Estrelas da NBA entusiasmadas com nova liga de basquetebol pan-europeia
Ime Udoka e Chris Bosh estiveram na Venetian Arena, em Macau
Seguir Autor:
O treinador dos Houston Rockets, Ime Udoka, e Chris Bosh, antiga estrela da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA), disseram hoje à agência Lusa que estão entusiasmados com o anúncio de uma nova liga profissional pan-europeia.
Cerca de 14 mil pessoas encheram este domingo a Venetian Arena, em Macau, para ver o segundo de dois jogos da pré-época da NBA entre os Dallas Mavericks e os Houston Rockets.
O destaque foi o regresso, após um ano e meio de fora devido a lesão, de Kyrie Irving, que foi o melhor marcador dos Mavericks, com 17 pontos, na vitória por 132-115 face aos Rockets, que descansaram a estrela Kevin Durant.
Estrelas como o antigo futebolista inglês David Beckham ou o ator de Hong Kong Jackie Chan partilharam a primeira fila com o comissário da NBA, Adam Silver, que ainda assim provavelmente estaria com um ouvido na Europa.
Isto porque, na quinta-feira, a NBA e a Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) anunciaram que "continuam comprometidas" com o arranque de uma nova liga pan-europeia, prevista para o outono de 2027, apesar do não da Euroliga.
"Para alguém que cresceu e acompanhou o desporto nos Estados Unidos, e fazendo parte dele, é algo que nunca imaginei que fosse acontecer quando era mais novo e jogava", disse Ime Udoka, que jogou seis épocas na NBA.
O técnico acrescentou: "Com o crescimento da modalidade a nível global e a quantidade de jogos que disputamos no estrangeiro, para além dos adeptos e da expansão na Europa e praticamente em todo o lado, é algo que faz sentido".
Chris Bosh descreveu a nova liga como "realmente interessante", sobretudo porque cria "mais opções", nomeadamente para os jogadores que terminaram o percurso nas universidades dos Estados Unidos.
Mas também, acrescentou o bicampeão pelos Miami Heat, para aqueles que "talvez tenham tido um percurso difícil na NBA e podem ganhar uma nova oportunidade na NBA Europa".
"Antes estávamos um pouco limitados e, mesmo que fosses para a Europa, pouca gente conhecia a Euroliga", lamentou Bosh, à margem de um evento para jovens com deficiência intelectual.
A Europa tem "grandes equipas, muita tradição, muitas marcas importantes e penso que, com a chegada da NBA, vão ganhar um pouco mais de reconhecimento mundial", disse o antigo jogador do Toronto Raptors.
"Estou muito entusiasmado para ver como a liga se vai desenvolver", acrescentou Bosh, que chegou a receber convites para retomar, em Espanha ou França, a carreira interrompida por problemas de saúde.
Pelo contrário, Ime Udoka jogou por duas equipas em Espanha, onde "o nível de basquetebol é muito elevado, já para não falar da Turquia, da Grécia e de todos os outros grandes países também".
"A concorrência está a apertar, como vemos nas competições internacionais, campeonatos do mundo e Jogos Olímpicos", disse Udoka, que chegou a treinar os Boston Celtics, onde atualmente joga o português Neemias Queta.
O atual campeão mundial é a Alemanha, sucedendo à Espanha, embora os Estados Unidos continuem a dominar o torneio olímpico de basquetebol, com cinco medalhas de ouro consecutivas.
Uma nova liga profissional pan-europeia "é algo que faz sentido para o futuro visando o crescimento da modalidade em geral, e especificamente da NBA", disse Ime Udoka.
Isto apesar de, na terça-feira, os 13 clubes com lugar garantido na Euroliga terem rejeitado a proposta da NBA e da FIBA para uma fusão com a nova liga pan-europeia.
No entanto, um dos clubes, o FC Barcelona, disse que a porta continua aberta para novas negociações: "Caso esta proposta [de fusão] seja alterada no futuro, os clubes e a Euroliga irão reconsiderá-la".
"Estamos sempre dispostos a conversar, desde que partilhemos a mesma avaliação sobre as principais razões pelas quais o basquetebol europeu não atingiu o seu potencial máximo e sobre como podemos resolver isso", garantiu o diretor-geral da NBA para a Europa e Médio Oriente, George Aivazoglou.