Afonso Tavares: «O que me prendeu mais no BCR foram os choques»
Jovem craque do GDD Alcoitão e da Seleção fala do seu trajeto no podcast 'Dois para um'
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Afonso Tavares, um dos melhores jogadores nacionais de basquetebol em cadeira de rodas, foi o convidado do 7º episódio do 'Dois para um', o podcast conjunto de Record e da Federação Portuguesa de Basquetebol que conta também, no lote de entrevistadores, com o antigo internacional português João Santos - e que pode ver na íntegra no site e YouTube de Record. Com apenas 19 anos, já atingiu o estrelato na modalidade no nosso país, ascendendo rapidamente depois de um início de trajeto pouco usual.
"Há seis ou sete anos estava a ir para os Açores com os escuteiros e 'apanharam-me' da Seleção Nacional de BCR - eles iam para o Europeu na Bósnia. O atual capitão da Seleção [Hugo Maia] perguntou-me se eu não queria experimentar, assim a seco... Nunca tinha praticado a modalidade, só tinha estado no futebol, e na altura fiquei sem reação. Chateei o meu pai durante meses para ligar ao Maia para ver se podia ir treinar. Não gostei por estar a sair da minha zona de conforto mas depois habituei-me", contou, falando do momento em que entrou no GDD Alcoitão, o clube que representa e no qual se sagrou recentemente bicampeão nacional, além de detentor de todos os troféus nacionais e conquista da EuroCup 4.
Os choques, de resto, sempre foram algo que o encantou no BCR: "Foi o que me prendeu mais, queria fazer aquilo. Os meus irmãos até brincaram comigo a dizer que era carrinhos de choque. Gostava que eles experimentassem. Lá em casa há sempre picardias, pois todos fizemos algum desporto."
Sensivelmente aos 12 anos, viu a sua perna esquerda amputada, na sequência de uma malformação congénita no fémur à nascença. Apesar da adversidade, nunca se deixou esmorecer. "Tento encarar as coisas de forma positiva e levei muito bem o pós-operatório. Não estava pronto para as dores, mas estava mentalizado para aquilo que ia ser a minha vida", referiu Afonso Tavares.
Trajeto nas seleções
Em julho do ano passado, a Seleção Nacional de sub-23 conquistou uma inédita medalha de prata nos Jogos Paralímpicos Europeus da Juventude e Afonso Tavares foi eleito o MVP da competição. Uma prestação bem acima do esperado. "Tínhamos apenas oito jogadores e quando chegámos diziam que éramos poucos e a equipa mais fraca da competição, que apenas íamos passear", lembrou, ao mesmo tempo que contou um episódio insólito: "Tínhamos uma piada interna, pois ficámos quase uma hora à espera de um autocarro e o homem que estava lá, da organização, só dizia 'os broken' [aleijados]. Chegámos a um ponto em começámos a gritar, no sítio onde dormíamos, que estava broken."
Agora, segue-se o Europeu da Divisão B, em Zagreb (de 26 de junho a 7 de julho) e Afonso Tavares adianta alguns dos objetivos. "Lutar pela melhor classificação de sempre no escalão. Se chegarmos a um quinto ou sexto lugar, já será inédito", explica, admitindo que tem o "sonho" de subir à Divisão A.