Reviver a história e defender tradição
Desde o início da década de 80 que o histórico Sport Algés e Dafundo, clube que recentemente comemorou 90 anos de existência, não defrontava um grande como o Benfica. Mas hoje os algesinos vão reviver a história e defender a tradição. Certamente com denodo. É que o capricho do sorteio (condicionado) dos oitavos-de-final da Taça de Portugal colocou frente a frente dois antigos rivais do basquetebol português.
Obviamente que o Benfica, equipa da Liga profissional, ostenta favoritismo frente a uma formação (quase) amadora da Proliga, onde só os americanos Jai Pradia e Jeff Holloway são integralmente profissionais. “Espero que os meus atletas joguem descomplexados diante do Benfica. Têm braços, cabeça e pernas como os outros e sabem praticar basquetebol. Temos um plantel muito jovem e é normal que algum receio se possa instalar. Mas a pressão não recai sobre nós”, sublinha Rui Miranda, técnico que cumpre a terceira época no Algés e que na temporada de 1984/85 chegou a actuar na equipa principal do Benfica treinada por José Curado.
Rui Miranda está tranquilo e consciente do papel que cabe aos seus pupilos. “Vamos lutar e procurar manter a tradição guerreira”, diz o técnico algesino, o qual não concorda que as formações da Liga apenas entrem em acção nos oitavos-de-final da Taça de Portugal. “Deveriam entrar em competição na eliminatória anterior.”
Luís Silva homenageado
O embate de hoje com o Benfica está a ser encarado com normalidade. Apenas ocorrerá uma homenagem ao benfiquista Luís Silva, jogador formado nas escolas do Algés.
Grande escola de talentos
Falar do Sport Algés e Dafundo é falar de uma grande fábrica de talentos basquetebolísticos. Muitas foram as figuras que atingiram a consagração. A começar pelos treinadores: Jorge Araújo, José Curado, Olímpio Coelho, os malogrados João Coutinho e José Olímpio, Jorge Adelino, Mário Gomes e José Couto. Dos inúmeros jogadores, recordamos José Luís, Mário Sampaio, João Cardoso, Luís Silva e Francisco Jordão. E muitos outros ficaram por enumerar...
Gastar o que se tem
O orçamento do Algés, equipa que ocupa a 9.ª posição (35 pontos) da fase regular da Proliga, ronda os 100 mil euros. “Gastamos o que temos, o que é possível”, esclarece Rui Miranda, o qual evoca o estatuto praticamente amador do conjunto. “Só temos dois profissionais, que são os americanos. Os restantes atletas trabalham ou estudam. Temos aqui jogadores que se treinam entre as 21 e 23 horas e que se levantam às seis da manhã para ir trabalhar”, adianta.
Para hoje, mesmo se ocorresse uma remota vitória sobre o Benfica, “nem sequer estava previsto qualquer prémio de jogo”, refere, sorridente, o técnico do Algés, quando confrontado com essa possibilidade.
Sobre a Proliga, Rui Miranda sintetiza. “É uma competição em que o jogador português pode ter o seu espaço.”