Miguel Queiroz e o título que regressou ao Dragão: «É um peso muito grande que me sai de cima»

Capitão do FC Porto diz que ainda tem muita coisa para dar e para conquistar

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Capitão do FC Porto
Capitão do FC Porto • Foto: Victor Sousa/Movephoto
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O poste Miguel Queiroz não se cansou de tecer elogios ao espírito de compromisso que todos os companheiros de equipa patentearam durante o playoff, mas também assumiu o suspiro de alívio proporcionado pela conquista de um título que chegou a ser improvável por força da irregularidade do FC Porto na parte inicial da temporada.

“ Quem nasce torto nunca se endireita é um provérbio que temos, definitivamente, de alterar. Esta equipa começou mal, mas mostrou muito carácter e deu a volta por cima. Sofremos derrotas muito complicadas, nomeadamente contra as duas equipas que desceram de divisão, mas tivemos o discernimento de perceber o que estava mal, colocar o ego de lado e dar a volta por cima. É uma grande vitória de todo o coletivo. Fizemos um trabalho incansável e realizámos uns playoff brilhantes”, comentou o capitão portista, para logo de seguida reconhecer o desafogo que o triunfo ante o Benfica proporcionou: “É a minha maior vitória. Quando vim para o FC Porto tive o desafio de fazer regressar ao clube ao principal escalão e voltar a ser campeão. Cheguei, vi e vencemos. Nos primeiros dois anos fomos campeões na Pro-liga e na Liga, mas depois aconteceu o hiato de 10 anos onde não consegui voltar a ser campeão. Nesse período o estímulo era, a cada ano que não ganhava, perceber onde podia melhorar para ajudar a equipa a vencer. Fui guardando todas as pedras na minha bagagem e hoje é um peso muito grande que me sai de cima porque é a primeira taça de campeão que levanto como capitão. Vou tirar as pedras todas da mochila, mas elas vão ficar guardadas na prateleira para nunca me esquecer de todos os anos em que me obriguei a ser melhor para ajudar a equipa”.

Retrospectiva em jeito de reflexão também pelo contexto familiar inerente, contudo, sem implicações na vontade de continuar a ajudar o FC Porto a trilhar novas conquistas. Aos 34 anos, mantém-se fiel ao clube onde está desde 213/14, quando chegou ao Dragon Force.

“A última vez que a minha mãe me viu a jogar uma final ao vivo eu abracei-a e choramos os dois depois da derrota com o Benfica. Prometi-lhe que ia voltar a ver-me a ser campeão. Infelizmente não foi possível, mas tenho a certeza que ela agora está junto do meu avô a comer umas lulas à algarvia e a beber uma sangria cheia de orgulho”, comentou Miguel Queiroz, para logo de seguida dar corpo às suas ambições: “Antes de olhar para o lado olhei sempre para mim e a satisfação é a de que todos os anos, ao longo das últimas seis épocas, as pessoas diziam-me que tinha sido a minha melhor época. Agora acredito que a melhor época ainda está por chegar, até porque há muita coisa para fazer. Tenho 35 anos, mas acredito que ainda tenho muito para dar”, justificou o capitão dos dragões, sem esconder que precisava de “descansar mais um bocadinho” antes de iniciar os trabalhos da Seleção: “Daqui a uma semana começa a Seleção e precisava de descansar mais, mas tenho a certeza que vou arranjar maneira de estar pronto para ajudar Portugal”.

Benfica e coração

A ansiedade adjacente à conquista do título e as várias cambalhotas no marcador que se verificaram no decisivo jogo frente ao Benfica também mereceram especial atenção de Miguel Queiroz, principalmente porque o poste não teve problemas em admitir que foi um jogo onde houve mais emoção do que razão dos dois lados da barricada.

“O jogo 4 foi de muito coração de ambos os lados. O Benfica jogou pela vida e nós também porque sabíamos que tínhamos de fechar em casa. Por tudo isto foi um jogo de demasiada ansiedade. Jogámos muito com o coração e não tanto com a cabeça”, confidenciou Miguel Queiroz, admitindo que “este tipo de partidas são as mais difíceis de jogar”: “ Depois de ver o jogo com mais calma perceberei melhor, mas o que senti lá dentro é que era quase cada um a querer ser o herói, a tentar resolver de alguma maneira. Foi muito complicado porque sentíamos que tínhamos de fechar em casa e do outro lado estava o Benfica a dar tudo para continuar a sobreviver”.

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