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Afonso Eulálio recusou comparações com João Almeida, "um dos melhores ciclistas de sempre", ao recordar os seus dias de rosa na Volta a Itália, algo que nunca sonhou poder vir a acontecer quando corria no pelotão nacional.
"O João é o João, quem me dera ter as pernas do João, seguramente teria feito bastante melhor. O João é um dos melhores ciclistas de sempre, não só de Portugal. Muitas vezes pode bater-se com o Jonas [Vingegaard] também. Não há comparações", respondeu prontamente, rejeitando qualquer comparação com o melhor voltista nacional da atualidade.
Vice-campeão da Vuelta2025, João Almeida foi o primeiro e único português a ficar no pódio final da Volta a Itália, ao ser terceiro em 2023, ano em que também conquistou a 'maglia bianca', que Afonso Eulálio trouxe para casa nesta edição da 'corsa rosa'.
Mas, tal como o ciclista da UAE Emirates em 2020, também o figueirense de 24 anos andou vestido de rosa, recordando em videoconferência de imprensa a experiência.
"Eu prefiro estar no pódio do que não estar. Com a camisola rosa, com a camisola branca. Claro que no final de uma grande Volta faz muita diferença, porque todos os dias tinha que ir ao pódio, todos os dias tinha controlo, todos os dias tinha centenas de entrevistas", enumerou.
As obrigações protocolares, que continuaram quando despiu, nove dias depois, a 'maglia rosa' conquistada à quinta etapa e manteve a camisola branca de melhor jovem, atrasavam-no ao ponto de acabar por jantar sozinho ou apenas com o nutricionista ou algum colega da Bahrain Victorious que ficasse à sua espera, uma vez que "os outros já tinham chegado, já tinham jantado, já estavam a descansar".
"E, depois, também pelo facto de quando se está a lutar [pela geral] ser mais controlado pela antidopagem. Acabava muitos dias por ser acordado às seis e tal da manhã. Outros dias ia para jantar às 21:00 e eles [técnicos do controlo] chegavam e acabava a jantar às 22:00. Claro que tudo junto acabou por tirar mais recuperação, acabava por me deixar mais stressado", assumiu.
Esta não foi, no entanto, a estreia do luso da Bahrain Victorious na liderança de uma corrida por etapas, já que em 2024 também andou seis dias de amarelo na Volta a Portugal,
"As coisas acabaram por ser relativamente iguais no pós-corrida, em que tínhamos o pódio, entrevistas, controlo [antidoping] e que chegava bastante tarde ao hotel também. [...] Penso que em ambos os momentos estava completamente tranquilo. A corrida, isso aí não dá para comparar, que é um pelotão bastante diferente", notou.
Contudo, como admitiu em resposta à agência Lusa, quando andou de amarelo na Volta a Portugal de 2024, que acabou no 10.º lugar, nunca sonhou que menos de dois anos depois lideraria o Giro e se sagraria melhor jovem.
"Nem sequer imaginei que podia ir para o WorldTour. Por acaso, durante a Volta a Portugal, o meu atual agente tinha-me dito que tinha algumas equipas com interesse, mas não imaginei que seria uma equipa do WorldTour, pensei que seria uma continental Pro, uma equipa espanhola. Quando me falaram do WorldTour, ao início até pensei 'como é que é possível?'", reconheceu.
O corredor da Bahrain Victorious acredita que os ciclistas do pelotão português têm dificuldade em dar o salto para a primeira divisão da modalidade por terem um calendário demasiado 'doméstico'.
"Nós acabamos por não correr muito lá fora. [...] Acabamos por não ter uma montra, não demonstrar o nosso valor. Eu tive a sorte de ter oportunidades pela seleção [em 2023] e, depois, no ano a seguir, o Feirense fez o esforço de muitas vezes dividir a equipa quando havia corridas em Portugal", lembrou.
Nessas incursões no estrangeiro da equipa de Santa Maria da Feira, que representou entre 2020 e 2024, à exceção da época de 2022, Eulálio conseguiu mostrar-se e "fechar regularmente top 10 em corridas internacionais fora de Portugal".
"Penso que foi por aí que consegui também sair. [...] Eu, neste momento, penso que o que não ajuda o nosso pelotão é isso: temos um calendário muito focado dentro de Portugal e acaba por ser difícil correr fora. É um pouco difícil mostrar o nosso valor", avaliou o sexto classificado da Volta a Itália.