Valentyn Melnychuk: «Todos os dias penso em regressar a Portugal»

VALENTYN MELNYCHUK VIVE NA UCRÂNIA

Valentyn Melnychuk chegou a Portugal em 1993 e orientou a Seleção de basquetebol durante 7 anos
Valentyn Melnychuk: «Todos os dias penso em regressar a Portugal» • Foto: Paulo Calado

Os ucranianos vivem por estes dias com o coração nas mãos. A invasão da Rússia à república autónoma da Crimeia, sob jurisdição ucraniana, abriu um cenário de guerra iminente. Uma intervenção justificada pelo presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de proteger a população russa naquela zona do globo, depois da queda do governo ucraniano liderado por Viktor Ianukovich. A crise tem mexido com a vida de milhões de cidadãos daquele país, entre os quais o bem conhecido Valentyn Melnychuk. O ex-selecionador nacional de basquetebol (entre 2000 e 2007) vive atualmente em Kiev mas pressente o barril de pólvora que está prestes a explodir junto ao Mar Negro.

“Aqui em Kiev está tudo calmo, a vida segue normalmente. A Crimeia é o grande problema. As tropas russas invadiram a região e a Ucrânia não está a responder, mas se o fizerem podem originar uma guerra. A situação pode envolver outros países. A Ucrânia é independente mas Putin quer trazê-la para a órbita da ex-URSS. Só que o nosso exército é muito fraco. Aliás, quem garante a nossa defesa são os EUA e a Inglaterra, depois do desarmamento. O nosso país não tem tropas tão fortes quanto as russas e no Mar Negro a nossa frota é curta”, contou a Record o experiente técnico, que trabalha na Federação Ucraniana de Basquetebol, com formador de treinadores.

“Para já não existe conflito mas o mesmo pode começar a qualquer momento. Pode haver uma provocação ucraniana, algum disparo na direção do exército russo, que origine a guerra. A situação é mesmo muito complicada”, rematou o conceituado técnico, de 73 anos.

Complicado

Acérrimo defensor da aproximação da Ucrânia à União Europeia e consequente afastamento do bloco russo, Melnychuk reconhece que existem muitos problemas na sua terra natal, acentuados nos últimos dias. “Portugal é um país com lei. Aqui é uma desgraça…”, lamentou, voltando a mostrar o desejo de voltar à nação que o acolheu durante 16 anos (chegou em 1993) e onde tem uma parte da família: o filho Andriy Melnychuk, técnico no Elétrico de Ponte de Sor, e o neto Artem. “Todos os dias penso em voltar, mas a minha situação não me permite sair agora. Tenho a minha sogra com 91 anos, que não pode ficar aqui sozinha. Ainda vou ter uma conversa com a minha mulher mas o meu desejo é regressar”, garantiu.

Melnychuk desmentiu ainda a Record que o presidente da federação ucraniana, Alexander Volkov, tenha desparecido e admitiu que a vida profissional tem sido bastante afetada pelo clima que se instalou no país: “Ultrapassados os problemas em Kiev, pensávamos que o campeonato de basquetebol ia recomeçar. Ainda vi dois jogos mas depois surgiu esta invasão e agora não sei quando a prova voltará…”

Agradecimento

Face aos tempos difíceis de gerir na Ucrânia, foi com especial apreço que Melnychuk tem visto as mensagens de apoio do povo português, desejando-lhe que tudo corra pelo melhor no seu país. “Tenho visto através do Facebook e fiquei muito contente”, relatou.

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