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Castanheira: «Não vou entrar em euforias devido à vitória no GP Mitsubishi»

O DÉCIMO lugar alcançado o ano passado, na estreia na Volta a Portugal, atirou Bruno Castanheira para a ribalta do pelotão nacional. Uma promessa do ciclismo luso, já confirmada, de resto, esta temporada, ao vencer a terceira edição do GP Internacional Mitsubishi. Este triunfo surge numa altura crucial da sua carreira, e no ano em que cumpre a terceira temporada como profissional. "Trata-se, sem dúvida, da minha mais importante vitória, até porque a corrida é internacional. Queria muito vencer um prémio e aconteceu agora", desabafou Castanheira. Apesar de visivelmente satisfeito com a proeza, o jovem do Barreiro prefere, por enquanto, optar por um discurso cauteloso, não pretendendo, por outro lado, colocar a fasquia demasiado alta. Até porque ainda só tem 23 anos. "Não vou entrar em euforias devido ao triunfo no GP Mitsubishi. Quero fazer as coisas com calma e não vou já estar a pensar que tenho de vencer todas as provas", confessou.

Com a Volta a Portugal a constituir a principal prioridade da sua equipa - "em termos pessoais vai ser muito difícil obter um resultado idêntico ao do ano passado, pois, certamente, terei de trabalhar para a equipa, que aposta em Andrei Zintechenko", sublinhou -, Bruno Castanheira aponta, também, as suas baterias para outras metas que pretende atingir esta temporada. "Uma das minhas maiores ambições é ser seleccionado para os Jogos Olímpicos. Vou fazer tudo por tudo para ser convocado, embora esteja consciente de que será muito difícil, pois só podem ir quatro corredores", admitiu o ciclista do Barreiro. "Vou apontar o meu pico de forma para a Volta, mas tentarei também estar bem em Setembro."

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ÍDOLO: JOAQUIM GOMES

Bruno Castanheira despertou a atenção dos responsáveis do LA Pecol há três anos, quando já era um dos valores do escalão de esperanças. E o convite para ingressar na equipa foi-lhe feito, pessoalmente, por Joaquim Gomes. Uma coincidência feliz, uma vez que o vencedor de duas Voltas a Portugal era e é o seu ídolo. "Desde muito pequeno que o admiro e nunca imaginei que um dia viria a correr ao lado dele", confessou. No plano internacional, o recente vencedor do GP Mitsubishi nutre uma admiração especial pelo suíço Tony Rominger, curiosamente, um ex-ciclista também bastante apreciado por Joaquim Gomes.

Na altura em que foi convidado pelo LA Pecol para dar o salto para o profissionalismo, Castanheira garante que mais nenhuma outra equipa portuguesa o sondou. Situação, todavia, que se alterou, entretanto, nos últimos três anos, embora o jovem não adiante nomes. Quanto a uma eventual carreira no estrangeiro, o ciclista não coloca de parte essa hipótese - "claro que o sonho de qualquer ciclista português é correr numa grande equipa estrangeira e consequentemente poder participar no Tour", refere -, mas admite que poderia encontrar alguns entraves, caso optasse por essa via. "Penso que ia estranhar um pouco, devido à língua e ao modo diferente de vida."

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GRANDE SUSTO EM 1996

Bruno Castanheira não tem muitas recordações más para contar. Porém, existe uma que o marcou em 1996, quando cumpria o primeiro ano no escalão de esperanças. O jovem do Barreiro integrava o estágio da selecção nacional, na zona de Setúbal, quando, durante um treino, sofreu uma queda, batendo com a cabeça - refira-se que não levava capacete - nos reflectores colocados no meio da estrada. Resultado: "Levei oito pontos no sobrolho e não fui ao Mundial desse ano", explicou o ciclista. No ano seguinte, todavia, as coisas não correram melhor. Castanheira volta a ficar de fora do Campeonato do Mundo, desta vez devido a fortes dores de estômago.

Enquanto cadete e júnior, o corredor do LA Pecol/Alpiarça também esteve sempre na primeira opção das respectivas selecções nacionais, fazendo parte, no primeiro caso, da equipa lusa que participou nas Jornadas Olímpicas da Juventude. As mesmas onde Sérgio Paulinho conquistou a medalha de ouro.

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Bruno Castanheira começou a correr aos 15 anos, ingressando na equipa do Paio Pires e aos 18 teve de fazer uma opção: ou os estudos ou o ciclismo. Optou pela segunda e até agora parece ter feito a escolha certa. Não que ele não tivesse jeito para os livros, mas porque os resultados em cima da bicicleta estão à vista. Resta apenas acrescentar que se tivesse escolhido a primeira via, hoje certamente estaríamos na presença de um promissor economista.

QUEM É QUEM

Nome: Bruno Castanheira

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Idade: 23 anos (4/2/77)

Naturalidade: Barreiro

Residência: Casal do Marco

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Altura: 1,81 kg

Peso: 72 kg

Pulso em repouso: 38 ppm

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Profissional desde: 1998

Equipas representadas: Fimafra/Lourinhanense (até 1997) e LA Pecol (desde 1998)

Principais resultados: 1996 (amador) - Campeão nacional por equipas; 1º Prémio de Setúbal; 1º Volta a Porto Santo; 7º Volta à Madeira e 1º na Juventude; 1997 (amador) - Campeão nacional por equipas; 2º Prova de Abertura; 1998 (1º ano como profissional) - 1º na juventude na Volta ao Alentejo; 1999 (2º ano como profissional) - 1º na juventude na Volta ao Algarve; 1º "sprints" especiais na Volta às Astúrias; 1º na juventude e 10º na geral na Volta a Portugal; Campeão nacional por equipas; 1º no Circuito da Malveira; 2000 (3º ano como profissional) - 1º GP Internacional Mitsubishi

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ANA PAULA MARQUES

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