco primeiros meses de 2016, segundo nos adiantou, a título pessoal, o diretor federativo, Joaquim Gonçalves.

"Não estou mandatado para falar em nome da Federação. Contudo posso confirmar que a Telma Santos ainda não recebeu as verbas dos cinco primeiros meses do ano, uma vez que a Federação também não as recebeu do Comité Olímpico. Posso garantir que a Federação cumpre religiosamente a sua obrigação com os atletas. Verbas recebidas do COP não são mexidas, a não ser para serem transferidas para os atletas", disse.

Em relação à dívida com o médico que operou Telma Santos, o dirigente é claro: "A Federação nada deve, uma vez que é o seguro quem deve pagar esse honorário", disse o dirigente do organismo liderado por Horário Gouveia, que volta a candidatar-se a mais um mandato nas eleições de domingo.

Moeda ao ar decide técnico

Luís Carvalho foi à sua conta ao Rio de Janeiro, não orientando a sua atleta, Telma Santos, nos Jogos. Essa missão coube a António Pinto Leite, treinador do Pedro Martins. A escolha do técnico foi "surreal", segundo nos conta.

"Fomos chamados para que escolhêssemos quem iria ao Brasil. Nenhum de nós o fez. Fomos convocados para uma reunião onde nos é colocada de novo a questão e como reiterámos a nossa posição, alguém aventou, não sei se por brincadeira, que a escolha fosse sorteada. Levantámo-nos para abandonar a reunião, mas mal ou bem a moeda foi mesmo atirada ao ar. Não sei se foi a brincar, mas dois dias depois comunicaram que ia o Pinto Leite."

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