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Recebeu a notícia da doença no dia do 18.º aniversário
Este é mais um exemplo de superação de um atleta. Mafalda Marques, jogadora do Sporting, de 19 anos, venceu o duelo com o pior adversário de sempre: o cancro. Agora, passados 16 meses, volta a fazer aquilo que mais gosta: jogar basquetebol. E passa a constituir um exemplo de luta e uma referência para outros jovens que são atingidos por tal doença.
Mafalda Marques era uma jogadora em início de carreira. Em 2012, ao serviço da Seleção Nacional de sub-16, ajudou Portugal a conquistar a medalha de bronze no Europeu (2.ª Divisão), em Tallin (Estónia). No ano seguinte, representava o centenário clube da Cruz Quebrada, Simecq, pelo qual se tinha sagrado por duas vezes campeã nacional (sub-14 e sub-16) e integrava a Seleção Nacional de sub-18, que no CAR Jamor preparava a participação no Europeu. Contudo, uma série de dores nas costas, repetitivas, que foram nos primeiros tempos desvalorizadas, levaram-na a um fisioterapeuta amigo da família, verificando-se que as dores tinham uma origem muito mais complexa: um cancro.
Com apenas 18 anos, Mafalda Marques iniciava o mais difícil e complicado desafio da sua ainda curta carreira. E fê-lo. Com a ajuda dos pais e do irmão e apoio de muitos amigos, iniciou o tratamento que a transformou fisicamente mas não mentalmente, pois manteve sempre uma coragem que a todos contagiou.
"Na posição onde jogo leva-se muita pancada, mas não achava normal sempre que me batiam em certo local, as dores eram muitas e até me impediam de segurar a bola. Mas as pessoas no CAR não deram muita importância e a doença acabou por ser descoberta quando, após um jogo com a Quinta dos Lombos, fiquei muito mal e no dia seguinte nem consegui levantar-me da cama", conta Mafalda. "Os meus pais decidiram que não jogava mais e levaram-me a um fisioterapeuta conhecido, Pedro Figueiredo, que me disse que só poderia ser uma de duas coisas: ou um traumatismo ou um tumor. Fiz uma ressonância magnética ao local onde as dores estavam centradas. E a notícia foi-me dada no dia meu 18.º aniversário (15 de janeiro de 2014). Era mesmo um tumor situado na 21.ª costela. Fui operada, a 22 de janeiro, pelo cirurgião Fernando Martelo, que me tirou cerca de 10 centímetros da costela. Era um astrocitoma de nível 3, já considerado de nível alto. Seguiu-se um tratamento de quimioterapia que durou até dia 9 de julho de 2014", recordou a jogadora das sub-19 dos leões.
O que sente uma jovem de 18 anos quando confrontada com uma doença do foro oncológico? "Nem sei bem explicar a minha reação. Sempre tentei não saber tudo o que se relacionasse com a doença. Quanto mais soubesse, mais difícil era. Estava triste, ao sentir-me com 18 anos e sempre com saúde, ver-me com um cancro e fazer quimioterapia durante muito tempo. Foi complicado", confessa.
Pais nem queriam acreditar: «Mundo caiu»
"Quando soubemos da doença, o Mundo caiu. É a última coisa que esperamos a um filho. Uma perna ou um braço partidos, faz parte. Mas um cancro... Tivemos muita sorte com os profissionais que acompanharam a Mafalda, assim como de toda a equipa da Simecq, do treinador Rui Leitão e da respetiva família, amigos", diz o pai, Carlos Marques.
"Quando me falaram em tumor, perdi as forças. Mas a forma como foi acompanhada pelos médicos transmitiu-nos uma tranquilidade que ajudou a suportar a situação", salientou a mãe, Cristina Marques.
No entanto, o pai sente uma certa mágoa, pela forma como a filha foi tratada na FPB. "A Mafalda foi atleta da Seleção Nacional. Depois de ter abandonado o estágio no CAR Jamor antes do Europeu, nunca ninguém da Federação tentou saber o que se passava com a Mafalda. É uma grande mágoa que tenho", disse.
Regresso
O dia 27 de fevereiro de 2015 fica marcado na vida de Mafalda Marques. Frente à equipa da Escola Alberta Menéres, no Algueirão, em jogo da Taça Nacional de sub-19 feminina Mafalda fez o seu primeiro jogo após ser considerada clinicamente curada, depois de aceitar o convite do Sporting para voltar aos pavilhões.
"Quando em setembro tive a certeza que os pulmões não estavam afetados, comecei a treinar-me, integrando-me aos poucos na equipa. O dia 27 de fevereiro foi especial. Houve uma altura em que estava deprimida com o basquetebol e pensei mesmo em parar. Mas o ano em que estive afastada deu para refletir. E no dia 27 senti-me bastante feliz, porque estive junto a pessoas que já me acompanham há muitos anos desde a Simecq, como o Mário Nascimento, Tó Zé, Milka, Ventura e Cardosa, que muito me apoiaram, assim como o resto da equipa, que não se chatearam comigo quando fazia asneiras. E sei que fiz algumas! O basquetebol, apesar do que se passou, deixa-me muito feliz e faz-me bem", salienta.
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