É já no próximo dia 18 - madrugada de 19 em Portugal - que começa a melhor liga de basquetebol do Mundo e um dos espectáculos com mais seguidores no planeta: a National Basketball Association (NBA) parte para a sua 77.ª edição e, como sempre, estará recheada de estrelas e interesse. Os Golden State Warriors de Stephen Curry tentarão revalidar o título conquistado na temporada passada, com muitos e bons concorrentes prontos para tirar o cetro à formação da Califórnia.
Esta será, naturalmente, uma das principais curiosidades para esta época. Mas há mais. Irá LeBron James comandar novamente os Lakers e ultrapassar Kareem Abdul-Jabbar como melhor marcador de sempre da fase regular? O regresso de Kawhi Leonard colocará os Clippers na rota das finais? Irá Doncic intrometer-se entre Giannis e Jokic na luta pelo MVP da fase regular, uma distinção que caiu para o grego e para o sérvio nas últimas quatro épocas? E o nosso Neemias? Será o ano da sua afirmação? Várias questões a que tentaremos dar resposta ao longo deste artigo.
Como sempre, terá ao seu dispor a análise individual às 30 equipas, com os objetivos para 2022/23 e os respetivos cincos prováveis; uma antevisão ao que o Neemias poderá fazer na sua segunda época na NBA; a análise ao draft; principais transferências, etc. Um guia imperdível!
CONFERÊNCIA ESTEpor Luís Avelãs
Divisão Atlântico
- Boston Celtics
A época passada, após 50 jogos, a equipa tinha 25 vitórias e outras tantas derrotas. A aposta em Ime Udoka para render Brad Stevens no comando do conjunto parecia errada. Pouco tempo depois, a formação do Massachussets fechava a fase regular com 51-31 e o segundo lugar no Este! De seguida, no playoff, Brooklyn foi ‘varrido’ (4-0), os favoritos Milwaukee (4-3) também ficaram pelo caminho e o mesmo sucedeu com os mais experientes Miami (4-3). Os Celtics só não lograram ultrapassar Golden State na final (2-4), mas chegaram a estar na frente (2-1). Assim – e depois das contratações de Brogdon, Gallinari (já com lesão grave) e Griffin -, a equipa indiciava estar em condições de voltar a sonhar alto, até porque Tatum, Brown e Williams (desde que com poucos problemas físicos) ainda têm espaço para evoluir. Porém, a suspensão interna do treinador, por se ter envolvido em relacionamentos ‘proibidos’, pode deitar tudo a perder. Será um jovem (34 anos) técnico interino capaz de manter ambição elevada?
Objetivo: Conquista do título
Treinador: Joe Mazzulla (face à suspensão de Ime Udoka)
- Brooklyn Nets
Antes do arranque da época 2021/22, a maioria dos analistas apostava nos Nets como prováveis campeões. Ninguém imaginava que Irving estaria tanto tempo de fora (53 jogos) devido a opções pessoais discutíveis (não se quis vacinar contra a Covid), que Harden seria trocado, que Durant também pediria para trocar de ares, que Harris teria uma lesão gravíssima e, muito menos, que Simmons seria aquisição a meio da temporada mas que não atuaria uma só vez! Face a tanta agitação, hoje em dia os prognósticos são menos unânimes, mas a verdade é que continua a existir talento de sobra para pensar em grandes feitos, inclusive à chegada ao anel. Apesar da contratação de elementos experientes como Markieff Morris, Warren e O’Neal, a equipa está mais jovem e desde que Harris e Simmons rendam próximo do seu real valor… há que ter esperança.
Objetivo: Conquista do título
Treinador: Steve Nash
- New York Knicks
Pese a chegada de Brunson, não parece provável que a histórica equipa da Big Apple consiga ter um rendimento capaz de a colocar na discussão dos primeiros lugares da conferência. Concluir a primeira fase da temporada até ao 10º posto já será um feito interessante, pois permitirá sonhar com o playoff. Thibodeau vai voltar a pedir empenho máximo na defesa de forma a colmatar os esperados problemas ofensivos. O novo base vai ajudar a melhorar a marcação de pontos, mas o banco (principalmente Rose, Quickley e Toppin) terá de ser uma boa ajuda noite após noite. Caso contrário… nada feito.
Objetivo: Atingir o play-in
Treinador: Tom Thibodeau
- Philadelphia 76'ers
Os anos vão passando, os Sixers parecem sempre capazes de estar na discussão, mas acabam invariavelmente por falhar. E com isto Embiid já vai em 29 anos e Harden em 33! Vem aí nova tentativa, esta reforçada pelo súbito crescimento de Maxey que, num ápice, se transformou em mais uma solução bastante efetiva. De resto, a equipa ainda logrou adquirir Tucker, Harrell e Melton, outras peças de valor para ajudar o poste a liderar a candidatura coletiva ao anel e a individual ao troféu de MVP, algo que persegue de forma clara.
Objetivo: Conquista do título
Treinador: Doc Rivers
- Toronto Raptors
Perante a surpresa de muitos, os canadianos fecharam a fase regular 2021/22 com um sensacional registo de 48-34 e no playoff caíram à primeira, é verdade, mas ganhando duas partidas a Philadelphia. A equipa é muito sólida e versátil, apesar de não parecer particularmente profunda. Porém, a boa gestão do treinador, hábil a encontrar a melhor maneira de capitalizar os recursos disponíveis, faz deste conjunto um adversário bastante complicado para bater. Assim, mantendo a sua base e até tendo recrutado Otto Porter, a equipa vai voltar a pensar num lugar direto no playoff. Será teoricamente mais difícil que na época passada, mas se repetirem a façanha ninguém irá ficar particularmente admirado.
Objetivo: Atingir o playoff
Treinador: Nick Nurse
Divisão Central
- Chicago Bulls
Como se viu nos primeiros meses da época passada, os Bulls possuem condições objetivas para ser das equipas mais cotadas no Este. Porém, quando Lonzo se lesionou a química baixou, a capacidade defensiva caiu a pique e a presença no playoff chegou a estar seriamente ameaçada. Pensava-se que após longa ausência, o base principal estaria de regresso, mas as notícias não são nada animadoras e já se sabe que a equipa terá de voltar a jogar muito tempo sem o mais velho dos Ball. Assim, uma época positiva só será possível com a continuidade a alto nível da dupla Lavine-DeRozan, mas também se Vucevic for mais efetivo na defesa. E Williams e Dosunmu precisam de manter a evolução.
Objetivo: Atingir o playoff
Treinador: Billy Donovan
- Cleveland Cavaliers
Os Cavs fecharam a época passada com 44 vitórias, exatamente o dobro do que tinham alcançado um ano antes. E se isso já seria merecedor de elogios, tal aconteceu quando pouco se esperava da equipa. A súbita ascensão de Garland e Mobley ajudou a melhorar as aspirações de um conjunto que, curiosamente, não sentiu a ausência (por lesão) de Sexton, entretanto trocado (juntamente com Markkanen) para Utah… por Donovan Mitchell. Com a chegada de uma estrela é legítimo pensar em mais sucesso, mas também é expectável que a boa forma de grande parte da época passada não se repita. Aliás, a equipa acabou a última fase regular em quebra (9-17) e perdeu os dois jogos no play-in.
Objetivo: Atingir o playoff
Treinador: J. Bickerstaff
- Detroit Pistons
Equipa jovem, com potencial para um futuro promissor, mas que dificilmente será capaz, desde já, de lutar por algo verdadeiramente significativo. A chegada de um veterano como Bogdanovic tende a ajudar os mais novos a crescer, mas fica a ideia de que os responsáveis não querem ‘queimar’ etapas e esperam dar tempo para que a evolução se faça sem sobressaltos. De resto, uma eventual má época pode contribuir para uma boa escolha no próximo draft…
Objetivo: Escapar aos últimos lugares
Treinador: Dwane Casey
- Indiana Pacers
Desde a época passada, principalmente quando aceitou negociar Sabonis, que a aposta dos Pacers passa pelo futuro. Resta saber quando é que a equipa vai ter as armas necessárias para voltar a ser protagonista. Nesta fase, a ideia passa por desenvolver gente jovem e com imenso talento (Halliburton à frente de todos os outros) e, muito provavelmente, negociar também Hield e Turner que podem ser muito úteis em formações com pretensões no imediato.
Objetivo: Escapar aos últimos lugares
Treinador: Rick Carlisle
- Milwaukee Bucks
Sob a liderança de um grego (Giannis) dono de uma versatilidade pouco vista na história do jogo (aliada a uma fome de vencer também invulgar), os Bucks vão atacar a nova temporada com um único pensamento: recuperar o trono que, entretanto, perderam. Não faltam condições para que o sonho possa tornar-se realidade, mas a equipa – experiente sem ser demasiado veterana – sabe que a missão, nomeadamente no playoff, será muito dura. Mas, pelo meio, também já aprendeu que convém começar logo por lutar pelo domínio na fase regular. A época passada a eliminação surgiu em Boston, após sete jogos, pelo que o fator casa pode fazer toda a diferença.
Objetivo: Conquista do título
Treinador: Mike Budenholzer
Divisão Sudeste
- Atlanta Hawks
A contratação de Murray, um segundo base que faz de tudo um pouco, foi um autêntico achado, mesmo sabendo que acabou por ditar a saída do interessante Huerter. Mas, com o ex-Spurs ao lado de Young (que cada vez parece mais confiante a lançar ‘à Curry’, ou seja de qualquer lado depois do meio-campo), a equipa ameaça ser das mais poderosas nas posições 1 e 2. Depois, há ainda mais jogadores de grande qualidade e com margem de progressão face à sua idade, com destaque para o explosivo Collins. Num dia bom, será equipa para poder bater o pé a quem quer que seja.
Objetivo: Atingir o playoff
Treinador: Nate McMillan
- Charlotte Hornets
Mesmo tendo vindo de uma temporada acima de 50% de aproveitamento (43-39) não se afigura muito provável ver os Hornets a andar nos postos cimeiros do Este. Não só por causa da concorrência feroz, mas também porque a equipa vai entrar em ação com LaMello lesionado e sem saber o que vai acontecer com Miles Bridges que, ao ver-se envolvido numa gravíssima situação de violência doméstica, pode ser severamente punido pela justiça. Perante o quadro, conseguir estar entre os 10 primeiros já será interessante.
Objetivo: Atingir o play-in
Treinador: Steve Clifford
- Miami Heat
Há bons e experientes jogadores – onde se destacam Butler, Lowry e Adebayo -, um cada vez mais seguro Herro e um dos melhores treinadores da Liga mas, mesmo assim, a equipa da Florida dificilmente será candidata ao título. Deverá andar nos lugares da frente, mas falta-lhe alguém que seja sistematicamente protagonista, algo que Butler parece já não ser capaz de oferecer. Ainda assim, chegar ao playoff (inclusive de forma direta, terminando nos melhores seis do Este) parece ser uma previsão segura, mesmo salientando as perdas de Markieff Morris e Tucker.
Objetivo: Atingir o playoff
Treinador: Erik Spoelstra
- Orlando Magic
Prossegue o desenvolvimento de um conjunto de jovens jogadores (agora reforçado com o muito promissor Banchero, primeira escolha do draft deste ano), mas isso também significa que a equipa, de momento, não reúne as ferramentas necessárias para pensar em chegar à segunda fase da temporada. Mesmo o play-in parece estar a uma distância inalcançável. Mas, atenção: Anthony, Suggs, os irmãos Wagner (mais o Franz) e Carter Jr. são elementos com qualidade, capazes de provocar umas surpresas.
Objetivo: Escapar aos últimos lugares
Treinador: Jamahl Mosley
- Washington Wizards
Não se pode dizer que a equipa tenha um plantel fraco ou inexperiente, mas não se vislumbra maneira de ver o conjunto da capital norte-americana ser das formações mais fortes no Este. A questão física de Porzingis é sempre uma incógnita, mas isso também pode ser um problema para a estrela Beal ou até para Hachimura. Há ainda o versátil Kuzma que, contudo, dá a ideia de precisar de uma equipa a lutar por objectivos claros para se apresentar ao seu melhor nível. Se tudo correr bem… esta pode ser uma equipa sensação, mas se os problemas surgirem cedo talvez acabe como uma das deceções maiores da temporada.
Objetivo: Atingir o play-in
Treinador: Wes Unseld Jr.
CONFERÊNCIA OESTE
por Pedro Filipe Pinto
Divisão Noroeste
- Denver Nuggets
Nikola Jokic, MVP das duas últimas temporadas, tem os ‘amigos’ de volta e, por isso, as pretensões ao título aumentam. Jamal Murray regressa após um ano parado devido a lesão e Michael Porter Jr também já está a 100 por cento. Esta é a chave para os Nuggets, que vão girar à volta do virtuoso Jokic que, mais uma vez, vai colocar toda a sua artilharia ofensiva ao dispor dos seus companheiros, cujo trabalho vai ser aproveitar. ‘Sozinho’, o sérvio conseguiu criar problemas aos campeões Golden State Warriors na primeira ronda dos playoffs, por isso, agora o objetivo tem de ser bem mais ambicioso.
Objetivo: Finais de conferência
Treinador: Mike Malone
- Minnesota Timberwolves
Esta temporada vai ser importante para os Timberwolves. Depois da ida aos playoffs na época passada, o franchise de Minnesota deu três jogadores importantes na rotação e ainda várias picks aos Utah Jazz para recrutar Rudy Gobert, que vai colocar a capacidade defensiva desta equipa noutro patamar. O francês vai fazer uma dupla temível com Karl-Anthony Towns, que vai ter menos responsabilidades defensivas e mais liberdade no ataque. Depois da época de afirmação, espera-se que Anthony Edwards dê mais um salto qualitativo em direção ao estatuto de All Star que lhe é apontado. Isso pode ser decisivo para os Timberwolves poderem sonhar.
Objetivo: Passar a primeira ronda do playoff
Treinador: Chris Finch
- Oklahoma City Thunder
Continua a reestruturação dos Thunder que, depois de Giddey, foram buscar Chet Holmgren… que só se estreia na próxima época, isto porque uma lesão grave no pé direito vai afastá-lo desta. Com o base australiano ao lado de Gilgeous-Alexander, o ‘backcourt’ está assegurado, mas daí para a frente não abunda qualidade. Este é mais uma época para desenvolver os muitos jovens e para entrar na ‘luta de tanques’ com a mira colocada em Victor Wembanyama, a grande estrela do draft de 2023.
Objetivo: Desenvolver a equipa a pensar no futuro e em… Wembanyama
Treinador: Mark Daigneault
- Portland Trail Blazers
A troca de CJ McCollum a meio da temporada passada quebrou uma das grandes duplas de bases da NBA, mas abriu espaço para Simons se afirmar… e foi o que ele fez. O jovem vai jogar ao lado do recuperado Lillard que continua a ser leal aos Trail Blazers. A aquisição de Jerami Grant em troca de quase nada foi muito bem ‘sacada’ e Josh Hart é um faz-tudo que qualquer equipa gosta de ter. Se Jusuf Nurkic se apresentar ao melhor nível, esta será uma equipa difícil de bater. Falta uma coisa: profundidade de plantel. Esse vai ser o principal problema.
Objetivo: Chegar aos playoffs
Treinador: Chauncey Billups
- Utah Jazz
Após várias épocas com excelentes fases regulares e desilusões nos playoffs, os Jazz decidiram deitar tudo abaixo e reconstruir. Donovan Mitchell foi trocado para Cleveland, Gobert seguiu para Minnesota, Bogdanovic para Detroit e O’Neale para Brooklyn. Ou seja, do 5 titular só resta Mike Conley e, mesmo assim, pode ser por pouco tempo. O objetivo vai ser desenvolver jovens e fazer renascer Sexton, que, antes da lesão, era um caso sério. Outra equipa para entrar na ‘luta’ pelo pior registo da liga para tentar ficar com a primeira escolha do próximo draft.
Objetivo: Victor Wembanyama
Treinador: Will Hardy
Divisão Pacífico
- Golden State Warriors
Depois de mais um título conquistado, os Warriors entram para esta temporada como o alvo a abater, principalmente com um James Wiseman saudável. Lembram-se dele? Sim, foi a segunda escolha do draft da temporada passada e visto como um dos melhores postes de futuro. Para além disso, Jordan Poole parece cada vez mais evoluído e pode muito bem vir a ser o principal candidato a sexto homem do ano. O grande ponto de interrogação é o peso que a agressão de Draymond Green a Jordan Poole vai ter na equipa. O experiente extremo colocou o colega KO durante um treino, afastou-se da equipa por uns tempos, mas já está de volta e pronto para se redimir. Vamos ver no que dá...
Objetivo: Renovar o título
Treinador: Steve Kerr
- LA Clippers
Tão bom que é estar saudável! Kawhi Leonard está de volta depois de um ano fora, Paul George também está a 100 por cento e os Clippers ainda recrutaram John Wall que, depois de muitos problemas físicos e mentais, quer recuperar o tempo perdido. Sem as principais estrelas, esta equipa mostrou-se bastante competitiva e criou excelentes bases para atacar o título esta temporada. É esse o obejtivo, mas volto ao início: é imperativo as estrelas continuarem saudáveis, o que não tem sido fácil nas últimas temporadas.
Objetivo: Conquistar o título
Treinador: Tyronn Lue
- LA Lakers
Treinador novo, vida nova. Pelo menos é isso que os Lakers desejam. Darvin Ham assumiu a liderança e renovou a confiança em Westbrook, LeBron e Davis. O objetivo é o título e, para isso, os Lakers têm de melhorar muito (mas mesmo muito!) depois da temporada passada terem ficado de fora dos playoffs. O primeiro passo é Anthony Davis não se lesionar, o segundo é vermos Westbrook a voltar aos velhos tempos e o terceiro é a idade não atacar LeBron James, que continua jovem! Ham tem boas dores de cabeça, porque Kendrick Nunn (que pré-temporada!), Patrick Beverley e Austin Reaves lutam pela titularidade como segundo base, enquanto Thomas Bryant e Damian Jones fazem o mesmo na posição de poste.
Objetivo: Conquistar o título
Treinador: Darvin Ham
- Phoenix Suns
Parece mesmo que Luka Doncic e os Mavericks ‘roubaram’ a alma dos Suns. Depois das Finais em 2021, Pohenix teve o melhor registo da fase regular e, depois de liderarem por 2-0 na segunda ronda, foram derrotados por 4-3. Esta época a química não parece nada boa. Crowder abandonou o barco e Ayton não parece nada contente ali. Cabe a Monty Williams dar a volta à situação e a Chris Paul e Devin Booker voltarem ao nível que mostraram na época passada. Só assim o título pode ser um objetivo, caso contrário não passará de uma miragem.
Objetivo: Conquistar o título
Treinador: Monty Williams
- Sacramento Kings
A aquisição de Sabonis foi um passo na direção correta, mas colocar Haliburton na troca não foi bem pensado. Os Kings estão a construir um bom projeto à volta de Fox e Sabonis e, agora, com Keegan Murray a entrar na equação, o franchise ganha um pouco mais de futuro. Mike Brown parece ser o homem certo para liderar esta equipa que tem armas para lutar por uma presença no playoff, o que não acontece desde 2006. Existem vários postes à frente de Neemias Queta, mas este será mais um ano importante para o português ganhar um espacinho na NBA.
Objetivo: Chegar aos playoffs
Treinador: Mike Brown
Divisão Sudoeste
- Dallas Mavericks
Sai Jalen Brunson, entra Chris Wood. Ficam melhor? Veremos. O base afirmou-se na temporada passada e assinou um grande contrato com os Knicks, enquanto os Mavs foram buscar Woods a troco de quase nada. Dallas é um pouco como os Grizzlies, dependem muito de Luka Doncic. O esloveno carrega esta equipa às costas e tem a missão de guiá-la. É, na minha opinião, o principal candidato a MVP esta temporada, mas para chegar lá precisa de colocar os Mavericks numa boa posição na conferência Oeste. Mas isso não depende só dele. Chegaram à final de conferência na época passada, por isso o objetivo para esta não pode ser abaixo disso.
Objetivo: Chegar à final de conferência
Treinador: Jason Kidd
- Houston Rockets
Jabari Smith Jr caiu-lhes no colo e eles agradeceram. Encaixa que nem uma luva e, se daqui a 8 meses, tiverem a sorte de ficar com a primeira escolha do draft, Wembanyama faria desta equipa um caso sério. Muitos jovens com qualidade e potencial. Jalen Green espera explodir este ano, Kevin Porter Jr é um base capaz do melhor e (às vezes) do pior e Alperen Sengun é um poste moderno. Há muita juventude e potencial… mas as vitórias não devem ser muitas.
Objetivo: Desenvolver os jovens e… Victor Wembanyama
Treinador: Stephen Silas
- Memphis Grizzlies
Foram a grande sensação da temporada passada e vai ser complicado replicar, mas o objetivo tem de passar sempre por melhorar. Chegaram à segunda ronda, por isso há que apontar à final de conferência. Há um problema: já não vão surpreender ninguém. Ja Morant afirmou-se como uma superestrela e conseguiu levar os colegas para patamares que poucos imaginavam. Se os Grizzlies conseguirem voltar a esse nível, vão ser complicados de bater, mas esse nível é muito alto. Na primeira metade da época, Taylor Jenkins não vai contar com o lesionado Jaren Jackson Jr. (a âncora defensiva da equipa), jogador que, arrisco-me a dizer, é insubstituível.
Objetivo: Chegar à final de conferência
Treinador: Taylor Jenkins
- New Orleans Pelicans
Com Zion Williamson de volta, os Pelicans vão ser um caso sério. Com McCollum a comandar, Ingram a assumir-se como All Star, Zion em boa forma, Valanciunas regular, Herb Jones a assumir-se como um dos melhores defensores da Liga e um banco com nomes de peso, a formação comandada por Willie Green pode ter uma importante palavra a dizer na conferência Este. A forma de Zion nesta pré-temporada deixou muito boas indicações e isso será o barómetro dos Pelicans: só serão competitivos se as lesões andarem longe da estrela da equipa.
Objetivo: Passar a primeira ronda do playoff
Treinador: Willie Green
- San Antonio Spurs
Admito que não estava nada à espera da troca de Dejounte Murray para os Atlanta Hawks, mas percebe-se pelas palavras de Pop, que não queria cortar as asas à estrela da equipa numa fase de reconstrução. Os Spurs têm, na minha opinião, o pior plantel da NBA e o objetivo passa por desenvolver jogadores como Tre Jones, Vassell ou Primo. O estatuto de pior equipa da Liga também está na mira dos texanos que esperam conseguir a primeira escolha do próximo draft para escolherem Wembanyama. Será o francês o sucessor de David Robinson e Tim Duncan?
Objetivo: Desenvolver os jovens e tentar… Victor Wembanyama
Treinador: Gregg Popovich
Depois de uma primeira época de adaptação, Neemias Queta tenta finalmente afirmar-se na NBA. Aos 23 anos, o poste português volta a representar os Sacramento Kings por via de um 'two-way contract', que fará com que volte a rodar entre a equipa principal e a G-League, onde terá garantidamente mais minutos ao serviço dos Stockton Kings. De recordar que este tipo de contratos permite ao jogador realizar até um máximo de 50 partidas na NBA - a fase regular conta com 82 - e, atenção, é um mecanismo que apenas pode ser utilizado nas duas primeiras épocas. Ou seja, para Neemias ficar na NBA em 2023/24, terá de ser com um contrato dito 'normal'.
Em 2021/22, 'Quetão' realizou 15 partidas (com uma média de 8 minutos por cada), com 3 pontos, 2,1 ressaltos e 0,5 desarmes de lançamento por encontro. Para esta temporada, o objetivo será conseguir aumentar os tempos de utilização e melhorar o seu rendimento, prosseguindo a evolução natural. Com efeito, Neemias mostrou na Summer League alguns argumentos pouco vistos até então, como maior à-vontade para lançar de fora - chegou a marcar um triplo contra Orlando -, e maior mobilidade em campo. Fisicamente está ainda mais robusto, continuando a aprimorar o seu estatuto de 'rim protector', onde é claramente um 'plus' para qualquer equipa.
Na pré-época, contudo, a utilização voltou a ser escassa. Nos três encontros disputados (média de 8,8 minutos/jogo), alcançou 2,7 pontos, 3 ressaltos e 1 'abafo' por encontro. Domantas Sabonis, Richaun Holmes e Alex Len estão à frente de Neemias nas opções do novo treinador, Mike Brown, o que naturalmente deixará o português mais atrás na rotação.
Com os Kings apostados em voltar novamente ao playoff e quebrar já a 'maldição' de 16 anos sem marcar presença na derradeira fase da temporada, este desejo pode contrastar com uma maior predisposição para apostar no futuro e, consequentemente, dar mais minutos a Neemias. Tem a palavra o primeiro jogador português a jogar na NBA, que é mestre em ultrapassar as adversidades.
Paolo Banchero, jogador norte-americano de ascendência italiana, foi a primeira escolha do draft da NBA. O jogador, de 19 anos, é um extremo de 2,08 metros, e foi escolhido pelos Orlando Magic. Na última época jogou na Universidade de Duke, na NCAA, com médias de 17,2 pontos, 7,8 ressaltos e 3,2 assistências. O jornalista Pedro Filipe Pinto faz a análise às principais escolhas deste ano e mostra-lhe como jogam.
Donovan Mitchell (Utah Jazz – Cleveland Cavaliers)
De melhor equipa da fase regular de 2020/21 à reconstrução do franchise foi um tirinho e a estrela dos Jazz sai sem uma verdadeira campanha de sucesso nos playoffs. Na memória ficam as suas exibições na bolha de Orlando, mas foi também desde então que a sua relação com Gobert se começou a deteriorar. Chega assim, ao fim, uma ligação que começou em 2017 e o atirador, de 26 anos, junta-se a uma formação cheia de jovens talentos, como Garland e Mobley. Pode estar a formar-se uma super equipa em Cleveland, os próximos tempos o dirão.
Este negócio foi feito através de uma troca: para Utah seguiram Markkanen, Sexton e Agbaji.
Rudy Gobert (Utah Jazz – Minnesota Timberwolves)
Mas não foi só o Spida a deixar os Jazz, Gobert até foi o primeiro a sair. O post, eleito o defesa do ano em três ocasiões, foi trocado para os Timberwolves, que enviaram Beasley, Beverley, Bolamaro, Kessler e Vanderbilt no sentido contrário. A equipa de Minnesota mostrou-se disponível a acolher o super contrato do francês de 30 anos, que se junta a Karl-Anthony Towns num frontcourt que impõe respeito. Gobert vai ser a âncora defensiva dos Wolves (bem precisavam!) e, ao mesmo tempo, conseguirá poupar (em parte) Towns na luta pelas tabelas. Esta troca significa o tudo por tudo da formação de Chris Finch na luta por uma caminhada longa nos playoffs.
Gobert protagonizou uma das principais transferências
Dejounte Murray (San Antonio Spurs – Atlanta Hawks)
Esta troca apanhou muita gente de surpresa, principalmente por ter ficado tão barata aos Hawks, que ficaram, com um dos grandes destaques da época passada a troco de um sumo de ananás e uma sandes mista, isto como quem diz Gallinari e três escolhas de primeira ronda que não terão muito valor, visto que os Hawks deverão ser presença assídua nos playoffs. Mas Murray chega a Atlanta para jogar a base ao lado de Trae Young (um dos melhores da Liga), retirando alguma responsabilidade à estrela da equipa. Está no melhor momento da carreira e de certeza que fará a diferença.
Malcom Brogdon (Indiana Pacers – Boston Celtics)
Os Celtics foram às Finais, mas ao longo da temporada era claro que lhes faltava um base. Smart desenrascou muito bem, mas não é um construtor como Brogdon, jogador que leva para Boston grandes percentagens em lançamentos de 3 pontos, excelente capacidade defensiva e liderança. As lesões têm vindo a ser o grande problema Brogdon, mas acredito que agora, numa equipa candidata ao título, essas não apareçam tão regularmente. Se é que me entendem…
Jalen Brunson (Dallas Mavericks – New York Knicks)
O base dos Dallas Mavericks esteve em evidência nos playoffs e foi claro na abordagem ao mercado. "Eu só quero que me respeitem." Este respeito é medido em dólares e houve uma equipa que abriu os cordões à bolsa e ofereceu a Brunson 104 milhões de dólares. Os Knicks agarram um jogador que, agora, terá de se provar como o líder da equipa, pois saiu da sombra de Luka Doncic. Veremos se mereceu o ‘respeito’ ou se o respeitaram demais.
Jerami Grant (Detroit Pistons – Portland Trail Blazers)
Este também já era um desfecho esperado há algum tempo. Grant foi muito falado no último dia de trocas, em fevereiro, mas acabou por seguir em Detroit até final da época. Os Portland Trail Blazers ganharam o concurso pelo extremo enviando para Detroit Gabriele Procida, uma escolha de primeira ronda e duas de segunda. Excelente negócio por um jogador de 28 anos que acrescentou um jogo ofensivo bastante eficiente a uma capacidade defensiva que sempre foi a sua grande característica. Bom aquisição para juntar a Lillard, Simons e Nurkic.
Christian Wood (Houston Rockets – Dallas Mavericks)
Era um dos grandes nomes dos Rockets, e agora troca de equipa… mas fica no Texas. É um poste com muito potencial, mas com mais vontade para atacar do que para defender. Se calhar é por isso que Jason Kidd revelou que Wood vai começar por ser opção a sair do banco, com a titularidade a pertencer a JaVale McGee. É ano de contrato, por isso é de esperar uma boa época do jogador, de 34 anos, que pode ser importante para tirar algum peso dos ombros de Luka Doncic.
John Wall (Houston Rockets – LA Clippers)
O último jogo que disputou foi em 2020 e, desde então, o base ultrapassou bastantes problemas, físicos e mentais – admitiu ter tido pensamentos suicidas. A questão física é um incógnita e é quase impossível John Wall conseguir ao nível de All Star que apresentou até as lesões o começarem a atormentar. Mas, mesmo assim, é uma aquisição importante para os Clippers que vão voltar a ter Paul George e Kawhi Leonard bem fisicamente.
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