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Repensar a formação deve ser tarefa prioritária

Repensar a formação deve ser tarefa prioritária
• Foto: Mélanie Maps

A formação em Portugal não vive os melhores dias. Ao contrário do que o próprio nome indicia, as preocupações da grande maioria dos clubes de formação do basquetebol português vive para as vitórias e títulos, e não para formar jogadores, de modo que possam mais tarde reforçar as seleções nacionais.

A existência de um compromisso que envolva treinadores e dirigentes é considerado fundamental para um trabalho que vise o desenvolvimento do jovem praticante.

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Mário Gomes, membro da equipa técnica nacional e coordenador das seleções jovens da Federação (FPB), não esconde a sua preocupação. “O trabalho na formação está completamente desvirtuado. A formação deve estar ao serviço dos jovens jogadores, e o que se passa é que a pseudoformação dos atletas está ao serviço dos resultados nos jogos de fim de semana. Enquanto o objetivo principal for ganhar jogos e títulos, não vale pena tentar trabalhar as questões técnicas, táticas ou físicas, porque ficam sempre para segundo plano”, disse.

Faltam condições. Claro que nem tudo é negativo. Há clubes, associações e até a Federação, através das seleções de sub-18 (masculina e feminina) que residem no CAR Jamor e que estão a trabalhar bem. No entanto, a maioria dos clubes não dispõe de condições, nomeadamente de treinadores, para realizar um trabalho de qualidade nos escalões mais baixos. “As nossas equipas de formação estão, nalguns casos, entregues a jovens treinadores em que eles próprios também estão em formação”, refere o técnico.

Treinar imitando o trabalho efetuado pelas equipas seniores é um erro apontado por Mário Gomes. “Uma equipa de sub-14 ou sub-16 não pode ser, e é, na maioria dos casos, quer em termos de objetivos e de planeamento, uma miniatura de uma equipa de seniores. É um erro crasso.”

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Minibásquete é o berço

O gosto pelo basquetebol inicia-se no minibásquete. Aqui, os mais pequenos (sub-8, 10 e 12), através de jogos – vai arrancar o circuito Mário Lemos, para sub-10 – em convívios semanais, coordenados pelo Comité Nacional de Minibásquete, liderado por San Payo Araújo, tomam o gosto pela modalidade. Depois entram nos escalões já considerados de formação (sub-14 e sub-16) e a seguir nos sub-18 e sub-20 (masculinos) e sub-19 (femininos) que são já de competição e de passagem para os seniores.

Dos atuais 236 clubes inscritos na Federação, encontramos um conjunto de equipas que fazem da formação o seu principal objetivo, embora nunca descurando a competição, como o comprovam os títulos conquistados e o número de jogadores cedidos às principais seleções nacionais.

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Refira-se que o atual campeão nacional e recém-vencedor da Taça de Portugal, Benfica, inclui no seu plantel principal três jogadores com menos de 23 anos, como é obrigatório pelos regulamentos da Liga. Porém, apenas Artur Castela (20 anos) representou os sub-14, embora se tenha iniciado no Ateneu de Lisboa. Já Carlos Ferreirinho (22) iniciou-se no CB Leiria e ingressou no Benfica em 2008 nos sub-18, enquanto Pedro Belo (22) fez a formação no Seixal e surge no Benfica, também, em 2008, ingressando na equipa sub-18.

Proibir a zona

Mário Gomes, nas diversas clínicas de treinadores em que tem participado, apresenta sempre um conjunto de propostas no sentido de melhorar o desenvolvimento do jovem praticante. Duas dessas propostas são a proibição da defesa zona nos escalões de sub-14 e sub-16, mas aqui apenas num período, e a eliminação da linha de três pontos nos sub-14. “A linha de três pontos só faz mal naquele escalão e as zonas aparecem nestas idades, porque os jogadores não sabem defender hxh e a melhor forma de não serem sistematicamente ultrapassados em drible é mascarar com uma zona”, disse.

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