João Carvalho: "ambição" de estar no Mundial, investimento em Matosinhos e Cidade do Basquetebol "em cima da mesa"

Presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol deu voz à ambição

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João Carvalho
João Carvalho • Foto: FP Basquetebol
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João Carvalho, presidente da Federação Portuguesa de Basquetebol (FBP) acredita que Portugal estará, pela primeira vez, em 2027, num Campeonato do Mundo da modalidade. Com a janela de novembro a aproximar-se, onde Portugal receberá a Ucrânia e irá à Geórgia, o líder federativo deu voz à ambição.

"É o que todos ambicionamos. Temos hipóteses de lá chegar e, enquanto assim for, vamos acreditar. Vamos ter dois jogos muito importantes agora. Se repararem bem, ao longo deste percurso temos ganho jogos fora e temos, de alguma forma, tido mais dificuldades em casa, o que parece paradoxal, mas acreditamos firmemente neste grupo de trabalho, mesmo não contando com os jogadores que estão nos Estados Unidos (Neemias e Rúben Prey), que naturalmente são muito relevantes, mas acreditamos que poderemos lá estar", disse à margem da apresentação de iniciativas para o centenário da FPB (agosto 2027), que decorrerão até ao último trimestre do próximo ano. João Carvalho lembrou também a Seleção feminina, que procura um segundo apuramento seguido para um EuroBasket, depois da presença inédita em 2025: "seria também muito marcante. Quer na masculina, quer na feminina, vamos ter que ter momentos de superação. Em termos teóricos, na feminina temos ali um grupo muito complicado com Alemanha e Hungria, equipas que estiveram presentes num Campeonato do Mundo, com boas classificações."

O poste Neemias Queta e a treinadora adjunta Mery Andrade, nos Boston Celtics e Toronto Raptors, respetivamente, são os representantes portugueses no topo da modalidade, mas João Carvalho vê uma 'expansão ' muito em breve: "É uma expectativa com fundamento. Podemos ter o Rúben Prey e, não sei se em 2027, a Clara Silva, que tem feito um percurso muito interessante. Fisicamente tem condições que não são normais para aquilo que é a nossa morfologia enquanto portugueses e isso é uma vantagem. Tem sido um percurso muito sustentado e eu acho que ela tem todas as condições para chegar à WNBA."

Eleito presidente em abril, João Carvalho aponta a um crescimento "sustentável": "Não podemos continuar a querer aumentar, por exemplo, o número de praticantes ou de treinadores sem que haja retenção. Caso contrário, estamos a falar apenas de uma mera passagem de pessoas que vêm experimentar e que depois não contribuem para o futuro. Queremos efetivamente aumentar o número de praticantes, treinadores e juízes, mas queremos também aumentar a taxa de retenção, que é muito importante para que o futuro esteja seguro."

Sobre o centenário, João Carvalho adiantou que haverá várias iniciativas e que tudo culminará na gala do centenário no último trimestre de 2027 com a "família do basquetebol nacional mas também internacional": "pretendemos marcar a história, reconhecer e recordar aqueles que fizeram a história do basquetebol e que contribuíram também para o presente, mas, acima de tudo, um marco para o futuro."

Apesar de Lisboa não ter o poderio geográfico de outras cidades, é sabido que a NBA tem vontade de chegar às maiores metrópoles europeias, para lançar a sua liga neste continente, prevista para o próximo ano. Contudo, João Carvalho adianta que não houve contactos por parte dos norte-americanos com a FPB.

"Não tem sido esse o modelo que a NBA tem seguido. Tem, no fundo, tratado diretamente com as entidades organizadoras, numa primeira fase a FIBA, a FIBA Europa e, agora mais recentemente, a Euroliga. Portanto, é por aí o caminho que eles estão a seguir. Que eu tenha conhecimento, não há nenhum contacto com nenhuma equipa, até porque, naturalmente, isso implicaria depois ali um conjunto de desenvolvimentos, nomeadamente em termos de infraestruturas desportivas, que são ambiciosas. Muito embora isso faça parte do tal programa que eles têm de desenvolvimento do basquetebol na Europa, incluindo mesmo a construção de infraestruturas apropriadas para um espetáculo como a NBA", disse.

Por fim, a questão das infraestruturas, um tema que tem gerado bastante polémica e que motivou críticas do selecionador Mário Gomes. "A federação não tem instalações próprias em termos desportivos. Portanto, tem que socorrer daquilo que as autarquias dispõem. O que nós sabemos é que há autarquias que estão disponíveis e vão mesmo concretizar investimentos em termos de melhoria da climatização. Há o caso, por exemplo, de Matosinhos, conhecida como uma espécie de capital do basquetebol, onde são disputados os jogos da seleção masculina, e que já me transmitiram que, efetivamente, vão fazer um investimento significativo na ordem de um milhão de euros num projeto de climatização. Claro que são melhorias que não são só para o basquetebol, são para todos aqueles que utilizam essas infraestruturas. Mas o mais complicado aqui, mais do que a climatização, é a questão da dimensão dos nossos pavilhões. Nós, para disputarmos uma competição europeia de seniores masculinos, precisamos de um pavilhão que tenha no mínimo 3.000 lugares de capacidade. A nível de clubes, isso também já está a acontecer, porque o próprio FC Porto não consegue disputar os jogos da Champions League no seu pavilhão, pois não tem 3.000 lugares. O Benfica, se tivesse sido apurado, teria essa limitação e teria de procurar um pavilhão alternativo", afirmou.

João Carvalho assume ainda que a 'Cidade do Basquetebol' é um "projeto que está em cima da mesa". "Já existem contactos, mas que, naturalmente, são contactos exploratórios. Portanto, é algo que está em cima da mesa, mas sempre com o apoio, quer de uma autarquia, quer do próprio Governo central, porque estamos aqui a falar de investimentos muito significativos. As federações não dispõem de meios financeiros que permitam, só por si, fazer esse investimento. Também não faz sentido ter uma única federação a usufruir de uma determinada infraestrutura desportiva. Portanto, aquilo que está aqui em cima da mesa é um bocadinho fazer uma cidade, tal como existe à semelhança da Cidade do Futebol, mas uma cidade de outras modalidades. Tem havido alguns contactos com outras modalidades, com uma entidade autárquica, e, portanto, vamos ver até que ponto é que isso chegará a bom porto", concluiu

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